domingo, 27 de janeiro de 2008


Posso entrar no filme?

E de quebra ainda tem na trilha sonora "Ceremony" do New Order.

Quem falar que é ruim, morre.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A injustiça e o ódio não estão mais aqui. Da loucura faço questão. A dor e o nó persistem, ainda pergunto-me: Por quê? Um grito preso. Acho que é a minha solidão...não sei se foi Clarice ou Cecília Meireles que escreveu que a solidão era bonita, mas a natural; a forçada era feia e mesquinha. Pergunto-me até que ponto a minha é natural ou forçada. Eu tento, but sometimes me perco no vácuo. Indagam onde eu estou, então sorrio, amenizo - culpo-me - eles não merecem: sempre longe, distante. Percebo que toda vez que fica leve, procuro o peso. Acho que era isso que Kundera queria passar com a "Insustentável leveza do ser".

Eu gosto daqui, do que vejo, das pessoas, do barulho: o cenário influencia mesmo a gente. A confusão combina comigo. Tem a nostalgia também, muitas boas lembranças.


Não digo mais au revoir, eu sempre volto.



=*

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Até o último instante eu, de alguma forma febril, achei que fosse possível. De uma forma terrivelmente inocente, pra não dizer idiota, eu achei que fosse possível. Não sei por que tive tamanha pretensão, eu não tinha motivos para. Pergunto-me até que ponto nossas experiências são válidas, se eu, depois de ter passado por tantas coisas, continuo, como posso dizer? Encolhida...pequena diante disso. Talvez eu, todos nós, eu não sei, precisamos das pequenas poções de ilusões – lidar com a realidade da vida é sempre cruel, porém, necessário.
Não tenho mais vontade de escrever nada, eu não quero mais saber quem eu sou, quero se possível esquecer-me. Esquecer da loucura, da dor, do nó na garganta, do ódio, da incompreensão, da injustiça, eu sei lá, dessa podridão toda que me rodeia. Eu não sei quando começou, foi tudo tão diferente um dia.
Encerrando as atividades por aqui, até quem sabe...
Eu não sei. Hoje começo uma nova vida, espero que seja melhor, mais doce, afinal de contas, Pandora, com todas as desgraças do mundo, lançou-nos também a esperança.



O dia que Júpiter encontrou Saturno.

"- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor seu rosto e não conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Mesmo quando não estiverem mais juntos.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe e devora.
- Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
- Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

silêncio.

- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre."

[Morangos Mofados, Caio F.]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008



Estou tão absorvida pela vida nerd de estudos que não consigo mais desligar e então não durmo. E insônia é motivo mais do que suficiente para assistir Der Himmel über Berlin pela 464864694 vez [e antes que alguém diga que é uma indireta ou sei lá eu, digo que não tenho culpa de ter amado tanto o filme].


..."O trapézio é o simulacro do vôo. Pela condição humana, presa ao mundo sensível, à gravidade e ao espectro visível, portanto sem expressão clara de nenhuma outra possibilidade existencial (como o Anjo, do qual pode apenas vagamente sentir a presença e discurso), ainda assim ela intui o vôo, tentando emular algo que não pode perceber. Ela enxerga Damiel sem ter olhos para tanto. Ele, que pode vê-la sem ser visto, oculto pela esfera de cristal de sua essência, tem um ponto de vista privilegiado. É vendo ela tentar ser Anjo, sem sequer abstrair claramente o que seria um, que Damiel se apaixona. E, tocado pela sua ascensão cega, desce.

Esse maldito, maldito filme, vai nos ferir até o fim de nossas incensas existências."


MALDITO mesmo, no mínimo.



When the child was a child
It walked with its arms swinging,
wanted the brook to be a river,
the river to be a torrent,
and this puddle to be the sea.

When the child was a child,
it didn’t know that it was a child,
everything was soulful,
and all souls were one.
When the child was a child,
it had no opinion about anything,
had no habits, it often sat cross-legged,
took off running,
had a cowlick in its hair,
and made no faces when photographed.

When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?

When the child was a child,
It choked on spinach, on peas, on rice pudding,
and on steamed cauliflower,
and eats all of those now, and not just because it has to.

When the child was a child,
it awoke once in a strange bed,
and now does so again and again.
Many people, then, seemed beautiful,
and now only a few do, by sheer luck.
It had visualized a clear image of Paradise,
and now can at most guess,
could not conceive of nothingness,
and shudders today at the thought.

When the child was a child,
It played with enthusiasm,
and, now, has just as much excitement as then,
but only when it concerns its work.

When the child was a child,
It was enough for it to eat an apple, … bread,
And so it is even now.
When the child was a child,
Berries filled its hand as only berries do,
and do even now,
Fresh walnuts made its tongue raw,
and do even now,
it had, on every mountaintop,
the longing for a higher mountain yet,
and in every city,
the longing for an even greater city,
and that is still so,
It reached for cherries in topmost branches of trees
with an elation it still has today,
has a shyness in front of strangers,
and has that even now.
It awaited the first snow,
And waits that way even now.

When the child was a child,
It threw a stick like a lance against a tree,
And it quivers there still today.


[Mas já dormi e já acordei e não vejo anjos, então vou voltar a estudar o Constitucionalismo português e a independência do Brasil e tentar guardar bem os Direitos Humanos.]

domingo, 6 de janeiro de 2008

As postagens anterioes me causam uma repulsa qualquer, já que meu espírito natalino sofredor e compassivo esvaiu-se. Já não vejo graça na discussão de nossa geração sem nome, vazia e fracassada. Já não vejo graça neste vômito sentimentalóide todo, já não vejo graça em debates teológicos, muito menos em críticas políticas, agora eu sou é blasé.

Se joga no Chadornay.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

...não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa.

Eu tava seca, eu tava no inferno. Vazia e desgraçada. Eu pedi uma chance e-você-me-deu-e-eu-agradeço, foi uma chance, foi sim, foi uma tentativa, foi lindo. Eu disse pra você que muitas vezes as chances funcionam melhor que os castigos. Acho que você me escutou.
Sinto que ainda posso. Posso apagar as coisas talvez. Escrever novas estórias. Eu já não achava que podia, mas posso. Posso re-começar.
Plus: Só um ps, mais uma coisa linda, não que eu vá esquecer, mas eu quero registrar. No último dia do ano fui acordada por um amigo. Ele veio me trazer um presente que outro amigo mandou pra mim. Era a segunda edição de "Morangos Mofados" do Caio que ele roubou da biblioteca da república em que mora. Edição de 1982. Com ar retrô e tudo mais. Da época em que na capa os morangos "brotavam" das latas de lixo. Eu queria a primeira edição autografada de "Os Dragões Não Conhecem o Paraíso", mas ganhei a segunda edição rabiscada por Terezinha da Costa Lima [que fez questão de escrever seu nome dez vezes] de "Morangos Mofados". Quando eu pedi uma chance, talvez lá no fundo eu estivesse pedindo aquela coisa que parecia com a primeira e ganhei outra, nem melhor, nem pior, eu sei lá, igualzinha a segunda. Meio como no livro, que começa com "Os Sobreviventes" e termina com "Morangos Mofados." Começa com o desejo da fé e termina com a sensação de tê-la novamente.


O gosto de morangos mofados tinha desaparecido...será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim.
 
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