Apesar dos dois filmes possuírem muito em comum; o segundo sem sombra de dúvida teve sua base fincada no primeiro, são diferentes.
A pessoa que me presenteou com “Der Himmel über Berlin”, ou no português, “Asas do Desejo” tem receio de assistir “City of Angels”, ou “Cidade dos Anjos”, como preferir.
Considero ambos fantásticos e poesia. Poesias diferentes, com certeza.
“Asas do Desejo” vai mais fundo, é um “retrato” do pós-modernismo, meio documentário, meio filme-ficção, é documentário por falar sobre Berlim, pelo que envolveu Berlim no pós-guerra. Vai mais fundo no “ser”, nos pensamentos humanos, na abordagem humana, na aflição, na melancolia; Personagens fantásticos coadjuvantes, como o velhinho escritor, o suicida, a trapezista, enfim, o ritmo desacelerado, as cenas em preto e branco, que subitamente, tornam-se coloridas, pura poesia, obra de arte.
“Cidade dos Anjos” dá um enfoque maior ao romance, ao amor. Apesar deste também ser dado no primeiro, eu não acredito que seja o principal enfoque; não interpreto que o anjo de “Asas do Desejo” tenha se tornado homem pela mulher como aconteceu em “Cidade dos Anjos”. Acredito que além disso, seu desejo maior era ser humano, sentir, não a mulher, sim, também a mulher, mas tudo, tudo que compreendia a vida e os sentimentos humanos em suas mais variadas formas.
Mas eu não sou crítica de cinema.
O que eu quero dizer com esses dois filmes é o que de comum eles têm; a beleza que os anjos enxergam em tudo que compreende a vida, já que não a possuem e a partir do momento que vivem, sabem viver melhor do que qualquer um de nós. E olha que eles conheciam bem as aflições dos homens, apesar de não poderem senti-las, já que liam os pensamentos. Porém imaginavam, e diante disso tinham uma vontade doentia de viver tudo aquilo. E viveram da melhor forma possível.
Diante disso, acho lamentável – nós, humanos. O dia que aprendermos a valorizar o “sabor de uma pêra”, um “corte” que seja, o dia que soubermos o valor de um mergulho no mar, de um banho quente demorado, da contemplação do pôr do sol e da contemplação em geral, seremos menos patéticos.
Hoje me sinto como um anjo que acabou de cair na terra, mas sei que assim como todos nós, já me senti aflitiva, vazia, melancólica, tediosa e tudo mais. Sei lá, é tudo tão contemplativo, único, quase explodo.
É qualquer coisa como a resposta de Seth, quando seu amigo anjo lhe pergunta após a morte de Maggie, se ele tinha se arrependido de ter virado humano e então ele responde:
-“I would rather have had one breath of her hair, one kiss from her mouth, one touch of her hand, than eternity without it. One.”
E então come pêras, sai correndo na praia e se joga no mar, contemplando a sensação do mergulho; contemplando toda a vida que lhe resta, tudo que viveu e que ainda viverá, com o sorriso mais verdadeiro do mundo: O sorriso de quem conheceu a dor, mas que por ela fazer parte da vida, tão perfeita, a ama. O sorriso de sentir, um sorriso de vida; um sorriso IMPAGÁVEL.
A pessoa que me presenteou com “Der Himmel über Berlin”, ou no português, “Asas do Desejo” tem receio de assistir “City of Angels”, ou “Cidade dos Anjos”, como preferir.
Considero ambos fantásticos e poesia. Poesias diferentes, com certeza.
“Asas do Desejo” vai mais fundo, é um “retrato” do pós-modernismo, meio documentário, meio filme-ficção, é documentário por falar sobre Berlim, pelo que envolveu Berlim no pós-guerra. Vai mais fundo no “ser”, nos pensamentos humanos, na abordagem humana, na aflição, na melancolia; Personagens fantásticos coadjuvantes, como o velhinho escritor, o suicida, a trapezista, enfim, o ritmo desacelerado, as cenas em preto e branco, que subitamente, tornam-se coloridas, pura poesia, obra de arte.
“Cidade dos Anjos” dá um enfoque maior ao romance, ao amor. Apesar deste também ser dado no primeiro, eu não acredito que seja o principal enfoque; não interpreto que o anjo de “Asas do Desejo” tenha se tornado homem pela mulher como aconteceu em “Cidade dos Anjos”. Acredito que além disso, seu desejo maior era ser humano, sentir, não a mulher, sim, também a mulher, mas tudo, tudo que compreendia a vida e os sentimentos humanos em suas mais variadas formas.
Mas eu não sou crítica de cinema.
O que eu quero dizer com esses dois filmes é o que de comum eles têm; a beleza que os anjos enxergam em tudo que compreende a vida, já que não a possuem e a partir do momento que vivem, sabem viver melhor do que qualquer um de nós. E olha que eles conheciam bem as aflições dos homens, apesar de não poderem senti-las, já que liam os pensamentos. Porém imaginavam, e diante disso tinham uma vontade doentia de viver tudo aquilo. E viveram da melhor forma possível.
Diante disso, acho lamentável – nós, humanos. O dia que aprendermos a valorizar o “sabor de uma pêra”, um “corte” que seja, o dia que soubermos o valor de um mergulho no mar, de um banho quente demorado, da contemplação do pôr do sol e da contemplação em geral, seremos menos patéticos.
Hoje me sinto como um anjo que acabou de cair na terra, mas sei que assim como todos nós, já me senti aflitiva, vazia, melancólica, tediosa e tudo mais. Sei lá, é tudo tão contemplativo, único, quase explodo.
É qualquer coisa como a resposta de Seth, quando seu amigo anjo lhe pergunta após a morte de Maggie, se ele tinha se arrependido de ter virado humano e então ele responde:
-“I would rather have had one breath of her hair, one kiss from her mouth, one touch of her hand, than eternity without it. One.”
E então come pêras, sai correndo na praia e se joga no mar, contemplando a sensação do mergulho; contemplando toda a vida que lhe resta, tudo que viveu e que ainda viverá, com o sorriso mais verdadeiro do mundo: O sorriso de quem conheceu a dor, mas que por ela fazer parte da vida, tão perfeita, a ama. O sorriso de sentir, um sorriso de vida; um sorriso IMPAGÁVEL.
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