quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ela mesma...


Hoje fui devolver um livro na biblioteca e ela está um verdadeiro caos pois mudou de endereço, os livros estão todos no chão, desorganizados, as estantes ainda nem foram montadas. Já havia me oferecido para ajudar a organizá-la novamente [obviamente, para meu próprio benefício, já que toda vez que vou lá agora perco pelo menos uma hora até conseguir achar algo] e hoje reforcei o meu oferecimento, mas tenho que esperar eles montarem estantes para enfim, poder organizar os livros. Fiquei batendo papo com o cara que trabalha lá [nem sei o nome dele, mas sempre conversamos], ele sabe que quero prestar concurso pra diplomacia e tal, ele sonha em formar-se em direito também e hoje ficamos conversando sobre isto. Contei a ele que me decepcionei com a coisa toda, contei como tudo aconteceu e tal e aí cheguei em casa e deu muita vontade de ler a minha monografia. Recordo-me de já tê-la odiado, mas não é que hoje, sob meu novo paradigma de vida, senti até um certo orgulho dela hehe. Enfim, não vou ficar massacrando as pessoas que aqui gastam seu precioso tempo lendo um trabalho enorme, mas vou postar um trechinho....só um...




Até hoje, de tudo que foi escrito – das obras mais arcaicas às mais atuais – com algumas poucas exceções, a relação existente sempre foi entre o Direito, o Estado, a Sociedade, a Família e as Associações. Dificilmente ocorrem discussões filosóficas ou mesmo de teorias de ciência política que envolva o individualismo nesta relação; um homem, apenas, diante de todo o sistema que o envolve. Por sorte temos poucos e alguns deles estão presentes com suas citações neste trabalho. Temo que isso é culpa do próprio indivíduo, já que os indivíduos, por meio de um acordo recíproco decidiram viver em sociedade e instituir um governo, formando finalmente um Estado do qual não podemos mais fugir. Subordinou-se voluntariamente; E decorrente disto, ainda pior, os Estados subordinaram-se entre si, voluntariamente também, concedendo poderes por coação ou por conveniência a outros Estados completamente diferentes do seu próprio, com as finalidades mais mesquinhas e desprezíveis, que no final das contas nos leva sempre ao mesmo ponto: O PODER, A INFLUÊNCIA e principalmente O INTERESSE dos poucos que governam tragicamente sobre muitos. É vergonhoso.
Pois como se já não fosse o suficiente, ainda existe a quase completa corrupção do sistema judiciário; às vezes voluntariamente, às vezes coagidos sob ameaças ou talvez por falta de senso de humanidade, de caráter, enfim, os motivos não importam. O único motivo TALVEZ justificável seja a coação, mas ainda assim, não exime a culpa pois este poderia abdicar de seu cargo a fim de que não fosse corrompido através de uma coação. É claro que não podemos generalizar, ainda existem muitas pessoas que não têm seu preço; existem bons juízes, bons promotores, bons políticos, bons advogados (no sentido de honestidade, de justiça), mas trata-se de uma minoria.
Creio que a frase de Oscar Wilde citada em epígrafe, antes mesmo deste trabalho começar começa a ser compreendida...”A personalidade é coisa muito misteriosa. Não se pode medir um homem pelo que ele faz. Um homem pode seguir a lei e no entanto ser desprezível. Pode violar a lei, e no entanto ser justo. Pode ser mau, sem nunca ter feito nada de mau. Pode cometer um pecado contra a sociedade, e no entanto alcançar por meio desse pecado a verdadeira perfeição.” (Página 14). A mãe que rouba alimentos para alimentar seus filhos sem dúvida está violando uma lei, mas está sendo justa; qualquer pessoa que siga essas leis não escritas e reais sob as quais vivemos estaria sendo desprezível; Podemos trair a nossa sociedade, cometendo assim um “pecado” contra o Estado a partir do momento em que a questionamos e tudo de errado que ocorre nela e no entanto através de tal “traição”, gerar uma melhora ou quem sabe até a perfeição ou alguma coisa próxima disso. A lei, a política, o governo, o Estado, o poder não são donos da razão; do justo e do injusto. Só uma situação individualizada é capaz de se definir, através de seus atos em justa ou injusta.



