sexta-feira, 8 de agosto de 2008

NOVO BLOG:

http://everythingllbealright.blogspot.com/

Au revoir.

terça-feira, 29 de julho de 2008

"Into the Wild" - Na natureza selvagem.

Assistam, just it. Estou em SP com uns 40 filmes em maos e nao paro de assisti-los. [O teclado do note da Thais eh um lixo e nao tem acentuacao nem cedilha]. De todos que ja assisti, iclusive o "Factotum" - adaptacao do romance do Buk [mais do que fantastico - me surpreendeu brutalmente a atuacao do Matt Dillon pq ERA a personificacao do Bukowski - Chinaski - whatever hahaha, assim como o que interpretou o Cazuza, a que interpretou a Piaf. Incrivel, serio.] "Into the Wilde" foi um daqueles que mudam o rumo da tua vida. Eu ja ando ultimamente por um processo intenso de libertacao, que comecou com meu atual terapeuta. Foi o unico, de todos que eu ja fui que entendeu a minha necessidade de libertacao de muitas coisas - e me encorajou a faze-las, ao contrario de muitos freudianos, psicanalistas conservadores. Depois veio a leitura anarquista do Roberto Freire que completou a transicao. Finalmente, posso dizer que de um instante para o outro, cresci, amadureci, me libertei eu sei la. Eu tenho a minha propria vida, sem interferecias, sem chantagens, sem ajuda a nao ser a minha propria. Estou forte. Potencial criativo liberaderrimo. Em todos os ambitos possiveis.
Enfim, esse filme foi a materializacao de tudo isso. Nao eh so por ser um "road movie", nao eh pq foi o Sean Penn, amigo intimo de Buk que dirigiu, nao eh por causa da trilha sonora do Eddie Vedder mais do que desesperadora. Eh por ser uma historia real de um cara foda, que largou toda a mentira em busca de si mesmo. Um cara que abdicou de toda grana, posse, familia, sexo, tudo, pra viver como andarilho por ai e terminar no Alaska, vivendo no meio da natureza selvagem, como parte dela.
Ah eu sei lah, nem sei o que escrever sobre esse filme.
So sei que eh preciso assistir.

;*

segunda-feira, 21 de julho de 2008

MARIA DO MEDO DE AMAR ÀS PORTAS DA VIDA.


- Meu nome é Maria. Não sei como se faz psicoterapia.
- Diga o que está sentindo agora.
- Meu único problema, doutor, é o medo.
- Nós só temos um problema real: o medo.
- Eu tenho medo de amar.
- As outras formas de medo são mecanismos de defesa e sobrevivência animal. A pessoa humana tem um medo especial e original: o de amar.
- E amar é a única coisa que me interessa.
- É o amor e não a vida o oposto da morte. Precisamos distinguir entre estar vivo e morrer.
- Claro, não estou viva porque tenho medo de amar.
- Você não está morta porque o amor é a única coisa que realmente lhe interessa.
- Precisamente por isso decidi fazer psicoterapia.
- Precisamente por isso, estou certo hoje, decidi ser psicoterapeuta.
- Então os psicoterapeutas entendem de amor?
- Não. Os psicoterapeutas entendem deamor tanto quanto qualquer pessoa. Eu tenho medo de amar como você.
- Como pretende me ajudar?
- Tenho muitos mais anos de medo do amor do que você. Acho que aprendi alguma coisa enfrentando esse medo.
- E já amou?
- Muito.
- Como?
- Como estou tentando e temendo amar você agora.
- Eu não vim aqui para amá-lo e ser amada pelo senhor.
- Então perde o seu tempo aqui. Quando você chegou, a primeira coisa que fiz foi perguntar-me se queria e podia amar você. Logo senti que sim. Então comecei a sentir medo. E isso provava que já estava amando.
- Estou começando a sentir medo do senhor.
- Como é esse medo?
- É difícil explicar.
- Não se explique. Descreva apenas o que está sentindo. Esqueça a palavra medo e descreva as sensações e emoções que sente agora.
- Como o senhor falou que me ama de certa forma eu me sinto vulnerável, em risco. Como se tivesse que me defender do senhor. Como se de repente fosse me atacar. Sabe, estou quase chorando.
- E suas mãos estão tremendo.
- O coração bate forte. A cabeça está tonta. Tenho o corpo todo contraído. Quero ir-me embora daqui.
- Fugir de medo. Por que não vai?
- Não consigo me mover!
- Por que então não chora?
- Não quero, não quero!
- Agora você está de olhos fechados e abraçou os peitos com os braços.
- Pare de falar, por favor!
- Eu gosto!
- Isso. Deixe o choro vir todo. Assim, relaxando o corpo. Grite, se quiser. Mais alto, mais alto!
- Eu quero... eu ... eu gosto... eu...eu quero... quero... quero... Eu gosto do senhor... eu quero gostar de você.
- Você não está tremendo mais.
- O que foi que aconteceu?
- Você chorou o que tinha pra chorar. Está se sentindo melhor agora?
- Não sei, não consigo olhar para o senhor.
- Você tem o rosto tranqüilo. Ainda sente medo?
- Não, sinto vergonha.
- Entendo. Você agora me parece uma pessoa mais agradável de se ver. Talvez tenha vergonha disso.
- Chorar é uma coisa feia.
- Conter o choro é que nos torna feios. Chorar é uma função biológica. Precisa ser satisfeita. Uma pessoa esfomeada é uma coisa muito feia de se ver.
- Queria poder olhar de frente para o senhor.
- Eu estou me sentindo muito bem, depois que você chorou. Eu também estou aliviado e com muito menos medo de gostar de você.
- Por quê? Só por que chorei?
- Não é pouco o que você fez. Eu sei como é difícil poder chorar e rir sem medo, sem vergonha.
- E o que acontece quando se perde o medo e a vergonha de chorar e de rir?
- Talvez no fim do choro e do riso todo da gente esteja o começo da nossa capacidade de amar.
- Acho bonito isso que o senhor disse e estou com vontade de olhá-lo de frente. Mas, me responda uma coisa: o senhor chora na frente dos outros?
- Sabe, eu chorei agora, quando disse que no fim do riso e do choro todo da gente talvez esteja o começo da nossa capacidade de amar.
- O senhor não usava óculos?
- Sim. Tirei-os para que você pudesse ver melhor meus olhos.
- Parece que estou vendo agora o senhor pela primeira vez. Parece uma pessoa completamente diferente.
- De certa forma isso é verdade. Perdi, agora, com você, mais um pouco do meu medo de amar.
- Mas como é o seu amor?
- Com cada pessoa ele é diferente. Só a energia é a mesma. Acho que não existe um amor genérico. Posso lhe dizer como é agora o meu amor por você.
- Acho que vou sentir vergonha e medo de novo.
- Porque, certamente, você confunde o sentimento com a posse. Talvez você sinta que devemos possuir as coisas e as pessoas que amamos.
- Sim, é isso. E como, então, podemos satisfazer nosso amor?
- Só existe uma forma de amor que implica na posse provisória dos corpos das pessoas: quando o amor pede sexo para se completar. E, assim mesmo, não chega a ser posse a relação sexual. Depois do orgasmo, os corpos necessitam estar separados um do outro. Eu sinto que é sempre mais prazeroso e mais bonito o amor em mim quando me sinto menos possuidor das pessoas que amo e quando essas pessoas se sentem menos possuídas por mim. No sexo e nas outras formas de amor também.
- Mas o sexo é importante.
- Para quem está insatisfeito sexualmente. Você, agora, tem vontade de chorar?
- Não. E não sinto medo nem vergonha. Pode dizer como é o seu amor por mim.
- Eu não sinto atração sexual por você. Eu não sinto pena de você. Eu me senti e ainda estou me sentindo muito bem ao seu lado. E quero conhecer o que está do outro lado da porta...
- Da porta?
- Do seu medo de amar. Parece-me que o seu medo é o de possuir e o de ser possuída. Enfim, alguma coisa muito forte dentro de você impedindo que possa tomar alguém objeto ou ser objeto de alguém. E, sabe, eu acho isso muito bom, uma coisa muito saudável. Talvez a intuição da existência disso em você é que me tenha levado a sentir logo que gostava de você.
- E o que seria essa coisa?
- Você vai descobrir. Eu sei como ela é em mim. Veja: vivendo numa sociedade regulada pela posse – das coisas e das pessoas que se transformam em bens de consumo e de status, que se transformam em instrumentos de poder – os que não se conformam em possuir e em serem possuídos só podem mesmo viver amedrontados e envergonhados. Se for assim com você também, garanto que não será fácil resolver seu problema só com psicoterapia.
- Mas tem solução?
- Amar livremente o nosso amor não-apropriador de pessoas e coisas é uma forma muito perigosa de viver.
- E quem temer esse perigo?
- Será apropriado por alguém ou por instituições que esses alguéns controlam. E não vive, quer dizer, entrega sua energia vital para eles.
- E como funcionam essas apropriações?
- Quando nos inoculam, desde cedo e permanentemente, o medo e a vergonha de sermos nós mesmos, de vivermos ampla e livremente o nosso amor não-apropriativo.
-Sabe, doutor, eu sou casada e tenho dois filhos. Estou sentindo uma coisa muito forte e muito bonita agora. Estou sentindo muito amor pelo meu filho mais velho. Ele nos tem criado muitos problemas. Saiu de casa, largou os estudos. Sabe o que estou sentindo, doutor? Ele se parece muito com a gente.
- A gente?
- Sim. Comigo e com o senhor.

[Roberto Freire – Texto publicado no jornal Aqui São Paulo em 25/03/76 e republicado na coletânea – Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!]


*- Você disse que eu não era uma cética crônica, eu quero saber o que você quis dizer com isso. Você disse que eu era diferente, mas o que exatamente é o ceticismo crônico pra você?

-É o ceticismo após as primeiras ocorrências, quando você olha pras coisas nas quais você acreditou, principalmente para as que eram muito importantes e hoje essas coisas estão tão diferentes e não se parecem em mais nada com o que foram um dia...
Apenas uma explicação abstrata para um termo subjetivo.

