sexta-feira, 8 de agosto de 2008

NOVO BLOG:

http://everythingllbealright.blogspot.com/

Au revoir.

terça-feira, 29 de julho de 2008

"Into the Wild" - Na natureza selvagem.

Assistam, just it. Estou em SP com uns 40 filmes em maos e nao paro de assisti-los. [O teclado do note da Thais eh um lixo e nao tem acentuacao nem cedilha]. De todos que ja assisti, iclusive o "Factotum" - adaptacao do romance do Buk [mais do que fantastico - me surpreendeu brutalmente a atuacao do Matt Dillon pq ERA a personificacao do Bukowski - Chinaski - whatever hahaha, assim como o que interpretou o Cazuza, a que interpretou a Piaf. Incrivel, serio.] "Into the Wilde" foi um daqueles que mudam o rumo da tua vida. Eu ja ando ultimamente por um processo intenso de libertacao, que comecou com meu atual terapeuta. Foi o unico, de todos que eu ja fui que entendeu a minha necessidade de libertacao de muitas coisas - e me encorajou a faze-las, ao contrario de muitos freudianos, psicanalistas conservadores. Depois veio a leitura anarquista do Roberto Freire que completou a transicao. Finalmente, posso dizer que de um instante para o outro, cresci, amadureci, me libertei eu sei la. Eu tenho a minha propria vida, sem interferecias, sem chantagens, sem ajuda a nao ser a minha propria. Estou forte. Potencial criativo liberaderrimo. Em todos os ambitos possiveis.
Enfim, esse filme foi a materializacao de tudo isso. Nao eh so por ser um "road movie", nao eh pq foi o Sean Penn, amigo intimo de Buk que dirigiu, nao eh por causa da trilha sonora do Eddie Vedder mais do que desesperadora. Eh por ser uma historia real de um cara foda, que largou toda a mentira em busca de si mesmo. Um cara que abdicou de toda grana, posse, familia, sexo, tudo, pra viver como andarilho por ai e terminar no Alaska, vivendo no meio da natureza selvagem, como parte dela.
Ah eu sei lah, nem sei o que escrever sobre esse filme.
So sei que eh preciso assistir.

;*

segunda-feira, 21 de julho de 2008

MARIA DO MEDO DE AMAR ÀS PORTAS DA VIDA.