Eu e o individualismo....né? Minha monografia não poderia tratar de outro assunto.


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sexta-feira, 18 de abril de 2008


A Morte dos Girassóis.

"...Pois não são. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.
Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava, e nada. Viajei por quase um mês no verão, quando voltei, a casa tinha sido pintada, muro inclusive, e vários girassóis estavam quebrados. Fiquei uma fera. Gritei com o pintor: "Mas o senhor não sabe que as plantas sentem dor que nem a gente?" O homem ficou me olhando tão pálido quanto aquele vizinho. Não, ele não sabe, entendi. E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer.
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como senão suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exaustoda própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
Alguns amarrei com cordões em estacas, mas havia um tão quebrado que nem dei muita atenção, parecia não valer a pena. Só apoiei-o numa espada-de-são-jorge com jeito, e entreguei a Deus. Pois no dia seguinte, lá estava ele todo meio empinado de novo, tortíssimo, mas dispensando oapoio da espada. Foi crescendo assim precário, feinho, fragilíssimo. Quando parecia quase bom, cráu! Veio uma chuva medonha e deitou-se por terra. Pela manhã estava todo enlameado, mas firme. Aí me veio a idéia: cortei-o com cuidado e coloquei-o aos pés do Buda chinês de mãos quebradas que herdei de Vicente Pereira. Estava tão mal que o talo pendia cheio dos ângulos das fraturas, a flor ficava assim meio de cabeça baixa e de costas para o Buda. Não havia como endireitá-lo.
Na manhã seguinte, juro, ele havia feito um giro completo sobre o próprio eixo e estava com a corola toda aberta, iluminada, voltada exatamente para o sorriso do Buda. Os dois pareciam sorrir um para ooutro. Um com o talo torto, outro com as mãos quebradas. Durou pouco, girassol dura pouco, uns três dias. Então peguei e joguei-o pétala por pétala, depois o talo e a corola entre as alamandas da sacada, para que caíssem no canteiro lá embaixo e voltassem a ser pó, húmus misturado à terra, depois não sei ao certo, voltasse à tona fazendo parte de uma rosa, palma-de-santarrita, lírio ou azaléia, vai saber que tramas armamas raízes lá embaixo no escuro, em segredo.
Ah, pede-se não enviar flores. Pois como eu ia dizendo, depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa, uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu? Algumas pessoas acho que nunca. Mas não é para essas que escrevo."

[Caio Fernando Abreu – crônica ‘it means real’, publicada na revista Zero Hora, em 18 de março de 1995.]

* Como alguns bem sabem, Girassol é minha flor predileta. Já ouvi absurdos tipo: “-É a flor mais brega do universo, é o símbolo da breguisse!”, olha, nem sei se dei-me ao trabalho de responder. Caso tenham saco, procurem em meus arquivos, devem ter uns dois ou três posts sobre os amados girassóis. E tem um post também que mostro minha indignação por um camarada que considerava as metáforas miseráveis. Eu mereço?


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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Alguém já teve uma segunda-feira fantástica?