-Sim, as coisas mudam. O fato é que, independente do que eu tenha passado e de minhas memórias, de tudo que acreditei e me decepcionei, eu continuo acreditando que ainda vale a pena.

-Eu não vejo mais as coisas como antes, talvez não acredite mais; mas também acho que vale a pena e que talvez seja a única coisa que valha a pena, TALVEZ.

-Eu tenho meus momentos de dúvida e então fico mal. Preciso acreditar e acredito. Caso contrário, posso morrer hoje mesmo.

-Você está dizendo que seu único sentido na vida é encontrar seu grande amor? Que coisa mais feminina!

[Conversinha de msn velha-pra-diabo entre eu e o Luiz Martinho-pé-de-chulé-machista!]

*- Você é a única pessoa do meu convívio que não me julga, não me cobra e não me enche o saco.
- É essa a intenção.
[Conversa entre eu e meu namorado, anteontem.]

*Na minha primeira sessão com meu atual terapeuta, alguns meses atrás, ele me disse:
- Olha que curioso, ao mesmo tempo em que você foge de um relacionamento, isso é a coisa que você mais quer!

Algumas sessões depois...
- Vai ser boa essa mudança pra você, você não tem que carregar este peso.

*Não faz sentido você dizer que vai voltar todo fim de semana para pagar as contas e fazer mercado para a sua mãe! A idéia não é libertar-se?
[Meu namorado, um dia desses.]


Comprei um filme do Woody essa semana: “Interiores”. Curiosamente, assisti ontem com a velha e foi lindo. O filme é sobre uma família de Manhattan. O pai, determinado dia, anuncia para a mulher [mãe] e as três filhas que está saindo de casa, que precisa ficar sozinho. A mulher [mãe] entra em choque e depressão profunda e vive tentando se matar. Vive cobrando atenção de todos, como se a felicidade dela dependesse de todos eles. A filha mais nova é atriz em L.A. A mais velha é escritora, casada, individualista. A filha do meio vive em função da mãe que nunca está satisfeita, que nunca valoriza o que a filha faz e a filha morre de culpa por isso, não consegue se encontrar, está grávida e quer abortar, tem medo de todo e qualquer envolvimento, obviamente porque está envolvida demais com a sua mãe.

Era esse o meu caso. ERA. Foi legal porque quando o filme acabou, a velha virou pra mim e disse:
- Que coisa não, a mãe prejudicou a vida de todas as filhas! Mas ainda bem que tinha uma “boazinha” pra tomar conta dela.

Momys não poderia ter me dado brecha melhor. Logo lhe disse:
- Boazinha ou trouxa? Porque na minha concepção, pior que a chantagista [mãe] é a que se deixou chantagear [filha]. É o nosso caso. Cada um tem a sua própria vida pra viver, pra cuidar. Cada um é responsável por si, por mais ninguém. Não tem que ter uma boazinha pra pegar o fardo, isso é absurdo!

A velha não disse mais nada, mas demonstrou uma expressão de concordância.

“Hoje encontrei com meu pai
E dói pensar
O quanto ainda sou filho.

É preciso matar meu pai
Teu, nossos pais.

Mas sobretudo é preciso
Sabê-los morrer
Para não cometer suicídio.”

[David Calderoni]


*Li esse texto e outros mais do livro do R. Freire ontem. Sonhei com você-sabe-quem-não-quero-te-expor. Sonhei que você estava internado com depressão catatônica. Quando cheguei no quarto, a enfermeira disse que você estava dentro da geladeira e que tinha um cheiro insuportável de choro. Gostei disso: “cheiro-insuportável-de-choro”. Eu não quis ver. Logo depois, entrei novamente no quarto e você estava deitado na cama, com os olhos vermelhos, completamente catatônico mesmo, uma cena medonha. A enfermeira disse que o médico tinha concordado com o seu pedido de morte, que lhe aplicaria uma injeção e você morreria, a fim de acabar com o seu suplício.
Acordei pensando na frase que você insistia em afirmar: Que eu não sabia ser amada. E eu sempre respondi que realmente não sabia ser amada por alguém que eu não amasse. Sabe pq? Sempre vi o seu amor como algo sujo e possuidor. Eu jamais fui capaz de compactuar com isso, nem de aceitar isso. Essa sempre foi a razão do meu medo e do meu afastamento. O que você chamava de amor, era feio e triste demais pra mim. E sabe o pior de tudo? Eu sempre te amei. Você era um dos amigos que eu mais amava, mas isso nunca foi suficiente pra você. Eu queria o seu bem-estar, enquanto você só sabia me rogar praga quando percebeu que jamais poderia me possuir sexualmente ou coisa do tipo. Você nunca entendeu, ou não quis entender. Foi egoísta demais pra isso. Mas isso é história né? Já foi. Por quês, justificativas, explanações, julgamentos...a pergunta não deveria ser POR QUÊ e sim COMO. Como algo realiza-se é real, o por quê vai ser sempre abstrato. Espero que esteja bem, com você, com o meio.


*1)"O medo é a origem de todos os males.
O pai de todos os vícios.
A mina das fraquezas."

Discordo. Acho que quem não sente medo é louco – não uma loucura boa. Sentir medo faz parte, o que faz um ser humano diferente é ter coragem para enfrentá-lo.

[Pro Saulo - 7 de Abril de 2008 11:32].

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Nossa, cancela o post anterior. Não que Roberto Freire não tenha me causado espasmos...realmente causou. Vertigens, ataques, crises, histeria, sonhos, dor, alegria, tudo. O Sebo da roça é o melhor que existe, aqui você acha Roberto Freire e Caio Fernando Abreu, coisa que não acontece nos outros. Talvez por que além do dono do Sebo, o "seu" Ismael, velhinho super culto, gentil e simpático - e eu, ninguém mais nesta cidade goste de literatura que venha do estômago. Achei vááários livros do Roberto Freire no Sebo e em ataque, comprei todos. Já tinha lido o "Sem tesão não há solução" via e-book, comprei-o também, aliás. Achei muitos, mesmo, menos "Ame e dê vexame", que estou louca atrás. Mas de todos que eu li, "Coiote" realmente é de foder. Talvez por que considere a mim e aos amigos que escolho, coiotes também, cada um do seu jeito.

Mas enfim, como eu ia dizendo, cancela o post anterior. N-I-N-G-U-É-M neste mundo é capaz de superar o Caio. Descobri isto ontem, [re]lendo Dodecaedro, PRINCIPALMENTE o décimo segundo fragmento da décima terceira voz, o Eles e o Afogado.

Como pode? Não me conformo, realmente. Como pode um ser humano escrever daquele jeito?

Estou sem internet e confesso que isso é terrível - e ótimo. Agora, ao invés de mandar scraps, esperar fulano ou ciclana entrar no msn para dizer algo, eu vou até a casa do[a] infeliz. Telefone é muito caro, gasolina também e eu odeio dinheiro. Mas entre gasolina e telefone, fico com a gasolina. Um contato humano que eu tinha perdido há tempos e um tempo de sobra pra tudo, inclusive pra devorar tudo que é livro e filme que vejo pela frente...fantástico.

Mas não vou ser hipócrita, internet é um vício maldito, o pior deles. Assim que eu puder volto a minha nerdisse de viver virtualmente...café, cigarro e internet. Sinto falta. Não há volta.


Como o assunto é R. Freire e Cainho, trechos dos dois:


"Precisamos ser irreais sempre, pra não morrer de realidade." [Coiote]


[ps: E não é que isso me lembrou F. Pessoa e aquele livro maldito do desassossego...que me rói as entranhas também..."Hoje, sim, deve ter existido para morto, mas talvez um dia, em velho, se lembre como é não só melhor, senão mais verdadeiro, o sonhar com Bordéus do que desembarcar em Bordéus.”]


"Não consegui, do grande esforço através dos doze meses, doze signos, doze faces, só guardo essa certeza. Que tonta travessia. Tudo bem, descansa. Faz parte não conseguir. Como Sísifo, se queres mitologias. Queres ainda? Por favor, estou farto. Brilhos baratos, as jóias eram todas falsas. Está certo, mas não quiseram te fazer mal. O mal não existe reverso do bem. Tanto faz, só peço que me deixem. Vou ficar encostado na árvore até amanhecer. Olhos abertos, feito uma vela acesa. Se ela insistir, direi que não tenho piedade alguma. Que não compreendo, não aceito e nem perdôo mais a loucura. Se ele vier, pedirei que fique. Serei bom pra ele. Mentira, não pedirei nem direi nada a ninguém. É indivisível, aprendi. Talvez consiga dormir. Talvez consiga acordar amanhã finalmente livre de tudo isso. Terei apenas um corpo, poucos pensamentos, todos pequenos. SEI QUE FOI INÚTIL QUANDO OS VEJO OBSTINADOS RECOMEÇAR E RECOMEÇAR SEMPRE. Uma serpente que morde a própria cauda, um círculo infinito de enganos, Maya. Talvez não, perdeste a fé? Não te castiga assim, está tudo em paz. Nunca houve cães. É como uma cantiga de ninar nas cinzas do fim do mundo. Um barbitúrico, se preferires. Entorpece, melancólico, te leva pra longe. Já se perdeu, não há futuro. Repousa, meu amigo. Deixa-me passar a mão nos teus cabelos. Está amanhecendo. Em voz baixa, eu canto pra te enganar." [Dodecaedro - Décimo segundo fragmento da décima terceira voz: Triângulo das Águas].


Bom,tô sem internet né? Então deixa eu aproveitar a internet transitória pra falar de um monte de coisas.


1- FUCKERS, DEVOLVAM MEUS LIVROS.

2- Alguém viu no jornal o mendigo autoditada, que preferia passar fome do que pedir esmola, que estudou na biblioteca pública e passou em PRIMEIRO lugar no concurso do Banco do Brasil? *_*

3- Alguém viu a física no Jô ontem? Dizendo que a nossa galáxia corresponde a 5% do universo, mais 20 e não-sei-qto-por-cento é massa escura e o resto é vácuo? E que o universo está se expandindo e vai explodir? HAHAHAHA cara, odeio física. Eu sou burra mesmo ou pelo que ela disse, o universo não é infinito? Sim, pq ela comparou o universo a uma caixa. Mêdo. E preparem os casacose os lampiões hahaha! Vamos terminar no frio e no escuro!!!