- Meu nome é Maria. Não sei como se faz psicoterapia.
- Diga o que está sentindo agora.
- Meu único problema, doutor, é o medo.
- Nós só temos um problema real: o medo.
- Eu tenho medo de amar.
- As outras formas de medo são mecanismos de defesa e sobrevivência animal. A pessoa humana tem um medo especial e original: o de amar.
- E amar é a única coisa que me interessa.
- É o amor e não a vida o oposto da morte. Precisamos distinguir entre estar vivo e morrer.
- Claro, não estou viva porque tenho medo de amar.
- Você não está morta porque o amor é a única coisa que realmente lhe interessa.
- Precisamente por isso decidi fazer psicoterapia.
- Precisamente por isso, estou certo hoje, decidi ser psicoterapeuta.
- Então os psicoterapeutas entendem de amor?
- Não. Os psicoterapeutas entendem deamor tanto quanto qualquer pessoa. Eu tenho medo de amar como você.
- Como pretende me ajudar?
- Tenho muitos mais anos de medo do amor do que você. Acho que aprendi alguma coisa enfrentando esse medo.
- E já amou?
- Muito.
- Como?
- Como estou tentando e temendo amar você agora.
- Eu não vim aqui para amá-lo e ser amada pelo senhor.
- Então perde o seu tempo aqui. Quando você chegou, a primeira coisa que fiz foi perguntar-me se queria e podia amar você. Logo senti que sim. Então comecei a sentir medo. E isso provava que já estava amando.
- Estou começando a sentir medo do senhor.
- Como é esse medo?
- É difícil explicar.
- Não se explique. Descreva apenas o que está sentindo. Esqueça a palavra medo e descreva as sensações e emoções que sente agora.
- Como o senhor falou que me ama de certa forma eu me sinto vulnerável, em risco. Como se tivesse que me defender do senhor. Como se de repente fosse me atacar. Sabe, estou quase chorando.
- E suas mãos estão tremendo.
- O coração bate forte. A cabeça está tonta. Tenho o corpo todo contraído. Quero ir-me embora daqui.
- Fugir de medo. Por que não vai?
- Não consigo me mover!
- Por que então não chora?
- Não quero, não quero!
- Agora você está de olhos fechados e abraçou os peitos com os braços.
- Pare de falar, por favor!
- Eu gosto!
- Isso. Deixe o choro vir todo. Assim, relaxando o corpo. Grite, se quiser. Mais alto, mais alto!
- Eu quero... eu ... eu gosto... eu...eu quero... quero... quero... Eu gosto do senhor... eu quero gostar de você.
- Você não está tremendo mais.
- O que foi que aconteceu?
- Você chorou o que tinha pra chorar. Está se sentindo melhor agora?
- Não sei, não consigo olhar para o senhor.
- Você tem o rosto tranqüilo. Ainda sente medo?
- Não, sinto vergonha.
- Entendo. Você agora me parece uma pessoa mais agradável de se ver. Talvez tenha vergonha disso.
- Chorar é uma coisa feia.
- Conter o choro é que nos torna feios. Chorar é uma função biológica. Precisa ser satisfeita. Uma pessoa esfomeada é uma coisa muito feia de se ver.
- Queria poder olhar de frente para o senhor.
- Eu estou me sentindo muito bem, depois que você chorou. Eu também estou aliviado e com muito menos medo de gostar de você.
- Por quê? Só por que chorei?
- Não é pouco o que você fez. Eu sei como é difícil poder chorar e rir sem medo, sem vergonha.
- E o que acontece quando se perde o medo e a vergonha de chorar e de rir?
- Talvez no fim do choro e do riso todo da gente esteja o começo da nossa capacidade de amar.
- Acho bonito isso que o senhor disse e estou com vontade de olhá-lo de frente. Mas, me responda uma coisa: o senhor chora na frente dos outros?
- Sabe, eu chorei agora, quando disse que no fim do riso e do choro todo da gente talvez esteja o começo da nossa capacidade de amar.
- O senhor não usava óculos?
- Sim. Tirei-os para que você pudesse ver melhor meus olhos.
- Parece que estou vendo agora o senhor pela primeira vez. Parece uma pessoa completamente diferente.
- De certa forma isso é verdade. Perdi, agora, com você, mais um pouco do meu medo de amar.
- Mas como é o seu amor?
- Com cada pessoa ele é diferente. Só a energia é a mesma. Acho que não existe um amor genérico. Posso lhe dizer como é agora o meu amor por você.
- Acho que vou sentir vergonha e medo de novo.
- Porque, certamente, você confunde o sentimento com a posse. Talvez você sinta que devemos possuir as coisas e as pessoas que amamos.
- Sim, é isso. E como, então, podemos satisfazer nosso amor?
- Só existe uma forma de amor que implica na posse provisória dos corpos das pessoas: quando o amor pede sexo para se completar. E, assim mesmo, não chega a ser posse a relação sexual. Depois do orgasmo, os corpos necessitam estar separados um do outro. Eu sinto que é sempre mais prazeroso e mais bonito o amor em mim quando me sinto menos possuidor das pessoas que amo e quando essas pessoas se sentem menos possuídas por mim. No sexo e nas outras formas de amor também.
- Mas o sexo é importante.
- Para quem está insatisfeito sexualmente. Você, agora, tem vontade de chorar?
- Não. E não sinto medo nem vergonha. Pode dizer como é o seu amor por mim.
- Eu não sinto atração sexual por você. Eu não sinto pena de você. Eu me senti e ainda estou me sentindo muito bem ao seu lado. E quero conhecer o que está do outro lado da porta...
- Da porta?
- Do seu medo de amar. Parece-me que o seu medo é o de possuir e o de ser possuída. Enfim, alguma coisa muito forte dentro de você impedindo que possa tomar alguém objeto ou ser objeto de alguém. E, sabe, eu acho isso muito bom, uma coisa muito saudável. Talvez a intuição da existência disso em você é que me tenha levado a sentir logo que gostava de você.
- E o que seria essa coisa?
- Você vai descobrir. Eu sei como ela é em mim. Veja: vivendo numa sociedade regulada pela posse – das coisas e das pessoas que se transformam em bens de consumo e de status, que se transformam em instrumentos de poder – os que não se conformam em possuir e em serem possuídos só podem mesmo viver amedrontados e envergonhados. Se for assim com você também, garanto que não será fácil resolver seu problema só com psicoterapia.
- Mas tem solução?
- Amar livremente o nosso amor não-apropriador de pessoas e coisas é uma forma muito perigosa de viver.
- E quem temer esse perigo?
- Será apropriado por alguém ou por instituições que esses alguéns controlam. E não vive, quer dizer, entrega sua energia vital para eles.
- E como funcionam essas apropriações?
- Quando nos inoculam, desde cedo e permanentemente, o medo e a vergonha de sermos nós mesmos, de vivermos ampla e livremente o nosso amor não-apropriativo.
-Sabe, doutor, eu sou casada e tenho dois filhos. Estou sentindo uma coisa muito forte e muito bonita agora. Estou sentindo muito amor pelo meu filho mais velho. Ele nos tem criado muitos problemas. Saiu de casa, largou os estudos. Sabe o que estou sentindo, doutor? Ele se parece muito com a gente.
- A gente?
- Sim. Comigo e com o senhor.