Eu tive. Essa última. E única em toda a minha vida. Minha amiga Íris tinha vindo visitar-me em Águas, umas semanas antes, fomos até um rock em Itapira e levamos uma multa – eu estava dirigindo. Minha carta estava vencida e os pontos da carta dela, estourados. Fui obrigada a ir renovar o meu CNH. Bom, a intenção era acordar às 06:00 horas da manhã, mas estava uma chuva desgraçada e eu odeio andar de guarda-chuva. Queria chegar no Poupa-tempo assim que abrisse, a fim de não pegar muita fila, mas por causa da chuva resolvi que iria mais tarde e dormi mais um pouquinho =D. Enfim, levantei umas dez horas, tomei meu breakfast [diga-se coffee + cigaret lol], vi meu recadinhos do orkut, e-mail e tal, tomei banho e fui. No ponto de ônibus chega um cara e pergunta: “- O Paraíso já passou?” – Eu respondi que sim, fazia uns cinco minutos. Nesse meio tempo chegou outra senhora no ponto de ônibus e começou a perguntar como fazia, que ônibus deveria pegar para chegar ao destino dela, que ela estava desempregada, era antes doméstica, mas estava com um problema de tendinite grave, fazendo tratamento e tal e ela havia sido demitida. Comecei a aconselhá-la a procurar a justiça do trabalho [a única que funciona A FAVOR DO EMPREGADO - não que seja justa] e então o camarada que estava também no ponto esperando o Paraíso entrou na conversa e também passou a aconselhá-la. Perguntei se ele fazia ou se havia se formado em direito, ele respondeu que não, que era economista. Eu disse que tinha me formado em direito e tal, ele perguntou o que eu fazia, eu disse que estava estudando pro concurso da Diplomacia, aí ele perguntou: “-Você conhece o cursinho Clio?” – Respondi que sim, que era exatamente este curso que eu iria começar a fazer em julho. Sabe o que ele respondeu? “Sou professor de economia neste curso, me dê o seu contato”....sem mais delongas, pois posso tornar-me o ser mais cético do universo, mas continuo acreditando em olho gordo. Acaso, coisas do destino, fé, serendipidade, whatever. Fazia MUITO tempo que uma coisa dessas não acontecia na minha vida, essas coisinhas curiosas sabe? Adoro. Já fez meu dia.
Aí lá foi a Tatiana no Poupa-tempo, faltando 156448674897 documentos para conseguir renovar o CNH, mas não é que consegui? HAHAHAAHA =D
Tive que esperar três horas até poder retirar a carta, então fui até a liberdade, comi no japonês =D e visitei trocentos sebos que existem ali nos arredores.
Tive um ataque consumista, mas fiz boas compras. Pó, 10 filmes por 10 reais???? Fiz a festa! =D Woody Allen agora aqui é coisa em exagero [pena que não encontrei Manhattan =/], Closer, Singles cara! [quero esse filme há séculos!], Before Sunset [pq o sunrise eu já tinha], dentre outros que iria ficar até amanhã citando.
Livros: Tenho uma reclamação. Os Sebos do mundo têm algum preconceito com Caio Fernando Abreu e Marquês de Sade, gente! Não existe. Consegui um “livro” do Cainho, parece meio que uma seleção de contos, super fininho e contos não só dele, mas de vários escritores. Mas enfim, pelo menos achei UM do Cainho né? =D.
Comprei meu Dorian Gray =D [Eu já tive uns 15 Dorians, posso dizer que é meu livro preferido e por este motivo vivo dando os MEUS de presente para os outros, mas parei, este não dou, não vendo e não troco!]
Adorei tanto o “Cuca Fundida” do Woody Allen, que também achei e comprei =D
Comprei “Contraponto” do Huxley, sem sombra de dúvida um dos meus livros preferidos. =D
Por indicação da escritora [muitos andam me indicando], deparei-me com um livro de Anaïs Nin – “Delta de Vênus – Erótica". HAHAHAAHHAHA. Ainda não comecei a ler, porque estou lendo, pela terceira vez minha outra compra...”Dom Quixote” e olha não é pra copiar “Paris Je T’aime”, mas esse livro realmente é um dos livros que me fazem dar MUITA risada. Adoro né, essas anotaçõezinhas que as pessoas fazem nos livros que compramos ou pegamos em bibliotecas. Neste, o camarada escreveu um trecho fantástico do capítulo XIX, entre o diálogo com o bacharel: “E é o meu ofício andar pelo mundo endireitando tortos e desfazendo agravos.” [I’m gonna cry!]
Aí comprei um outro livro que me chamou a atenção, é de um escritor brasileiro chamado “Guilherme Figueiredo”, que eu na minha santa ignorância nunca tinha ouvido falar, mas parece que o camarada é foda. O livro me chamou a atenção pois dei uma folheada e conta a passagem dele por Paris, na época em que morou lá e abri em uma página que descrevia a arte, o Louvre. Me encantei e comprei [Afinal, sou só um pouquinho aficionada por Paris! Há!].
Pra finalizar, deparei-me na prateleira de Filosofia HAHAHAHAHA com um livro chamado “O iconoclasta – ensaios e aforismos” de Joe River, de quem também nunca ouvi falar. Mas este eu dei uma boa folheada e parece-me FODA. Abri na página 47 ao acaso e assim estava escrito:

O CAMINHAR

“Não há caminhos, nem destino
como metas a atingir.
Só há o caminhar,
eternamente sem cessar.

O acreditar, seja lá no que for,
implica em superstição.
O descrer é a contradição,
no conhecimento está a salvação.”

[Comprei este livro pois assim que deparei-me com o título, lembrei-me de meu amigo iconoclasta Luiz Martinho dos Anjos e comprei na intenção de presenteá-lo – estou sempre presenteando-o, enquanto ele é o maior amigo tratante ever made do universo. Mas tudo bem, tenho compulsão em presentear as pessoas. E apesar disso, gosto dele =P. Mas o livro parece-me tão interessante, não sei não se vou dar-lhe.]

Ps: Saulo, my dear, li seu post, mas ainda não tive tempo de comentá-lo, mas IREI, em breve hahahaaha =D

Desde então estou num bom humor insuportável.


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terça-feira, 8 de abril de 2008


"Ele sorriu pra mim e perguntou:
-Vc vai pra Liberdade?
-Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou ao meu lado e disse:
-Então eu vou com você."
[Caio F. - "Onde andará Dulce Veiga?"]
*Vou ser OBRIGADA a fazer um pôster dessa foto e pendurar na parede do meu quarto.

sábado, 5 de abril de 2008


Eu já escrevi sobre Jesus Nazareno mil vezes né? Mas quero escrever again and again. Sabem a razão pela qual eu acho este homem o máximo? Sabe aquela frase famosa do Sartre da “Idade da Razão”: “Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer”? Pois é, Jesus era macho, ele achou uma razão pela qual estaria disposto a morrer e não só a morrer, mas passar por todo tipo de sofrimento. Realmente as razões dele não me importam, o que importa foi que ele encontrou. E viveu e lutou por isso. Vocês sabem [é lógico que sabem] que mudamos de idéia [ou ideais, como preferirem] a todo momento. É difícil manter-se fiel a uma série de coisas. O cara definitivamente conseguiu. É isso que eu tanto admiro. O cara era tão individualista [e não me venham com argumentos tipo “ele era filantropo e altruísta” pois isso fazia parte inteiramente da individualidade dele.] Existiram outros personagens fantásticos ao longo da história com muita personalidade e não vou ficar aqui citando-os, vocês sabem quem são e por mais notórios que sejam, jamais tiveram um centésimo da notoriedade de Jesus Cristo. Não é a toa. Não houve na história, um homem mais individualista e com mais personalidade do que ele. Ele foi o primeiro e TEMO que o último. Quando a deus, so sorry. Não é porque admiro Jesus que vou admirar deus. Tudo bem que ele [supondo que exista] construiu um mundo belo, uma natureza extraordinária, mas se fosse tão inteligente assim, teria feito o homem melhor. Nada contra a liberdade, nem contra o livre-arbítrio, muito pelo contrário. Mas ele devia ter feito o serviço mais bem feito. Acho eu, que ainda creio na existência dele, de uma forma que não sei explicar. Não como um cara, talvez como uma força criadora, eu sei lá. Mas muitas vezes brigo e falo mal, blasfemo pois tenho a nítida sensação de que ele, caso exista, seja muito autoritário, ruim, quem sabe? Ou se pá, blasé. Não rezo mais. Não sei a razão pela qual fiz isso um dia. Desespero, só pode ser. Se estou desesperada, eu assumo, durmo agarrada com a imagem de Jesus Cristo e converso com ele, para que me torne um pouco parecida com ele, no sentido de ter uma direção e segui-la, incondicionalmente. Não sei se ele pode me ajudar, mas isso me conforta. Continuo abominando todas as religiões do planeta e quase todo o legado que elas me obrigaram a incorporar por via de todas as pessoas que me rodeiam. Lord Henry Wotton já dizia “Toda influência é imoral”. Ele tinha toda razão.