4- Minha amiga tem um namorado psicopata que diz que não é humano pq não sente, mas vira-e-mexe tem ataques histéricos por qualquer coisa. Ai, esses "inumanos"...acho engraçado. Posso esbofeteá-lo?

5- Pra quem gosta de Bukowski, "Geração Beat" do Kerouac é um prato cheio. Diálogos impagáveis, do tipo, Buk dizendo: "- Pega uma cerveja pra mim!"

6- Namorado conseguiu bolsa do PROUNI, vai pro inferno, a selva de pedras que acha que é o paraíso, parabéns :) E meus pêsames. Verá como conseguir algo é triste - hahaha. [Pelo menos, vai ficar perto de mim :D]

7- Sempre detestei o Holden-campo-de-centeio. Bixo, não é que ele tinha razão? Tô voltando pra selva e já tô MORRENDO de saudades da roça. Sempre sentimos falta do passado que era presente e que quando era presente, achávamos uma bosta, mas quando virou passado, é saudade.

8- O QUE ACONTECEU COM SÃO PAULO??????? DE ONDE VEIO TANTA GENTE????? AFF...=/.

9- Tha, te amo.

10- Woody Allen, também te amo.

11- Ah, eu amo pra caralho!

12- VIDA MALDITA!

13- AHAHAHAHAHHAHA A LOKA...e nem tomo mais anfetamina!


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quarta-feira, 2 de julho de 2008

"A lucidez incomunicável é a maior angústia. É a solidão dos Deuses. E, pela primeira vez, pensei em Cristo com respeito."

[Rudi]

Estou chocadíssima. Depois de Caio, achei que era impossível algum outro escritor me foder ainda mais. Gozei como nunca. Roberto Freire just did it.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tinhaterapia.
[FIM.]


Desencana do resto, da “visão política”, da “visão religiosa”, romântica, psicológica, terapêutica e de toda essa ladainha nonsense. Ademais, praticamente ninguém é capaz de entender o que é anarquismo, liberdade e individualismo.
Encheu o saco. Resumindo: Foda-se.
[Inclusive todas as terapias.]


Wilde desprezaria-me até sua triste morte se me escutasse dizer que às vezes acho que me torno um pouco daquilo que leio – ou assisto – ou escuto, whatever. Torno-me até a condição climática. Chamar-me-ia de imoral... Mas até que ponto posso eu, ser influenciada, se apenas consigo entreter-me quando empatizo? Qual a diferença entre a influência e o inconsciente coletivo? Qual a diferença entre eu e você? Wilde se contradiz. Hora diz que “Toda influência é imoral”, para depois dizer que se Bosie fosse escrever algo em sua parede para que o sol pudesse dourar, deveria escrever em letras garrafais: “Tudo que acontece ao outro, acontece também comigo.” Não que eu o julgue; mostre-me algo que faça sentido e logo então o fato de Morissey ter usado no auge da banda uma camiseta com a cara de Wilde estampada com os dizeres: “Smiths is dead” terá sido a coisa mais sensata já feita. Anyway, necessário agora é um pouco menos de Wim Wanders, do Livro do Desassossego, uma pitada a mais de Bukowski, uma boa dose de Woody Allen e uma overdose de Huxley, Roberto Freire e Harry. Está fazendo sol, ainda bem.


Vou de Huxley...


Um homem não pode abolir completamente suas sensações e seus sentimentos, a menos que se mate fisicamente. Mas ele pode depreciá-los. E, de fato, é isso o que faz um grande número de pessoas inteligentes e cultivadas – deprecia o humano, no interesse do inumano. Seu motivo é diferente do dos cristãos; mas o resultado é o mesmo. É uma espécie de autodestruição. É sempre a mesma coisa, a cada tentativa que se faz de ser algo melhor do que um homem, o resultado é sempre o mesmo. A morte, uma forma ou outra de morte. Tentamos ser o mais do que somos por natureza e matamos qualquer coisa em nós e nos tornamos muito menos do que éramos. Estou cansado de todas essas asneiras sobre a vida superior e o progresso moral e intelectual, estou cansado da existência pelo ideal e do mais que segue. Tudo isso leva à morte. Com a mesma certeza com que viver para o dinheiro leva à morte. Os cristãos, e os moralistas, e os estetas cultivados, e os jovens e brilhantes homens de ciência, e os homens de negócios – todas essas pobres rãzinhas humanas que tentam inflar-se para se transformarem em bois de pura espiritualidade, de puro idealismo, de pura eficiência prática, de pura inteligência consciente, acabam simplesmente estourando e ficando reduzidas a coisa nenhuma a não ser fragmentos de rã – e fragmentos putrefatos, ainda por cima. Tudo isso junto é uma vasta estupidez, uma mentira imensa e repugnante. O teu pequeno São Francisco, esse fedorento, por exemplo. – Mark Rampion voltou-se para Burlap, que protestou. – sim, um fedorento – insistiu Rampion. – Um homenzinho bobo e vaidoso, que tenta encher-se de vento até se tornar um Jesus, e que consegue apenas transforma-se em fragmentos repugnantes e malcheirosos dum verdadeiro ser humano. Um homem que andava a colecionar sensações e a se excitar, lambendo os leprosos! Ui! Que sujeitinho pervertido e repugnante! E se julga bom demais para dar um beijo numa mulher; quer estar acima de todas as coisa vulgares, como o prazer natural e saudável – e o único resultado é que ele mata o menor grão de virtude humana que podia ter em si.
[Contraponto.]


É...toda a arte é absolutamente inútil. Exatamente por esta razão agora vou entreter-me na arte da decoração de meu novo quarto. Nada poderia me dar mais prazer!


Au revoir.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cancela! Acabei de chegar!

Cancela o ataque neurótico "Fight Club", somado ao complexo de Jesus Cristo "não-sou-materialista-e-extremamente-altruísta-e-tenho-que-sofrer-na-cruz". NADA CONTRA JESUZINHO LINDO, of course, mas como cantaria Zeca, "Bye Bye Miserê...au revouir miserê/Finesse s'ilvous plait".

Ontem minha mãe saiu pra me comprar roupas e eu disse NÃÃÃÃÃO! Não quero mais comprar roupas, quero me desprender de todo e qualquer materialismo, aí juntei um monte de roupas e levei pra campanha do agasalho hauhauhahua. Mas ela não respeitou meu pedido, disse que era um absurdo eu querer ser a pobre de Paris e comprou roupas novas pra mim. Confesso que os bois novos no meu armário melhoraram o meu humor em 200%.

Agora o mais absurdo foi dizer que Paris não resolveria o meu vazio! Até parece que eu estaria infeliz em Montmartre ou em Saint-Germain-des-Prés, com todos aqueles sebos no meio da rua com todos aqueles livros deuses ilustrativos de arte e todos os livros possíveis. Até parece que eu não ia estar dando pulos ao tomar café no Café de Flore ou no mesmo café que Sartre, Simone de Beauvoir, Truffaut frequentavam. Até parece que eu não ia ter uma síncope explosiva de contentamento mostrando os peitos no Moulin Rouge e amanhecendo bêbada no Château de Versailles igualzinho Marie Antoinette ou tirando uma foto imitando a Vênus de Milo escondida no Louvre hahahaha.

Até parece que eu vou estar infeliz em São Paulo, no meu ap deuso, com a minha melhor amiga. Até parece que eu vou achar ruim ser diplomata ou até parece que eu acharia ruim ter um salário milionário.

E acima de tudo, até parece que eu prefiro ficar sozinha do que dormir com aquele idiota indie [que odeia quando é rotulado!], ficar dopada de hipnótico, virar um cadáver e jogar o coitado pra fora da cama. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ficar discutindo assuntos nerds com ele, como tópicos toscos de comunidades toscas do orkut. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ver aquele idiota carimbando notas "seja vegetariano" e achando isso um absurdo. Até parece que prefiro ficar sozinha do que ser acordada por ele aos tabefes.

Até parece que brigar com ele, com a minha melhor amiga e com a minha mãe faz algum sentido.

Quando der a louca, me levem pro Bairral, sem pensar duas vezes.

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terça-feira, 17 de junho de 2008

Tinhaterapia.

[Tinhaterapia?? Purrff...]


"Será horrível demais querer aproximar-se dentro de si mesmo do límpido eu? Sim, e é quando o eu passa a não existir mais, a não reinvidicar nada, passa a fazer parte da árvore da vida - é isso que luto para alcançar. Esquecer-se de si mesmo e no entanto viver tão intensamente."

[Clarice Lispector - Um Sopro de Vida.]


Tudo que queria era ser livre. Livre dos outros, das coisas e de mim, principalmente. Carrego inúmeras culpas comigo e sempre castigo-me a fim de obter alguma auto-absolvição. Jamais consegui. Às vezes penso que talvez fosse bem mais cômodo acreditar que rezando um terço, tudo se resolveria, mas já não sou capaz. Não é Jesuzinho, nem deus, nem os outros. Não é o perdão alheio que tanto almejo. Duvido muito que alguém me culpe pelo que for. Prejudiquei-me tantas vezes, insuportável. Não posso dizer que realmente arrependo-me. Mas já não consigo mais permanecer em qualquer situação de realização. É do peso que gosto, do conflito interno. Resolvi ignorar quase absolutamente tudo. O que mais desejo é levar uma vida desprendida, com exceção do apego às artes. Sou incapaz de esquecer os livros, os filmes, as músicas, a poesia, a pintura e toda e qualquer manifestação de beleza, de vida. Tentei, mesmo.Conclui que posso passar a vida apenas lendo, escutando e admirando. As pessoas me interessam, mas não quero que me notem, o que torna o convívio bastante difícil. Alguns talvez podem considerar-me pedante e sob algum paradigma, talvez seja. Mas não é isto. Não deixei de amar, não me considero de forma alguma superior. Sei e conheço bem meus defeitos e tenho a consciência de que não sou diferente dos outros – não sou melhor, nem pior, sou demasiadamente humana e sou também alguma espécie de entidade única - assim como tudo na vida, na natureza, uma fonte infinita de paradoxos. Cansei-me de tentar compreender. Percebi que sempre estive só e dei fim a ditadura da companhia, seja ela de meus entes queridos, ou de qualquer outra coisa que prometa sanar a solidão ou alguma socialização. Perdão. Talvez não me ache digna. Não digna do paraíso celestial, terreno ou aquele que os dragões não conhecem ou de qualquer premissa religiosa ou mistificadora. Não acredito mais, não acho que seja possível. Sou deusa e dona de meus atos, de minha vida. Não devo satisfações a mais ninguém, além de mim mesma – que peso! Desejo uma espécie de inferno paradisíaco [a]religioso, anárquico de liberdade, onde não há hierarquias, cobranças nem censuras de espécie alguma. Não consigo mais distinguir a diferença entre destruir e construir.