[Roberto Freire – Texto publicado no jornal Aqui São Paulo em 25/03/76 e republicado na coletânea – Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!]


*- Você disse que eu não era uma cética crônica, eu quero saber o que você quis dizer com isso. Você disse que eu era diferente, mas o que exatamente é o ceticismo crônico pra você?

-É o ceticismo após as primeiras ocorrências, quando você olha pras coisas nas quais você acreditou, principalmente para as que eram muito importantes e hoje essas coisas estão tão diferentes e não se parecem em mais nada com o que foram um dia...
Apenas uma explicação abstrata para um termo subjetivo.

-Sim, as coisas mudam. O fato é que, independente do que eu tenha passado e de minhas memórias, de tudo que acreditei e me decepcionei, eu continuo acreditando que ainda vale a pena.

-Eu não vejo mais as coisas como antes, talvez não acredite mais; mas também acho que vale a pena e que talvez seja a única coisa que valha a pena, TALVEZ.

-Eu tenho meus momentos de dúvida e então fico mal. Preciso acreditar e acredito. Caso contrário, posso morrer hoje mesmo.

-Você está dizendo que seu único sentido na vida é encontrar seu grande amor? Que coisa mais feminina!

[Conversinha de msn velha-pra-diabo entre eu e o Luiz Martinho-pé-de-chulé-machista!]

*- Você é a única pessoa do meu convívio que não me julga, não me cobra e não me enche o saco.
- É essa a intenção.
[Conversa entre eu e meu namorado, anteontem.]

*Na minha primeira sessão com meu atual terapeuta, alguns meses atrás, ele me disse:
- Olha que curioso, ao mesmo tempo em que você foge de um relacionamento, isso é a coisa que você mais quer!

Algumas sessões depois...
- Vai ser boa essa mudança pra você, você não tem que carregar este peso.

*Não faz sentido você dizer que vai voltar todo fim de semana para pagar as contas e fazer mercado para a sua mãe! A idéia não é libertar-se?
[Meu namorado, um dia desses.]


Comprei um filme do Woody essa semana: “Interiores”. Curiosamente, assisti ontem com a velha e foi lindo. O filme é sobre uma família de Manhattan. O pai, determinado dia, anuncia para a mulher [mãe] e as três filhas que está saindo de casa, que precisa ficar sozinho. A mulher [mãe] entra em choque e depressão profunda e vive tentando se matar. Vive cobrando atenção de todos, como se a felicidade dela dependesse de todos eles. A filha mais nova é atriz em L.A. A mais velha é escritora, casada, individualista. A filha do meio vive em função da mãe que nunca está satisfeita, que nunca valoriza o que a filha faz e a filha morre de culpa por isso, não consegue se encontrar, está grávida e quer abortar, tem medo de todo e qualquer envolvimento, obviamente porque está envolvida demais com a sua mãe.

