Já tive alguns blogs em minha vida, deixando-os sempre de lado. Criei esse na intenção de que permanecesse e espero que assim seja. Criei também não só na intenção de desabafo, apesar de acreditar que todo e qualquer escrito é a maior forma de desabafo, sendo poesia, literatura, garrancho ou o que for; mas ao contrário do fotolog, me cansei da estética das fotos, que contraditoriamente amo, porém me cansei do egocentrismo de minhas fotos para substituí-las aqui pela vulgaridade da minha prosa. Apenas formas diferentes de abordagem de meu ser.
To meio cansada de ficar vomitando aqui e tal e até de ficar ironizando e vulgarizando, apesar de que sei que vou continuar fazendo isso, mesmo sem mostrar.
Mas não é nada disso, na realidade arrumei mais uma ocupação, MAIS UMA hahhaa, mas dessa eu gosto - não que eu não goste das outras, mas dessa eu gosto mais.
Então, vou dar um tempo, porque o tempo já era curto, agora ficou menor, apesar que, de certa forma, to conseguindo administrar o pouco que tenho dele melhor.
O livro tá andando pra frente, monografia, trampo, arrumei algumas traduções difíceis pelo inglês mais "arcaico" que dizem respeito à minha nova ocupação, não deixando de lado as habituais e diárias leituras e cinefilias.
Apesar de estar mais entretida com outros escritos e escritores, hoje vou de Fernando Pessoa até que, breve ou tarde, eu retome as atividades por aqui.
E com ele vos deixo, até a próxima vulgaridade:
Se eu morrer novo
Se eu morrer novo,
sem poder publicar livro nenhum
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.
Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.
Se eu morrer muito novo, ouçam isso:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não tem sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam.
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez na porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa...ah, Fernando Pessoa!
[E qual é o sentido, a beleza da poesia alheia senão a magia de nos encontrarmos nela e por algum momento sentir-mo-nos compreendidos, verdadeiros, vivos, coerentes? Eis a magia da literatura e das artes em geral: a eterna empatia ou antipatia!]
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