Above all, custa admitir...que sim, que eu gosto, que eu amo e que odeio absurdamente ser forçadamente sozinha e que jamais vou conseguir mudar. Que assim como Caio, sei que sempre vai faltar alguma coisa e que não são os outros que vão resolver este vazio, que eu não vou resolver, que deus não vai resolver, nem Zeus, nem Prometeu, nem as Moiras, nem a fluoxetina, nem um salário milionário, nem Paris, nem apartamento novo, nem São Paulo, nem Itamaraty, nem. E que cada tentativa que abandono, aumenta o gosto de morangos mofados na minha boca. It’s so bitter and so sweet and i’m so addicted to this...samsara.

Bom, talvez Bukowski, Depeche Mode, Placebo, Woody Allen, Cainho, Wilde, o Word, talvez.

Nunca sei como terminar posts mesmo. A princípio era em terceira pessoa, seria tão mais fácil e covarde me esconder atrás de algum personagem “fictício”, mas não...

I don’t want comfort, I’m not looking for shelter...já disse que no meu “Brave New World” os selvagens sempre serão bem vindos e a selvageria começa por mim. Qualquer um capaz de rejeitar qualquer espécie de soma, qualquer um que seja capaz de isolar-se num farol e terminar se auto-enforcando após trair-se estará próximo de mim.


domingo, 15 de junho de 2008

You and I got something
But it's all and then it's nothing to me
And I got my defenses
When it comes to your intentions for me
And we wake up in the breakdown
Of the things we never thought we could be...

I'm not the one who broke you
I'm not the one you should fear
Wake up to move you darling
I thought I lost you somewhere
But you were never really ever there at all...

[...]

I have no solution
To the sound of this pollution in me
And I was not the answer
So forget you ever thought it was me

I'm not the one who broke you
I'm not the one you should fear
Wake up to move you darling
I thought I lost you somewhere
But you were never really ever there at all...

[Goo Goo Dolls - Here is Gone.]

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pausa.



Ou a Tinhaterapia funciona mesmo ou estou sofrendo de alguma moléstia muito grave. Sábado passado acordei com uma gripe violenta, fiquei de cama até quarta feira, quando ao melhorar dei-me conta de que estava com uma dor insuportável na boca, eram os meus DOIS dentes do ciso do lado esquerdo querendo saltar pra fora. Agora, o juízo do lado direito se quiser aparecer, vai ser só depois dos 50 anos. De qualquer forma, vou arrancar esta porcaria que não aguento mais de dor. Bom, enfim, como se não bastasse eu ter passado o final de semana do feriado e mais metade da semana de cama, meu pc quebrou e cortaram meu telefone, eu não tenho um puto no bolso e agora que melhorei, fiquei menstruada no final de semana. Na quarta feira fui doente ver meu namorado e ele me tratou extremamente mal.



Era pra eu ter me matado, não era?
Mas, tô rindo à toa, juro.


Deve ser moléstia grave.

;*

sexta-feira, 23 de maio de 2008

II – Da existência [?].
[“Os assassinos estão livres; nós não estamos.”]


1. Coletânea.

“A única coisa da qual não me isolo é a natureza saca? Sério, dessa eu não abro mão. É como se ela fosse a única coisa que me entendesse completamente, que não faz perguntas, que me abençoa com paz. Uma paz tipo: Somos a mesma coisa. E mesmo que nosso semblante seja completamente diferente, somos a mesma coisa, mesmo que ela seja sol, lua, árvore, montanha, pássaro, urubu, gato, girassol, orquídea, rosa, grama, vaca, e eu mulher, somos a mesma coisa. E eu não sei explicar a razão disso.”

“O que quero dizer é que esse mundo é maluco mesmo, que entre nós existe sim muita maldade e não só entre nós, mas em toda a natureza, porque ela assim o é: contraditória, paradoxal. Existe o feio, mas também existe o belo. Existe a sobrevivência, existe a vocação, existe o agreste, o selvagem, existe o oposto de tudo isso e muito mais. E tudo isso precisa existir. O homem não pode odiar a sua humanidade nem a si mesmo, nada que existe pode. Ele deve aceitar a sua condição, mesmo que não concorde com determinadas atitudes de seus semelhantes.
E diante de tudo isso, depois de pensar muito, decidi continuar seguindo a doutrina da natureza, aonde me enquadro e até mesmo ao naturalismo artístico e literário, realista, sem deixar de excluir, de forma alguma, todo e qualquer aspecto repugnante que provenha de toda e qualquer natureza, inclusive da minha, sem jamais esquecer-me, que diante de toda repugna que existe em nossa e em toda existência, o belo é tão maior e tão mais potente que me permite ao mesmo tempo em que como um temaki ou um sanduíche de peito de perú, fazer carinho no meu cachorro, me emocionar vendo o pôr do sol, chorar ao ver animais sendo mortos por suas peles, chorar ao saber que tem amigo meu perdido em beco atrás de cocaína, sem saber se ainda ta vivo ou morto, sorrir ao ver uma criança linda e contemplar tudo de belo que me rodeia - por mais que chore pelo feio...que existe tão e somente para aprendermos o dom da contemplação do belo.”


[Sobre “City of Angels” e “Der Himmel über Berlin”]:
“O que eu quero dizer com esses dois filmes é o que de comum eles têm; a beleza que os anjos enxergam em tudo que compreende a vida, já que não a possuem e a partir do momento que vivem, sabem viver melhor do que qualquer um de nós. E olha que eles conheciam bem as aflições dos homens, apesar de não poderem senti-las, já que liam os pensamentos. Porém imaginavam, e diante disso tinham uma vontade doentia de viver tudo aquilo. E viveram da melhor forma possível.

Diante disso, acho lamentável – nós, humanos. O dia que aprendermos a valorizar o “sabor de uma pêra”, um “corte” que seja, o dia que soubermos o valor de um mergulho no mar, de um banho quente demorado, da contemplação do pôr do sol e da contemplação em geral, seremos menos patéticos.

Hoje me sinto como um anjo que acabou de cair na terra, mas sei que assim como todos nós, já me senti aflitiva, vazia, melancólica, tediosa e tudo mais. Sei lá, é tudo tão contemplativo, único, quase explodo.É qualquer coisa como a resposta de Seth, quando seu amigo anjo lhe pergunta após a morte de Maggie, se ele tinha se arrependido de ter virado humano e então ele responde:-“I would rather have had one breath of her hair, one kiss from her mouth, one touch of her hand, than eternity without it. One.”

E então come pêras, sai correndo na praia e se joga no mar, contemplando a sensação do mergulho; contemplando toda a vida que lhe resta, tudo que viveu e que ainda viverá, com o sorriso mais verdadeiro do mundo: O sorriso de quem conheceu a dor, mas que por ela fazer parte da vida, tão perfeita, a ama. O sorriso de sentir, um sorriso de vida; um sorriso IMPAGÁVEL.”

“Os únicos momentos que valem a pena são os breves momentos do agora, temos a obrigação de torná-los os melhores possíveis, sermos inconseqüentes até o último fio de cabelo e esquecer completamente que a palavra culpa habita o dicionário. Ninguém pode fazer absolutamente nada por você e se fizer algo por alguém, não o faça por obrigação. Faça por sua vontade. Não precisamos de razões para fazermos o que temos vontade e eu bem sei que uma vontade é uma percepção extremamente complicada. Levantar da cama é difícil, mas apesar de todo o peso da liberdade, ainda posso dizer que as tequilas, as estradas, cantar com um amigo, qualquer espécie de pré-disposição, finalmente compreender um conceito, aumentar o seu saber, melhorar o feriado de um desconhecido e ante a tudo isso ainda conseguir sentir um sopro de contemplação através de tantas coisas abomináveis que nos rodeiam, ainda fazem essa empreitada valer a pena. - somehow and i don't know why.”


“Me digam que não somos todos idiotas, querendo sempre estar no controle de nós mesmos, mesmo que pra isso tenhamos que dizer o tempo todo o oposto. Ou ao menos, digam que somos humanos, que vivemos que sentimos. Que assim como Fernando Pessoa, todos estamos ‘FARTOS de semi-deuses’ e nos perguntamos: ‘Aonde é que existe gente neste mundo’?????
Cancela.”

Quem me dera ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter,
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer...

Quem me dera ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante.
Mas nos deram espelhos...
E vimos um mundo doente!”

[Legião Urbana – Índios].


2. Para a louca de pedra e para a monstra:

Rodeie. Desça até o fundo do poço a fim de descobrir tudo aquilo que você sempre soube, mas não se dava conta que sabia. Não fique com preguiça. No fim das contas é a mesma coisa, mas tudo muda. Você compreende – depois não mais, sem nunca ter deixado de compreender. Jamais será tempo perdido. Se perca, faça tudo que quiser. Chafurde na própria merda. Conheça os dois lados da moeda. Liberte-se. Enlouqueça. Quando achar que conseguiu, comece tudo de novo. Acredite, nada faz sentido e esse é o único sentido que vale a pena.
;*

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Tinhaterapia
[Não surta!]

"Vienna" - Billy Joel.