Era esse o meu caso. ERA. Foi legal porque quando o filme acabou, a velha virou pra mim e disse:
- Que coisa não, a mãe prejudicou a vida de todas as filhas! Mas ainda bem que tinha uma “boazinha” pra tomar conta dela.

Momys não poderia ter me dado brecha melhor. Logo lhe disse:
- Boazinha ou trouxa? Porque na minha concepção, pior que a chantagista [mãe] é a que se deixou chantagear [filha]. É o nosso caso. Cada um tem a sua própria vida pra viver, pra cuidar. Cada um é responsável por si, por mais ninguém. Não tem que ter uma boazinha pra pegar o fardo, isso é absurdo!

A velha não disse mais nada, mas demonstrou uma expressão de concordância.

“Hoje encontrei com meu pai
E dói pensar
O quanto ainda sou filho.

É preciso matar meu pai
Teu, nossos pais.

Mas sobretudo é preciso
Sabê-los morrer
Para não cometer suicídio.”

[David Calderoni]


*Li esse texto e outros mais do livro do R. Freire ontem. Sonhei com você-sabe-quem-não-quero-te-expor. Sonhei que você estava internado com depressão catatônica. Quando cheguei no quarto, a enfermeira disse que você estava dentro da geladeira e que tinha um cheiro insuportável de choro. Gostei disso: “cheiro-insuportável-de-choro”. Eu não quis ver. Logo depois, entrei novamente no quarto e você estava deitado na cama, com os olhos vermelhos, completamente catatônico mesmo, uma cena medonha. A enfermeira disse que o médico tinha concordado com o seu pedido de morte, que lhe aplicaria uma injeção e você morreria, a fim de acabar com o seu suplício.
Acordei pensando na frase que você insistia em afirmar: Que eu não sabia ser amada. E eu sempre respondi que realmente não sabia ser amada por alguém que eu não amasse. Sabe pq? Sempre vi o seu amor como algo sujo e possuidor. Eu jamais fui capaz de compactuar com isso, nem de aceitar isso. Essa sempre foi a razão do meu medo e do meu afastamento. O que você chamava de amor, era feio e triste demais pra mim. E sabe o pior de tudo? Eu sempre te amei. Você era um dos amigos que eu mais amava, mas isso nunca foi suficiente pra você. Eu queria o seu bem-estar, enquanto você só sabia me rogar praga quando percebeu que jamais poderia me possuir sexualmente ou coisa do tipo. Você nunca entendeu, ou não quis entender. Foi egoísta demais pra isso. Mas isso é história né? Já foi. Por quês, justificativas, explanações, julgamentos...a pergunta não deveria ser POR QUÊ e sim COMO. Como algo realiza-se é real, o por quê vai ser sempre abstrato. Espero que esteja bem, com você, com o meio.


*1)"O medo é a origem de todos os males.
O pai de todos os vícios.
A mina das fraquezas."

Discordo. Acho que quem não sente medo é louco – não uma loucura boa. Sentir medo faz parte, o que faz um ser humano diferente é ter coragem para enfrentá-lo.

[Pro Saulo - 7 de Abril de 2008 11:32].

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Nossa, cancela o post anterior. Não que Roberto Freire não tenha me causado espasmos...realmente causou. Vertigens, ataques, crises, histeria, sonhos, dor, alegria, tudo. O Sebo da roça é o melhor que existe, aqui você acha Roberto Freire e Caio Fernando Abreu, coisa que não acontece nos outros. Talvez por que além do dono do Sebo, o "seu" Ismael, velhinho super culto, gentil e simpático - e eu, ninguém mais nesta cidade goste de literatura que venha do estômago. Achei vááários livros do Roberto Freire no Sebo e em ataque, comprei todos. Já tinha lido o "Sem tesão não há solução" via e-book, comprei-o também, aliás. Achei muitos, mesmo, menos "Ame e dê vexame", que estou louca atrás. Mas de todos que eu li, "Coiote" realmente é de foder. Talvez por que considere a mim e aos amigos que escolho, coiotes também, cada um do seu jeito.