Eu só queria ser menos confusa.

Bom final de semana.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Quando volto a pensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo - tão banal e sedento - a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.



As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.



Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.



Nada, nada disso existe.



Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim..."







Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.



[Fonte: Vide postagem de 28/08/2007, obviamente Cainho.]


E quando diz-se "Dorme, só existe o sonho" mas nem overdose de calmante resolve? Tem vezes que eu acho que eu nunca vou ficar satisfeita com absolutamente nada.]



=(

quinta-feira, 3 de abril de 2008



Para quem não está muito bem humorado...


Querem saber como comecei a desenvolver minha filosofia? Foi assim: minha mulher, ao convidar-me para provar o primeiro suflê de sua vida, deixou cair acidentalmente uma fatia dele no meu pé, fraturando-me com isso diversos artelhos. Médicos foram chamados, raios X tirados e, depois de examinado do tornozelo aos pés, mandaram-me ficar de cama durante um mês. Durante a convalescença dediquei-me ao estudo dos maiores pensadores ocidentais – uma pilha de livros que eu havia reservado justamente para uma oportunidade dessas. Desprezando a ordem cronológica comecei por Kierkegaard e Sartre e depois passei rapodamente para Spinoza, Hume, Kafka e Camus. Não me entediei nem um pouco, como supunha. Ao contrário, fiquei fascinado pela lepidez com que esses gênios demoliam a moral, a arte, a ética, a vida e a morte. Lembro-me de minha reação a uma observação (como sempre, luminosa) de Kierkegaard: “Toda relação que se relaciona consigo mesma (ou seja, consigo mesma) deve ter sido constituída por si mesma ou então por outra”. O conceito trouxe lágrimas aos meus olhos. Puxa vida! Pensei, isso é que é ser profundo! (Eu, por exemplo, sempre tive dificuldades na escola com aquele clássico tema de composição “Meu dia no zoológico”). É verdade que a frase continuava incompreensível pra mim, mas que importa isso, desde que Kierkegaard estivesse se divertindo?

[Continua...]

[É um trecho da crônica de Woody Allen called “Minha Filosofia”, é do livro que citei antes “Cuca Fundida”, que nada mais é do que uma junção extraordinária de várias crônicas escritas por ele na revista “New Yorker”, uma daquelas revistas bem, digamos, “cool” hahahaha.]
Inté hahaha =D.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Foi para nós...os supostos filhos.



Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...


Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...


Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...


E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...


E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...


Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...


Digam o gosto pra mim...



[Talvez os bisnetos possam dizer o gosto pra ti ou fazer-lhe uma festa, por enquanto continua a mesma merda. Desde os primórdios sempre foi assim, não podemos dizer que houve uma época em que as coisas foram diferentes. Nem os Beats, nem os Power-Flowers, nem Alexandre - o Grande, nem. O que acontece é que imaginamos que poderia ter sido diferente, mas a realidade sempre foi alimentada por lixo, enquanto algumas mentes eram alimentadas com flores - como diria Cainho. A minha costumava alimentar-se com flores, agora não sei mais do que ela se alimenta, mas de certo deve ser com algo parecido com jiló =/]



Resta sobreviver...quer coisa mais ordinária?

Alguém, por favor, me faça acreditar que "Dreams come true" de novo? Me façam acreditar em "Happy ends", em vidas cinematográficas...

Prefiro, sem pensar duas vezes, viver no meu mundinho ilusionário do que ter que conviver com tamanha crueldade e vazio de nossa geração X. Talvez a pior de todas as gerações...a geração que não tem ideais, nem sonhos, nem nada...a geração VAZIA.



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