Slow down, you crazy child.
You're so ambitious for a juvenile.
But then if you're so smart, tell me why are you still so afraid?
Where's the fire? What's the hurry about?
You better cool it off before you burn it out.
You got so much to do and only so many hours in a day.

Don't you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You're gonna kick off before you even get halfway through.
When will you realize Vienna waits for you?

Slow down, you're doing fine.
You can't be everything you wanna be before your time,
Although it's so romantic on the borderline tonight, tonight.
Too bad, but it's the life you lead.
You're so ahead of yourself that you forgot what you need.
Though you can see when you're wrong,
You know, you can't always see when you're right, you're right.

You've got your passion. You've got your pride,
But don't you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don't imagine they'll all come true.
When will you realize Vienna waits for you?

Slow down, you crazy child.
Take the phone off the hook and disappear for a while.
It's all right you can afford to lose a day or two.
When will you realize Vienna waits for you?

Don't you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You're gonna kick off before you even get halfway through.
Why don't you realize Vienna waits for you?
When will you realize Vienna waits for you?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Tinhaterapia.
I – Do individualismo.

Parte 1 – Coletânea.


“Me tornei inerte, não opinino mais, ou ao menos, tento não opinar por mais que peçam a minha opinião, porque ela não tem utilidade nenhuma pra ninguém, muito menos meus conselhos. Passei muito tempo sofrendo pelos outros, não por coisas que fizeram a mim, mas por coisas que fizeram à eles mesmos. E qualquer coisa de ruim que uma pessoa faça contra a sua identidade me afeta, é como se fosse comigo, é como se tirassem alguma coisa de mim também. Desta forma, roubam o meu sonho individualista.”

“E foi então que me lembrei do individualismo , de Oscar Wilde e de Jesus de Nazaré e lembrei da célebre frase: ’Sê tú mesmo’. Seguida de Oscar de que qualquer pessoa que tivesse qualquer coisa de empatia com Cristo deveria ser inteira e absolutamente fiel a si mesmo...”

“Não vou cometer aqui o absurdo de dizer que me encontro com Oscar em sua genialidade, apesar dessa ser a sua maior qualidade. Me encontro com ele nos sentimentos e nos sentidos. Mas além dos sentimentos e dos sentidos, ele é meu preferido pela genialidade – para mim INCOMPARÁVEL a qualquer outro escritor. Ele mesmo se mistificou e tinha toda a razão: ELE REALMENTE ERA O REI DAS PALAVRAS. Era capaz de dizer tudo em uma frase ou em uma epígrafe e chocar diante de tanta imaginação e genialidade qualquer pessoa com um mínimo de humanismo. Aliás a imaginação era sua qualidade preferida entre os humanos – nesse ponto eu concordo com ele – a capacidade de imaginar o ser e os seus ideais – a capacidade de imaginação no geral, inclusive no sentido de compreensão, porque muitas e muitas vezes não conseguimos imaginar que as pessoas se encontram em situações diferentes da nossa, mas que deveríamos imaginar porque podemos passar por elas – apesar de sempre desejarmos ser diferentes de todo mundo. A capacidade de imaginar, diante de todo o nosso individualismo, nós, na situação do outro. E talvez – apenas sob o individualismo sejamos capazes de desenvolver tal qualidade. Individualismo parece uma palavra banal e simples, mas é muito difícil de ser explicada e só pode ser entendida diante da humildade – de aceitar quem quer que seja, a situação que seja, inclusive você mesmo e isso nada mais é do que respeitar o individualismo alheio e pra isso só sendo individualista. Enfim, como eu disse, é muito difícil explicar e esse nem é o principal, apesar de ser um dos assuntos tratados aqui hoje.”

“‘Dia do Cansei’ – WHAT A JOKE! Está cansado? Eu já estou cansada faz tempo! Eu só acho que se as pessoas se preocupassem mais com os seus próximos ao invés de querer salvar o mundo com um minuto de silêncio o mundo todo seria bem melhor. E não estou falando de altruísmo forçado não, é só amar o próximo, porque se não ama, não é próximo. E tratar bem o próximo é a coisa mais instintiva e prazerosa que existe.É como Wilde disse em “A alma do homem sob o socialismo” – ‘Deveríamos ser solidários com a vida em sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na beleza, na energia, na saúde e na liberdade. A solidariedade mais ampla é, naturalmente, a mais difícil: exige maior altruísmo. Qualquer um pode se sentir solidário na dor sofrida por um amigo, mas é preciso uma natureza muito superior - a natureza de um verdadeiro Individualista - para se sentir solidário no êxito alcançado por um amigo.’ – quando o homem tiver alegria na contemplação da alegria de seu semelhante. E tudo isso só pode ser obtido através do Individualismo.Sei lá comigo sempre foi assim, sempre me senti feliz com a alegria daqueles que amo, sempre simplesmente desprezei as pessoas que eu não gostava, não lhes desejando nem bem, nem mal, é indiferente, eu nem lembro que elas existem. Quanto às desigualdades sociais, não vou ser hipócrita e dizer aqui que todas as merdas que acontecem no mundo não me tocam de certo modo, sou altruísta sim da forma mais egoísta possível fazendo o que está ao meu alcance. Mas não fico me matando por dentro pelo sofrimento do mundo.Muitas pessoas me criticam por eu me preocupar demasiadamente com a minha mãe; perdão se vocês querem fazer um minuto de silêncio pelo mundo mas não enxergam as necessidades de quem colocou vocês no mundo e a vocês dedicou parte da vida da melhor forma que pôde. Pra mim é muito mais importante fazer algo por ela e não só por ela mas por todos aqueles que sinto afeição do que fazer um minuto de silêncio. E se todo mundo pensasse assim, não teria necessidade de um minuto de silêncio.”


...”Sou como um estabelecimento.
Posso mudar de dono,
de localidade,
de semblante;

Fadado ao desamparo,
ou ao êxito.
Aqueles que chegam, bem como os que saem
fazem minha história.

Porém, além das influências
e do significado que tenho aos que me consomem;
da estória que cada um conta ou da estória que deixaram pra contar;
Contudo, estabelecimento”

“As pessoas estão preocupadas DEMAIS com a vida alheia. Que coisa mais chata!
Eu já disse pra quem perguntou porque diabos eu pratico o altruísmo, porque me envolvo em projetos sociais. Não se enganem! Não é porque eu quero ser Jesus de Nazaré ou a Madre Tereza de Calcutá. É porque eu simplesmente gosto, é um lance completamente egoísta saca? Eu posso perder o ônibus da viagem que eu planejei, mas eu não perco a hora da vacinação contra a raiva ou do almoço do asilo, se realmente estiver a fim de ir. Eu não vacino os cachorros, eu faço as carteirinhas e as anotações HAHAHAHHA...eu não tomei as vacinas, então não posso e se pudesse não sei se faria, acho meio desagradável então não faço, mas contribuo da minha forma.
É legal sabe, você ver outras pessoas, outras perspectivas, formas de vida diferentes da sua. Sábado passado passei a tarde num bairro "rural" daqui na vacinação...putz foi tão legal ver a vida daquelas pessoas tão diferente da minha, trocar experiências, ganhar caldo de cana, ver um gatinho lindo tão fofo! E um cão que chama Bin Laden! UHAUHAUHAUHAUHAUHAHU, mas que era um doce de cão. Isso me fez esquecer por horas coisas chatas. É por isso que eu faço. Mas não se iluda, no momento em que eu saio do asilo, no momento em que acaba a vacinação e eu chego em casa eu não penso mais nisso. Eu não me comovo. Eu começo a pensar na balada de sábado à noite ou coisa do gênero, mesmo que tenha acabado de ver 10 mil pessoas "miseráveis", no sentido da pobreza monetária. Na realidade acho que sofro mais por Oscar Wilde do que pelo pobre. Chamem de futilidade ou do que quiserem, eu não ligo.

“Vejam bem, quando temos um ente querido, a coisa mais natural do mundo é querer ver ele bem. Se você vê que tem algo errado, que faz mal a ele, que faz ele infeliz, você aconselha, isso não significa que você se intrometa ou viva a vida dele. Um conselho não é uma crítica. Você aconselha e deixa ele fazer o que quiser com isso, você o abandona para que o ente faça o que quiser com a vida dele. Mas daí a passar o tempo falando da vida alheia, criticando a vida alheia, cara isso é chato demais!
Tô de saco cheio de críticas e ataques! Por um mundo mais individualista! É isso que eu admiro e que alguns não entendem!
E por falar em Oscar Wilde, leiam vai, leiam a alma do homem...(sob o socialismo)! [E eu não sou socialista, que fique claro, mas a obra em si fala mais do individualismo do que do socialismo, é uma integração muito interessante].
VIDA, VIDA, VIDA, VIDA, VIDA! Nem que pra isso você tenha que morrer. Mas morra vivendo.”

“Se eu critico quem se preocupa demais com a vida alheia é porque eu realmente acho que essas pessoas poderiam fazer algo de melhor com as suas próprias vidas!
Eu sei que eu sou exagerada ao extremo! Rude sometimes, escrotona mesmo. Mas é a minha indignação expressa. Eu sou impulsiva, essa é a minha saúde mental! Eu gosto dos impulsos, das alegrias, das tristezas, eu gosto de qualquer coisa que me faça sentir VIVA ou que me MATE! Tudo de mais INTENSO possível. O que eu não suporto é o meio termo, o tanto faz, o vaziooo!!!
O que eu adoro é deixar de lado todos os meus afazeres, mandar tudo pra puta que pariu e ficar aqui escrevendo merda ou chorando, ou rindo, ou roubando o vinho da minha mãe e enchendo a cara, saindo sem destino no meio da madrugada pra dar uma volta no morro das 7 curvas e ver dezenas de estrelas cadentes, sair de casa as cinco da tarde e voltar as seis pra ficar vendo meu amado sunset. Mesmo que isso me faça ficar sem dinheiro! O que eu não suporto é me prender à obrigações, ficar reclamando da falta de tempo, vivendo como uma máquina que não para de trabalhar nunca, que tem hora marcada até pra sentar com a mãe e conversar meia hora! O que eu não suporto é "viver a vida levando"! E eu andava fazendo isso, mas parei, acabou. A louca assume e a monstra sai. E a doida de pedra varrida é vazia, tanto quanto a monstra. E só eu sei o que cada uma delas realmente significa. Só eu sei o inferno e céu que elas representam.”