Mas enfim, como eu ia dizendo, cancela o post anterior. N-I-N-G-U-É-M neste mundo é capaz de superar o Caio. Descobri isto ontem, [re]lendo Dodecaedro, PRINCIPALMENTE o décimo segundo fragmento da décima terceira voz, o Eles e o Afogado.

Como pode? Não me conformo, realmente. Como pode um ser humano escrever daquele jeito?

Estou sem internet e confesso que isso é terrível - e ótimo. Agora, ao invés de mandar scraps, esperar fulano ou ciclana entrar no msn para dizer algo, eu vou até a casa do[a] infeliz. Telefone é muito caro, gasolina também e eu odeio dinheiro. Mas entre gasolina e telefone, fico com a gasolina. Um contato humano que eu tinha perdido há tempos e um tempo de sobra pra tudo, inclusive pra devorar tudo que é livro e filme que vejo pela frente...fantástico.

Mas não vou ser hipócrita, internet é um vício maldito, o pior deles. Assim que eu puder volto a minha nerdisse de viver virtualmente...café, cigarro e internet. Sinto falta. Não há volta.


Como o assunto é R. Freire e Cainho, trechos dos dois:


"Precisamos ser irreais sempre, pra não morrer de realidade." [Coiote]


[ps: E não é que isso me lembrou F. Pessoa e aquele livro maldito do desassossego...que me rói as entranhas também..."Hoje, sim, deve ter existido para morto, mas talvez um dia, em velho, se lembre como é não só melhor, senão mais verdadeiro, o sonhar com Bordéus do que desembarcar em Bordéus.”]


"Não consegui, do grande esforço através dos doze meses, doze signos, doze faces, só guardo essa certeza. Que tonta travessia. Tudo bem, descansa. Faz parte não conseguir. Como Sísifo, se queres mitologias. Queres ainda? Por favor, estou farto. Brilhos baratos, as jóias eram todas falsas. Está certo, mas não quiseram te fazer mal. O mal não existe reverso do bem. Tanto faz, só peço que me deixem. Vou ficar encostado na árvore até amanhecer. Olhos abertos, feito uma vela acesa. Se ela insistir, direi que não tenho piedade alguma. Que não compreendo, não aceito e nem perdôo mais a loucura. Se ele vier, pedirei que fique. Serei bom pra ele. Mentira, não pedirei nem direi nada a ninguém. É indivisível, aprendi. Talvez consiga dormir. Talvez consiga acordar amanhã finalmente livre de tudo isso. Terei apenas um corpo, poucos pensamentos, todos pequenos. SEI QUE FOI INÚTIL QUANDO OS VEJO OBSTINADOS RECOMEÇAR E RECOMEÇAR SEMPRE. Uma serpente que morde a própria cauda, um círculo infinito de enganos, Maya. Talvez não, perdeste a fé? Não te castiga assim, está tudo em paz. Nunca houve cães. É como uma cantiga de ninar nas cinzas do fim do mundo. Um barbitúrico, se preferires. Entorpece, melancólico, te leva pra longe. Já se perdeu, não há futuro. Repousa, meu amigo. Deixa-me passar a mão nos teus cabelos. Está amanhecendo. Em voz baixa, eu canto pra te enganar." [Dodecaedro - Décimo segundo fragmento da décima terceira voz: Triângulo das Águas].


Bom,tô sem internet né? Então deixa eu aproveitar a internet transitória pra falar de um monte de coisas.


1- FUCKERS, DEVOLVAM MEUS LIVROS.

2- Alguém viu no jornal o mendigo autoditada, que preferia passar fome do que pedir esmola, que estudou na biblioteca pública e passou em PRIMEIRO lugar no concurso do Banco do Brasil? *_*

3- Alguém viu a física no Jô ontem? Dizendo que a nossa galáxia corresponde a 5% do universo, mais 20 e não-sei-qto-por-cento é massa escura e o resto é vácuo? E que o universo está se expandindo e vai explodir? HAHAHAHA cara, odeio física. Eu sou burra mesmo ou pelo que ela disse, o universo não é infinito? Sim, pq ela comparou o universo a uma caixa. Mêdo. E preparem os casacose os lampiões hahaha! Vamos terminar no frio e no escuro!!!