“Desejo à todos, contemplação. Jamais sucumbam ao tédio. Que todas as simples coisas preencham, sempre, mas que isto não seja motivo para deixar de lutar por coisas notoriamente impossíveis. É o impossível que move a vida. Sejam piegas, ridículos, patéticos, apaixonados, loucos, drogados e imediatistas. Sejam caretas, tímidos, covardes, grandes ou pequenos. Ateus ou ortodóxicos. Liberais ou puritanos. Românticos ou Científicos. Gritem, quebrem, chorem, briguem, façam escândalo, morram. Calem, vivam, sorriam, sonhem. Não adoeçam. Adoeçam. Mas sejam amorais, façam suas próprias leis de acordo com os princípios relativistas de CADA UM, e respeitem a individualidade de todos. Respeitem a sua natureza.Pecado é seguir as normas de alguma convenção...quando a única convenção possível é a sua para com você mesmo.”

“Os motivos que nos fazem levantar de manhã não são nossos esforços, muito menos nossos sonhos, ambições perdidas de uma vida completamente nonsense e inexistente. A única coisa que talvez valha a pena são os 5, 10, 3, 0.1 minutos, segundos horas de compreensão entre duas ou mais pessoas – momentos tão raros. Agradeço, sempre, aos que não me julgam, aos que me aceitam, aos que entendem que por trás de minhas ações, paranóias ou seja lá o que for eu não preciso de uma justificativa nem de nenhum plano mirabolante para absolutamente nada. E talvez a coisa que mais me deprima, ironicamente [por ser incongruente ao meu amor pelo existencialismo e pelo individualismo], são todos aqueles que escolheram não viver [me irritam e estou rodeada deles].”


Parte 2 – Pré-“conclusão.”

Já cansei de escrever sobre este assunto, como vocês bem podem perceber. Se discuto a questão do vegetarianismo e derivações, por exemplo, não é por ter algo contra nem a favor dos vegetarianos em si e sim pelo MEU próprio questionamento acerca do assunto e suas vertentes. Assim como tudo, quero me questionar, quero descobrir, quero pesquisar, quero chegar a um termo, a alguma verdade pessoal. Essa questão é absolutamente e unicamente existencial. Se meto o pau na cocaína, assim como me admito [hoje em dia nem tanto] dependente de barbitúricos, ex-usuária de anfetaminas e derivados é por uma simples razão: na minha concepção isso tudo faz muito mal pra quem usa.Tenho eu alguma coisa com a vida alheia? NÃO. Mas posso manifestar minha opinião, minha preocupação e dividir minhas experiências. Nem estou aqui para discutir as razões que levam as pessoas a utilizarem tais substâncias, se é para suprir algo ou por simples vontade, eu sei lá. Já me vi cercada de gente se dando mal por causa disso [inclusive eu mesma], talvez por isso tenha, durante, muito tempo me preocupado tanto. Mas quer saber? Eu já disse que não sou Jesus Nazareno, então, problema de cada um. Podemos gritar por ajuda, mas a única pessoa capaz de nos ajudar realmente, somos nós mesmos, se assim acharmos necessário.
E também não vou ficar aqui manifestando minha visão de individualismo mais uma vez, Oscar Wilde já fez isso por mim e por quem quer que sinta empatia por seus pensamentos. Não quero que ninguém seja como eu, se é que sou alguma coisa. Nunca fui fã da banalização e diante disso, não gostaria de me auto-banalizar. Mas sou a favor da libertação das amarras impostas, sejam elas por educação, por valores impostos pela religião, pela família, pelas pessoas que você ama, admira e respeita e por tudo que sempre te rodeou. É difícil, eu bem sei. Dói, dói, dói, assim como dói quando a criança descobre que papai noel não existe. O vômito [tanto o figurativo quanto o físico] também é tão desagradável, mas depois o mal-estar passa, dando lugar ao bem-estar. Então não quero impor nada, mas o que seria melhor? Continuar com aquele maldito mal-estar? Ou enfiar o dedo goela abaixo, ter a sensação desagradável do vômito para no fim das contas sentir-se bem? Sou a favor da busca do auto-descobrimento e se isto é realmente possível, eu infelizmente, não posso responder. Mas posso tentar e vou morrer tentando ser “eu mesma”.


[continua...]


;*

quinta-feira, 15 de maio de 2008




"Bling [Confession of a king]" - The Killers.


When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
It's not so bad, it's not so bad
How do you know that you're right?

I awoke on the roadside,
In the land of the free ride,
And I can't pull it any longer,
The sun is beating down my neck

So I ran with the devil
Left a trail of excuses,
Like a stone on the water,
The elements decide my fate,
Watch it go..."bling".

When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
Don't tell me that it's over,
Stand up
Poor and tired,
But more than this

How do you know that you're right?
If you're not nervous anymore,
It's not so bad, it's not so bad

I feel my vision slipping in and out of focus,
But I'm pushing on for that horizon,
I'm pushing on,
Now I've got the blowing wind against my face


So you sling rocks at the rip tide,
Am I wrong or am I right?
I hit the bottom with a "huh!"
Quite strange,
I get my glory in the desert rain,
Watch it go..."bling".

When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
And I'll tell you when it's over,
Shut up poor and tired,
But more than this

How do you know that you're right?
If you're not nervous anymore,
It's not so bad, it's not so bad...

Higher and higher,
We're gonna take it,
Down to the wire,
We're gonna make it,
Out of the fire,
Higher and higher...
Higher and higher.

Higher and higher,
We're gonna take it,
Down to the wire,
We're gonna make it out,
Whoa-oh-oh
Higher and higher...

It ain't hard to hold,
When it shines like gold,
You'll remember me.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tinhaterapia.
[Para momentos pré-catatônicos, a fim de que eu não me esqueça.]


Prólogo.

Talvez isto nunca faça sentido algum para ninguém mais - afinal de contas, copiando aqui o que já foi escrito: “Cada dia mais eu acredito nas palavras de Caio, ‘o caminho é in, não off’.” Apesar de que, como também já foi transcrito aqui:

“Não há caminhos, nem destino
como metas a atingir
Só há o caminhar,
eternamente sem cessar.

[...]no conhecimento está a salvação.”

Hoje começo algo que pelo tamanho, vou ser obrigada a dividir em capítulos específicos. Ninguém precisa entender nada e até o capítulo final, talvez não faça absolutamente sentido algum. Caso alguém queira ler, e este alguém acompanhe este blog desde o seu início, já aviso que vou transcrever inúmeras coisas aqui que foram escritas ao longo deste ano, afinal de contas, foi através de todas as minhas supostas contradições, de todos os meus paradoxos que finalmente saí do meu lamaçal de incompreensão de absolutamente tudo, para não sei até quando, um efêmero - mas quem sabe talvez, eterno - insight de compreensão de mim, de tudo. Como vocês bem sabem, verdades absolutas não existem, mas estas são as minhas verdades e pra mim, estas bastam, espero que tal sensação não cesse jamais, apesar de vivermos em constante mutação.

A conversa a seguir deu-se após meu insight e é extremamente necessária e específica para que eu possa começar isso, seja o que for.

Thata: Voltamos a estaca zero. Acho que vou começar a ter crises como você. Lembra como você foi percebendo que o mundo era podre depois que te fuderam? E começou toda a merda?
Tinha: Sim, mas este é o único processo - infelizmente necessário para a evolução do ser humano. Agora estou bem e vejo que a ignorância é a verdadeira doença...a doença da falsa felicidade. Como andei lendo e concordando, já até escrevi em outras palavras*, algo como: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres”.
Thata: Simmm, e o que eu tenho que fazer?
Tinha: Não tem o que fazer, você tem que descobrir por si mesma. O poço é necessário, infelizmente. A “loucura” é o seu corpo gritando que está tudo errado, logo a loucura é sadia. Eu sou sadia.

*Mas, neste momento, eu não acredito que felicidade seja estar feliz, felicidade é ser feliz. A diferença é que para ser feliz, até o sofrimento é necessário. É preciso viver, tudo. Arrisco-me a dizer que uma pessoa que esteja feliz sempre, mente - e o faz desgraçadamente.”
Eu, na minha incapacidade de expressão, não consigo escrever o que eu realmente gostaria de passar, ainda bem que pra isso existem os outros e o bendito inconsciente coletivo, pois bem, corrijo-me: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres.” Era exatamente isso que eu queria dizer.


“Tinha: Não, eu não acredito nisso, talvez seja exatamente este o meu problema...pq eu não acredito nessa vida que as pessoas vivem, essa vida conformada, essa vida morna, eu quero mais, eu sou mais, eu vou ter mais, eu tenho que ter mais, eu tenho que ter uma realidade fantástica.”

...

O processo:

"Se vai tentar
Siga em frente
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.


[Bukowski]

Mas que raios...quando exatamente me meti nesta arapuca?"

Ainda bem que me meti nesta arapuca, a arapuca do descobrimento e da falta de ignorância. Cada segundo de desespero, de angústia, de ódio, de incompreensão, de busca, foi necessário. Processo necessário de libertação – uma dor, que nem psicanálise, nem barbitúricos resolveram. Recordo-me de há pouco tempo atrás ter duvidado da benção da liberdade e cheguei em algum momento a considerá-la como uma sina, algo ruim, eu sei lá. É realmente doloroso sermos “nós mesmos”, na medida em que isso é possível. Crescemos no meio da imoralidade da influência que Lord Wotton referia-se, mas não é impossível libertar-se dela, apesar de ser extremamente doloroso e difícil. Mas o “fim” recompensa.

[continua...]

;*

*** *** *** *** *** **** **** ****

Ps: O último post é exatamente o início do blog, funny.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Wilde e Morrissey estavam super certos, pois realmente é tão trágico conseguir quanto não conseguir. Absolutamente tudo aquilo que você idealiza é uma decepção, acontecendo ou não. Não que eu tenha conseguido ou não conseguido algo ultimamente hahaha, só tava pensando pra variar.


E é por isso que eu gosto do acaso.


Isso não é ser pessimista? Ou é? Ah esquece, I'm happy like this.



;*

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ela mesma...


Hoje fui devolver um livro na biblioteca e ela está um verdadeiro caos pois mudou de endereço, os livros estão todos no chão, desorganizados, as estantes ainda nem foram montadas. Já havia me oferecido para ajudar a organizá-la novamente [obviamente, para meu próprio benefício, já que toda vez que vou lá agora perco pelo menos uma hora até conseguir achar algo] e hoje reforcei o meu oferecimento, mas tenho que esperar eles montarem estantes para enfim, poder organizar os livros. Fiquei batendo papo com o cara que trabalha lá [nem sei o nome dele, mas sempre conversamos], ele sabe que quero prestar concurso pra diplomacia e tal, ele sonha em formar-se em direito também e hoje ficamos conversando sobre isto. Contei a ele que me decepcionei com a coisa toda, contei como tudo aconteceu e tal e aí cheguei em casa e deu muita vontade de ler a minha monografia. Recordo-me de já tê-la odiado, mas não é que hoje, sob meu novo paradigma de vida, senti até um certo orgulho dela hehe. Enfim, não vou ficar massacrando as pessoas que aqui gastam seu precioso tempo lendo um trabalho enorme, mas vou postar um trechinho....só um...




Até hoje, de tudo que foi escrito – das obras mais arcaicas às mais atuais – com algumas poucas exceções, a relação existente sempre foi entre o Direito, o Estado, a Sociedade, a Família e as Associações. Dificilmente ocorrem discussões filosóficas ou mesmo de teorias de ciência política que envolva o individualismo nesta relação; um homem, apenas, diante de todo o sistema que o envolve. Por sorte temos poucos e alguns deles estão presentes com suas citações neste trabalho. Temo que isso é culpa do próprio indivíduo, já que os indivíduos, por meio de um acordo recíproco decidiram viver em sociedade e instituir um governo, formando finalmente um Estado do qual não podemos mais fugir. Subordinou-se voluntariamente; E decorrente disto, ainda pior, os Estados subordinaram-se entre si, voluntariamente também, concedendo poderes por coação ou por conveniência a outros Estados completamente diferentes do seu próprio, com as finalidades mais mesquinhas e desprezíveis, que no final das contas nos leva sempre ao mesmo ponto: O PODER, A INFLUÊNCIA e principalmente O INTERESSE dos poucos que governam tragicamente sobre muitos. É vergonhoso.
Pois como se já não fosse o suficiente, ainda existe a quase completa corrupção do sistema judiciário; às vezes voluntariamente, às vezes coagidos sob ameaças ou talvez por falta de senso de humanidade, de caráter, enfim, os motivos não importam. O único motivo TALVEZ justificável seja a coação, mas ainda assim, não exime a culpa pois este poderia abdicar de seu cargo a fim de que não fosse corrompido através de uma coação. É claro que não podemos generalizar, ainda existem muitas pessoas que não têm seu preço; existem bons juízes, bons promotores, bons políticos, bons advogados (no sentido de honestidade, de justiça), mas trata-se de uma minoria.
Creio que a frase de Oscar Wilde citada em epígrafe, antes mesmo deste trabalho começar começa a ser compreendida...”A personalidade é coisa muito misteriosa. Não se pode medir um homem pelo que ele faz. Um homem pode seguir a lei e no entanto ser desprezível. Pode violar a lei, e no entanto ser justo. Pode ser mau, sem nunca ter feito nada de mau. Pode cometer um pecado contra a sociedade, e no entanto alcançar por meio desse pecado a verdadeira perfeição.” (Página 14). A mãe que rouba alimentos para alimentar seus filhos sem dúvida está violando uma lei, mas está sendo justa; qualquer pessoa que siga essas leis não escritas e reais sob as quais vivemos estaria sendo desprezível; Podemos trair a nossa sociedade, cometendo assim um “pecado” contra o Estado a partir do momento em que a questionamos e tudo de errado que ocorre nela e no entanto através de tal “traição”, gerar uma melhora ou quem sabe até a perfeição ou alguma coisa próxima disso. A lei, a política, o governo, o Estado, o poder não são donos da razão; do justo e do injusto. Só uma situação individualizada é capaz de se definir, através de seus atos em justa ou injusta.



Eu e o individualismo....né? Minha monografia não poderia tratar de outro assunto.


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sexta-feira, 18 de abril de 2008


A Morte dos Girassóis.

"...Pois não são. Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar enfrentando mil inimigos, formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir.
Mas leva tempo, ele também, se produzindo. Eu cuidava, cuidava, e nada. Viajei por quase um mês no verão, quando voltei, a casa tinha sido pintada, muro inclusive, e vários girassóis estavam quebrados. Fiquei uma fera. Gritei com o pintor: "Mas o senhor não sabe que as plantas sentem dor que nem a gente?" O homem ficou me olhando tão pálido quanto aquele vizinho. Não, ele não sabe, entendi. E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer.
Porque tem outra coisa: girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Então, como senão suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exaustoda própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto.
Alguns amarrei com cordões em estacas, mas havia um tão quebrado que nem dei muita atenção, parecia não valer a pena. Só apoiei-o numa espada-de-são-jorge com jeito, e entreguei a Deus. Pois no dia seguinte, lá estava ele todo meio empinado de novo, tortíssimo, mas dispensando oapoio da espada. Foi crescendo assim precário, feinho, fragilíssimo. Quando parecia quase bom, cráu! Veio uma chuva medonha e deitou-se por terra. Pela manhã estava todo enlameado, mas firme. Aí me veio a idéia: cortei-o com cuidado e coloquei-o aos pés do Buda chinês de mãos quebradas que herdei de Vicente Pereira. Estava tão mal que o talo pendia cheio dos ângulos das fraturas, a flor ficava assim meio de cabeça baixa e de costas para o Buda. Não havia como endireitá-lo.
Na manhã seguinte, juro, ele havia feito um giro completo sobre o próprio eixo e estava com a corola toda aberta, iluminada, voltada exatamente para o sorriso do Buda. Os dois pareciam sorrir um para ooutro. Um com o talo torto, outro com as mãos quebradas. Durou pouco, girassol dura pouco, uns três dias. Então peguei e joguei-o pétala por pétala, depois o talo e a corola entre as alamandas da sacada, para que caíssem no canteiro lá embaixo e voltassem a ser pó, húmus misturado à terra, depois não sei ao certo, voltasse à tona fazendo parte de uma rosa, palma-de-santarrita, lírio ou azaléia, vai saber que tramas armamas raízes lá embaixo no escuro, em segredo.
Ah, pede-se não enviar flores. Pois como eu ia dizendo, depois que comecei a cuidar do jardim aprendi tanta coisa, uma delas é que não se deve decretar a morte de um girassol antes do tempo, compreendeu? Algumas pessoas acho que nunca. Mas não é para essas que escrevo."

[Caio Fernando Abreu – crônica ‘it means real’, publicada na revista Zero Hora, em 18 de março de 1995.]

* Como alguns bem sabem, Girassol é minha flor predileta. Já ouvi absurdos tipo: “-É a flor mais brega do universo, é o símbolo da breguisse!”, olha, nem sei se dei-me ao trabalho de responder. Caso tenham saco, procurem em meus arquivos, devem ter uns dois ou três posts sobre os amados girassóis. E tem um post também que mostro minha indignação por um camarada que considerava as metáforas miseráveis. Eu mereço?


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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Alguém já teve uma segunda-feira fantástica?