4- Minha amiga tem um namorado psicopata que diz que não é humano pq não sente, mas vira-e-mexe tem ataques histéricos por qualquer coisa. Ai, esses "inumanos"...acho engraçado. Posso esbofeteá-lo?

5- Pra quem gosta de Bukowski, "Geração Beat" do Kerouac é um prato cheio. Diálogos impagáveis, do tipo, Buk dizendo: "- Pega uma cerveja pra mim!"

6- Namorado conseguiu bolsa do PROUNI, vai pro inferno, a selva de pedras que acha que é o paraíso, parabéns :) E meus pêsames. Verá como conseguir algo é triste - hahaha. [Pelo menos, vai ficar perto de mim :D]

7- Sempre detestei o Holden-campo-de-centeio. Bixo, não é que ele tinha razão? Tô voltando pra selva e já tô MORRENDO de saudades da roça. Sempre sentimos falta do passado que era presente e que quando era presente, achávamos uma bosta, mas quando virou passado, é saudade.

8- O QUE ACONTECEU COM SÃO PAULO??????? DE ONDE VEIO TANTA GENTE????? AFF...=/.

9- Tha, te amo.

10- Woody Allen, também te amo.

11- Ah, eu amo pra caralho!

12- VIDA MALDITA!

13- AHAHAHAHAHHAHA A LOKA...e nem tomo mais anfetamina!


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quarta-feira, 2 de julho de 2008

"A lucidez incomunicável é a maior angústia. É a solidão dos Deuses. E, pela primeira vez, pensei em Cristo com respeito."

[Rudi]

Estou chocadíssima. Depois de Caio, achei que era impossível algum outro escritor me foder ainda mais. Gozei como nunca. Roberto Freire just did it.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tinhaterapia.
[FIM.]


Desencana do resto, da “visão política”, da “visão religiosa”, romântica, psicológica, terapêutica e de toda essa ladainha nonsense. Ademais, praticamente ninguém é capaz de entender o que é anarquismo, liberdade e individualismo.
Encheu o saco. Resumindo: Foda-se.
[Inclusive todas as terapias.]


Wilde desprezaria-me até sua triste morte se me escutasse dizer que às vezes acho que me torno um pouco daquilo que leio – ou assisto – ou escuto, whatever. Torno-me até a condição climática. Chamar-me-ia de imoral... Mas até que ponto posso eu, ser influenciada, se apenas consigo entreter-me quando empatizo? Qual a diferença entre a influência e o inconsciente coletivo? Qual a diferença entre eu e você? Wilde se contradiz. Hora diz que “Toda influência é imoral”, para depois dizer que se Bosie fosse escrever algo em sua parede para que o sol pudesse dourar, deveria escrever em letras garrafais: “Tudo que acontece ao outro, acontece também comigo.” Não que eu o julgue; mostre-me algo que faça sentido e logo então o fato de Morissey ter usado no auge da banda uma camiseta com a cara de Wilde estampada com os dizeres: “Smiths is dead” terá sido a coisa mais sensata já feita. Anyway, necessário agora é um pouco menos de Wim Wanders, do Livro do Desassossego, uma pitada a mais de Bukowski, uma boa dose de Woody Allen e uma overdose de Huxley, Roberto Freire e Harry. Está fazendo sol, ainda bem.


Vou de Huxley...


Um homem não pode abolir completamente suas sensações e seus sentimentos, a menos que se mate fisicamente. Mas ele pode depreciá-los. E, de fato, é isso o que faz um grande número de pessoas inteligentes e cultivadas – deprecia o humano, no interesse do inumano. Seu motivo é diferente do dos cristãos; mas o resultado é o mesmo. É uma espécie de autodestruição. É sempre a mesma coisa, a cada tentativa que se faz de ser algo melhor do que um homem, o resultado é sempre o mesmo. A morte, uma forma ou outra de morte. Tentamos ser o mais do que somos por natureza e matamos qualquer coisa em nós e nos tornamos muito menos do que éramos. Estou cansado de todas essas asneiras sobre a vida superior e o progresso moral e intelectual, estou cansado da existência pelo ideal e do mais que segue. Tudo isso leva à morte. Com a mesma certeza com que viver para o dinheiro leva à morte. Os cristãos, e os moralistas, e os estetas cultivados, e os jovens e brilhantes homens de ciência, e os homens de negócios – todas essas pobres rãzinhas humanas que tentam inflar-se para se transformarem em bois de pura espiritualidade, de puro idealismo, de pura eficiência prática, de pura inteligência consciente, acabam simplesmente estourando e ficando reduzidas a coisa nenhuma a não ser fragmentos de rã – e fragmentos putrefatos, ainda por cima. Tudo isso junto é uma vasta estupidez, uma mentira imensa e repugnante. O teu pequeno São Francisco, esse fedorento, por exemplo. – Mark Rampion voltou-se para Burlap, que protestou. – sim, um fedorento – insistiu Rampion. – Um homenzinho bobo e vaidoso, que tenta encher-se de vento até se tornar um Jesus, e que consegue apenas transforma-se em fragmentos repugnantes e malcheirosos dum verdadeiro ser humano. Um homem que andava a colecionar sensações e a se excitar, lambendo os leprosos! Ui! Que sujeitinho pervertido e repugnante! E se julga bom demais para dar um beijo numa mulher; quer estar acima de todas as coisa vulgares, como o prazer natural e saudável – e o único resultado é que ele mata o menor grão de virtude humana que podia ter em si.
[Contraponto.]


É...toda a arte é absolutamente inútil. Exatamente por esta razão agora vou entreter-me na arte da decoração de meu novo quarto. Nada poderia me dar mais prazer!


Au revoir.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cancela! Acabei de chegar!

Cancela o ataque neurótico "Fight Club", somado ao complexo de Jesus Cristo "não-sou-materialista-e-extremamente-altruísta-e-tenho-que-sofrer-na-cruz". NADA CONTRA JESUZINHO LINDO, of course, mas como cantaria Zeca, "Bye Bye Miserê...au revouir miserê/Finesse s'ilvous plait".

Ontem minha mãe saiu pra me comprar roupas e eu disse NÃÃÃÃÃO! Não quero mais comprar roupas, quero me desprender de todo e qualquer materialismo, aí juntei um monte de roupas e levei pra campanha do agasalho hauhauhahua. Mas ela não respeitou meu pedido, disse que era um absurdo eu querer ser a pobre de Paris e comprou roupas novas pra mim. Confesso que os bois novos no meu armário melhoraram o meu humor em 200%.

Agora o mais absurdo foi dizer que Paris não resolveria o meu vazio! Até parece que eu estaria infeliz em Montmartre ou em Saint-Germain-des-Prés, com todos aqueles sebos no meio da rua com todos aqueles livros deuses ilustrativos de arte e todos os livros possíveis. Até parece que eu não ia estar dando pulos ao tomar café no Café de Flore ou no mesmo café que Sartre, Simone de Beauvoir, Truffaut frequentavam. Até parece que eu não ia ter uma síncope explosiva de contentamento mostrando os peitos no Moulin Rouge e amanhecendo bêbada no Château de Versailles igualzinho Marie Antoinette ou tirando uma foto imitando a Vênus de Milo escondida no Louvre hahahaha.

Até parece que eu vou estar infeliz em São Paulo, no meu ap deuso, com a minha melhor amiga. Até parece que eu vou achar ruim ser diplomata ou até parece que eu acharia ruim ter um salário milionário.

E acima de tudo, até parece que eu prefiro ficar sozinha do que dormir com aquele idiota indie [que odeia quando é rotulado!], ficar dopada de hipnótico, virar um cadáver e jogar o coitado pra fora da cama. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ficar discutindo assuntos nerds com ele, como tópicos toscos de comunidades toscas do orkut. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ver aquele idiota carimbando notas "seja vegetariano" e achando isso um absurdo. Até parece que prefiro ficar sozinha do que ser acordada por ele aos tabefes.

Até parece que brigar com ele, com a minha melhor amiga e com a minha mãe faz algum sentido.

Quando der a louca, me levem pro Bairral, sem pensar duas vezes.

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