Eu tive. Essa última. E única em toda a minha vida. Minha amiga Íris tinha vindo visitar-me em Águas, umas semanas antes, fomos até um rock em Itapira e levamos uma multa – eu estava dirigindo. Minha carta estava vencida e os pontos da carta dela, estourados. Fui obrigada a ir renovar o meu CNH. Bom, a intenção era acordar às 06:00 horas da manhã, mas estava uma chuva desgraçada e eu odeio andar de guarda-chuva. Queria chegar no Poupa-tempo assim que abrisse, a fim de não pegar muita fila, mas por causa da chuva resolvi que iria mais tarde e dormi mais um pouquinho =D. Enfim, levantei umas dez horas, tomei meu breakfast [diga-se coffee + cigaret lol], vi meu recadinhos do orkut, e-mail e tal, tomei banho e fui. No ponto de ônibus chega um cara e pergunta: “- O Paraíso já passou?” – Eu respondi que sim, fazia uns cinco minutos. Nesse meio tempo chegou outra senhora no ponto de ônibus e começou a perguntar como fazia, que ônibus deveria pegar para chegar ao destino dela, que ela estava desempregada, era antes doméstica, mas estava com um problema de tendinite grave, fazendo tratamento e tal e ela havia sido demitida. Comecei a aconselhá-la a procurar a justiça do trabalho [a única que funciona A FAVOR DO EMPREGADO - não que seja justa] e então o camarada que estava também no ponto esperando o Paraíso entrou na conversa e também passou a aconselhá-la. Perguntei se ele fazia ou se havia se formado em direito, ele respondeu que não, que era economista. Eu disse que tinha me formado em direito e tal, ele perguntou o que eu fazia, eu disse que estava estudando pro concurso da Diplomacia, aí ele perguntou: “-Você conhece o cursinho Clio?” – Respondi que sim, que era exatamente este curso que eu iria começar a fazer em julho. Sabe o que ele respondeu? “Sou professor de economia neste curso, me dê o seu contato”....sem mais delongas, pois posso tornar-me o ser mais cético do universo, mas continuo acreditando em olho gordo. Acaso, coisas do destino, fé, serendipidade, whatever. Fazia MUITO tempo que uma coisa dessas não acontecia na minha vida, essas coisinhas curiosas sabe? Adoro. Já fez meu dia.
Aí lá foi a Tatiana no Poupa-tempo, faltando 156448674897 documentos para conseguir renovar o CNH, mas não é que consegui? HAHAHAAHA =D
Tive que esperar três horas até poder retirar a carta, então fui até a liberdade, comi no japonês =D e visitei trocentos sebos que existem ali nos arredores.
Tive um ataque consumista, mas fiz boas compras. Pó, 10 filmes por 10 reais???? Fiz a festa! =D Woody Allen agora aqui é coisa em exagero [pena que não encontrei Manhattan =/], Closer, Singles cara! [quero esse filme há séculos!], Before Sunset [pq o sunrise eu já tinha], dentre outros que iria ficar até amanhã citando.
Livros: Tenho uma reclamação. Os Sebos do mundo têm algum preconceito com Caio Fernando Abreu e Marquês de Sade, gente! Não existe. Consegui um “livro” do Cainho, parece meio que uma seleção de contos, super fininho e contos não só dele, mas de vários escritores. Mas enfim, pelo menos achei UM do Cainho né? =D.
Comprei meu Dorian Gray =D [Eu já tive uns 15 Dorians, posso dizer que é meu livro preferido e por este motivo vivo dando os MEUS de presente para os outros, mas parei, este não dou, não vendo e não troco!]
Adorei tanto o “Cuca Fundida” do Woody Allen, que também achei e comprei =D
Comprei “Contraponto” do Huxley, sem sombra de dúvida um dos meus livros preferidos. =D
Por indicação da escritora [muitos andam me indicando], deparei-me com um livro de Anaïs Nin – “Delta de Vênus – Erótica". HAHAHAAHHAHA. Ainda não comecei a ler, porque estou lendo, pela terceira vez minha outra compra...”Dom Quixote” e olha não é pra copiar “Paris Je T’aime”, mas esse livro realmente é um dos livros que me fazem dar MUITA risada. Adoro né, essas anotaçõezinhas que as pessoas fazem nos livros que compramos ou pegamos em bibliotecas. Neste, o camarada escreveu um trecho fantástico do capítulo XIX, entre o diálogo com o bacharel: “E é o meu ofício andar pelo mundo endireitando tortos e desfazendo agravos.” [I’m gonna cry!]
Aí comprei um outro livro que me chamou a atenção, é de um escritor brasileiro chamado “Guilherme Figueiredo”, que eu na minha santa ignorância nunca tinha ouvido falar, mas parece que o camarada é foda. O livro me chamou a atenção pois dei uma folheada e conta a passagem dele por Paris, na época em que morou lá e abri em uma página que descrevia a arte, o Louvre. Me encantei e comprei [Afinal, sou só um pouquinho aficionada por Paris! Há!].
Pra finalizar, deparei-me na prateleira de Filosofia HAHAHAHAHA com um livro chamado “O iconoclasta – ensaios e aforismos” de Joe River, de quem também nunca ouvi falar. Mas este eu dei uma boa folheada e parece-me FODA. Abri na página 47 ao acaso e assim estava escrito:

O CAMINHAR

“Não há caminhos, nem destino
como metas a atingir.
Só há o caminhar,
eternamente sem cessar.

O acreditar, seja lá no que for,
implica em superstição.
O descrer é a contradição,
no conhecimento está a salvação.”

[Comprei este livro pois assim que deparei-me com o título, lembrei-me de meu amigo iconoclasta Luiz Martinho dos Anjos e comprei na intenção de presenteá-lo – estou sempre presenteando-o, enquanto ele é o maior amigo tratante ever made do universo. Mas tudo bem, tenho compulsão em presentear as pessoas. E apesar disso, gosto dele =P. Mas o livro parece-me tão interessante, não sei não se vou dar-lhe.]

Ps: Saulo, my dear, li seu post, mas ainda não tive tempo de comentá-lo, mas IREI, em breve hahahaaha =D

Desde então estou num bom humor insuportável.


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terça-feira, 8 de abril de 2008


"Ele sorriu pra mim e perguntou:
-Vc vai pra Liberdade?
-Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou ao meu lado e disse:
-Então eu vou com você."
[Caio F. - "Onde andará Dulce Veiga?"]
*Vou ser OBRIGADA a fazer um pôster dessa foto e pendurar na parede do meu quarto.

sábado, 5 de abril de 2008


Eu já escrevi sobre Jesus Nazareno mil vezes né? Mas quero escrever again and again. Sabem a razão pela qual eu acho este homem o máximo? Sabe aquela frase famosa do Sartre da “Idade da Razão”: “Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer”? Pois é, Jesus era macho, ele achou uma razão pela qual estaria disposto a morrer e não só a morrer, mas passar por todo tipo de sofrimento. Realmente as razões dele não me importam, o que importa foi que ele encontrou. E viveu e lutou por isso. Vocês sabem [é lógico que sabem] que mudamos de idéia [ou ideais, como preferirem] a todo momento. É difícil manter-se fiel a uma série de coisas. O cara definitivamente conseguiu. É isso que eu tanto admiro. O cara era tão individualista [e não me venham com argumentos tipo “ele era filantropo e altruísta” pois isso fazia parte inteiramente da individualidade dele.] Existiram outros personagens fantásticos ao longo da história com muita personalidade e não vou ficar aqui citando-os, vocês sabem quem são e por mais notórios que sejam, jamais tiveram um centésimo da notoriedade de Jesus Cristo. Não é a toa. Não houve na história, um homem mais individualista e com mais personalidade do que ele. Ele foi o primeiro e TEMO que o último. Quando a deus, so sorry. Não é porque admiro Jesus que vou admirar deus. Tudo bem que ele [supondo que exista] construiu um mundo belo, uma natureza extraordinária, mas se fosse tão inteligente assim, teria feito o homem melhor. Nada contra a liberdade, nem contra o livre-arbítrio, muito pelo contrário. Mas ele devia ter feito o serviço mais bem feito. Acho eu, que ainda creio na existência dele, de uma forma que não sei explicar. Não como um cara, talvez como uma força criadora, eu sei lá. Mas muitas vezes brigo e falo mal, blasfemo pois tenho a nítida sensação de que ele, caso exista, seja muito autoritário, ruim, quem sabe? Ou se pá, blasé. Não rezo mais. Não sei a razão pela qual fiz isso um dia. Desespero, só pode ser. Se estou desesperada, eu assumo, durmo agarrada com a imagem de Jesus Cristo e converso com ele, para que me torne um pouco parecida com ele, no sentido de ter uma direção e segui-la, incondicionalmente. Não sei se ele pode me ajudar, mas isso me conforta. Continuo abominando todas as religiões do planeta e quase todo o legado que elas me obrigaram a incorporar por via de todas as pessoas que me rodeiam. Lord Henry Wotton já dizia “Toda influência é imoral”. Ele tinha toda razão.

Eu só queria ser menos confusa.

Bom final de semana.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Quando volto a pensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo - tão banal e sedento - a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.



As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.



Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.



Nada, nada disso existe.



Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim..."







Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.



[Fonte: Vide postagem de 28/08/2007, obviamente Cainho.]


E quando diz-se "Dorme, só existe o sonho" mas nem overdose de calmante resolve? Tem vezes que eu acho que eu nunca vou ficar satisfeita com absolutamente nada.]



=(

quinta-feira, 3 de abril de 2008



Para quem não está muito bem humorado...


Querem saber como comecei a desenvolver minha filosofia? Foi assim: minha mulher, ao convidar-me para provar o primeiro suflê de sua vida, deixou cair acidentalmente uma fatia dele no meu pé, fraturando-me com isso diversos artelhos. Médicos foram chamados, raios X tirados e, depois de examinado do tornozelo aos pés, mandaram-me ficar de cama durante um mês. Durante a convalescença dediquei-me ao estudo dos maiores pensadores ocidentais – uma pilha de livros que eu havia reservado justamente para uma oportunidade dessas. Desprezando a ordem cronológica comecei por Kierkegaard e Sartre e depois passei rapodamente para Spinoza, Hume, Kafka e Camus. Não me entediei nem um pouco, como supunha. Ao contrário, fiquei fascinado pela lepidez com que esses gênios demoliam a moral, a arte, a ética, a vida e a morte. Lembro-me de minha reação a uma observação (como sempre, luminosa) de Kierkegaard: “Toda relação que se relaciona consigo mesma (ou seja, consigo mesma) deve ter sido constituída por si mesma ou então por outra”. O conceito trouxe lágrimas aos meus olhos. Puxa vida! Pensei, isso é que é ser profundo! (Eu, por exemplo, sempre tive dificuldades na escola com aquele clássico tema de composição “Meu dia no zoológico”). É verdade que a frase continuava incompreensível pra mim, mas que importa isso, desde que Kierkegaard estivesse se divertindo?

[Continua...]

[É um trecho da crônica de Woody Allen called “Minha Filosofia”, é do livro que citei antes “Cuca Fundida”, que nada mais é do que uma junção extraordinária de várias crônicas escritas por ele na revista “New Yorker”, uma daquelas revistas bem, digamos, “cool” hahahaha.]
Inté hahaha =D.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Foi para nós...os supostos filhos.



Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...


Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...


Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...


E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...


E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...


Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...


Digam o gosto pra mim...



[Talvez os bisnetos possam dizer o gosto pra ti ou fazer-lhe uma festa, por enquanto continua a mesma merda. Desde os primórdios sempre foi assim, não podemos dizer que houve uma época em que as coisas foram diferentes. Nem os Beats, nem os Power-Flowers, nem Alexandre - o Grande, nem. O que acontece é que imaginamos que poderia ter sido diferente, mas a realidade sempre foi alimentada por lixo, enquanto algumas mentes eram alimentadas com flores - como diria Cainho. A minha costumava alimentar-se com flores, agora não sei mais do que ela se alimenta, mas de certo deve ser com algo parecido com jiló =/]



Resta sobreviver...quer coisa mais ordinária?

Alguém, por favor, me faça acreditar que "Dreams come true" de novo? Me façam acreditar em "Happy ends", em vidas cinematográficas...

Prefiro, sem pensar duas vezes, viver no meu mundinho ilusionário do que ter que conviver com tamanha crueldade e vazio de nossa geração X. Talvez a pior de todas as gerações...a geração que não tem ideais, nem sonhos, nem nada...a geração VAZIA.



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