sábado, 27 de outubro de 2007





The writing's on MY wall, tattooed & everything...way of life..



ROLLIN'...



Woah yeaH!

Since I was born,

They couldn't hold me down

Another misfit kid,

Another burned-out town

I never played by the rules and I never really cared,

My nasty reputation takes me everywhere



Well I look n' see it's not only me

So many others have stood where I stand,

We are the young - so raise your hands



(Chorus)


They call us problem child,

We spend our lives on trial,

We walk an endless mile - we are the Youth Gone Wild

We stand and we won't fall - we're one and one for all

The writing's on the wall - we are the Youth Gone Wild


Boss screamin' my ear 'bout who I'm s'posed to be,

Get a three-piece Wall Street smile, and son you'll look just like me

"I said "Hey, man, there's somethin' you oughta know, well I tell ya

Park Avenue leads to...Skid Row!!



Well I look 'n see it's not only me

We're standing tall, ain't never a doubt

We are the young, so shout it out



(repeat chorus)


Well lemme hear ya get wild!


(guitar solo)


(repeat chrorus)


(typical Bach-style screaming to fade)



We are the Youth Gone Wild!



Traduzir-se


Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguem, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim
Almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?
Será arte?
Será arte?

[Ferreira Goulart para Fagner]

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Carta aos missionários...


Vício de ontem, hoje e sempre. Eu AMO essa música, na minha humilde opinião, umas das 5 melhores músicas nacionais já compostas...desacreditei que fui numa baladinha e uma banda fez um cover dela, agora não paro mais de escutar :P

Missionários de um mundo pagão,
proliferando ódio e destruição
E nos quatro cantos da terra
A morte, a discórdia, a ganância e a guerra...
e a guerra.

Missionários e missões suicidas
Crianças matando crianças inimigas
Generais de todas as nações, fardas bonitas, condecorações
Documentam na nossa história
O seu rastro sujo de sangue e glória.

Vindo de todas as partes, indo pra lugar algum
Assim caminha a raça humana, se devorando um a um
Gritei para o horizonte, e ele não me respondeu
E então fechei os olhos, sua voz
Assim me bateu...

[Uns e Outros]

Watch out: http://www.youtube.com/watch?v=KQk74o7c11I

Ps: Não sei, mas me dá uma coisa, nos anos 80 só tinha música boa e todo mundo era bonito, digo, possuía aquela coisa que vai além, ou aquém.

;*


Don't you EVER give up!



Don't give up
'Cause you have friends
Don't give up
You're not beaten yet
Don't give up
I know you can make it good

...

Don't give up
'Cause you have friends
Don't give up
You're not the only one
Don't give up
No reason to be ashamed
Don't give up
You still have us
Don't give up now
We're proud of who you are
Don't give up
You know it's never been easy
Don't give up...

[Peter Gabriel]


;*

sexta-feira, 19 de outubro de 2007



Wishes...

Eu SEMPRE, desde que me conheço por gente, desejo freneticamente um neon da Heineken.

Vocês todos já sabem o que me dar de aniversário, de natal, de dia das crianças, whatever.

;*

quarta-feira, 17 de outubro de 2007





A minha ficção.



...Pois bem, era fim de tarde numa quinta-feira, Júlia dançava com seu objeto de luz, quando lembrou do artista. Já fazia meses, ela nem sentira transpor e foi quando se deu conta de que haveria de saber como passava o artista. Tomou o telefone e discou; do outro lado, ele atendeu e então ela disse:

- Como tem passado? Quanto tempo desde a última conversa!
- Quase bem, se não fosse...
- Fico feliz em saber que está quase tudo bem, o quase já é um bom começo. Pois bem, tenho que desligar, tenho muitos afazeres – Foi desta forma que ele, o artista foi abruptamente interrompido por ela.
- Espere! Por que tão breve? E as conversas intermináveis?
-Tenho mesmo que ir.

E assim ela desligou o telefone. Ela realmente tinha muitos afazeres, mas não os realizou. Deitou-se em sua cama, e assim permaneceu perdida em pensamentos, cercando o penduricalho com as mãos a fim de que ele parasse de dançar - contido, morto, imóvel. Porque tão breve?...Porque tão breve?...As conversas intermináveis...As conversas intermináveis..., as frases ecoavam em sua cabeça, desorientando, repentinamente, de súbito, contestando.
Cogitou muitas coisas, julgou algumas, supôs outras. A resposta era óbvia, fora breve porque tinha afazeres e pretendia realizá-los e as conversas seriam sempre intermináveis, caso desejasse que elas assim fossem. As respostas eram simples, o que ela não compreendia era porque mesmo tendo conhecimento delas ainda não se dava por satisfeita. Afinal, apenas não desejou uma conversa interminável porque tinha afazeres importantíssimos. Mas por que então, ao invés de realizar os afazeres, ela ficou prostrada na cama, pensando sem parar nas frases que ecoavam em sua cabeça? Permitia-se deitar e pensar, mas não podia permitir-se ter uma conversa interminável e deixar os afazeres de lado? Foi então que se deu conta...


...Tudo começou de repente – como sempre o é. No momento errado, com pontualidade máxima. Tempo é coisa que não existe, apenas junho. Não há que se falar em começo, meio, fim, muito menos em segundos, minutos, horas ou anos e talvez por este motivo ecoe a impressão de tudo ter acontecido exatamente no mesmo instante – e talvez tenha sido. Esta não é uma estória de amor – as relações não são mais do que subtis artifícios; trata-se de uma estória baseada em instantes dilacerados, tão efêmeros, quanto eternos que tampouco importam – o que realmente importa é o laço que os une, as pessoas que participaram e a forma como sobreviveram. É a magia e a beleza escondida por de trás da névoa...de algumas vidas descobertas, pelas mais diferentes razões, entrelaçadas por sumptuosas epifanias...


...Júlia estava desordenada como um compasso esquecido a muito - pleno de lacunas, mas disto nem ela sabia. Desprovida de si mesma, havia muita coisa desajeitada que ela não era capaz de observar. E sem perceber, concluiu que o amor era o que lhe faltava - as notas do compasso. Pois mal sabia que se tratava de um completo engano.


[PS: Vide entrada de 28/07 - "Verde, Azul, Todas as Cores..."]

;*

terça-feira, 16 de outubro de 2007


Quando Caio some da página, o despertador toca para que ele retorne...


Mas eu tinha que ficar contente. E quando você quer, você fica. Comecei a ficar. Afinal, aquele podia ser o primeiro passo para emergir do pântano de depressão e autopiedade onde refocilava há quase um ano. Gostei tanto da expressão pântano-de-depressão-&-etc. que quase procurei papel para anotá-la. Perdera o vício paranóico de imaginar estar sendo sempre filmado ou avaliado por um deus de olhos multifacetados, como os das moscas, mas não o de estar sendo escrito. Se fosse bailarino, talvez imaginasse estar constantemente, em qualquer movimento, sendo esculpido? Ah, cada gesto, uma verdadeira apologia estética da forma pura.
Era engraçado. E bastante esquizofrênico. mas de repente o real tinha-se tornado bem menos retórico.

["Onde andará Dulce Veiga?"]


***

"A pesquisadora acredita que o escritor gaúcho não nasceu para ser clássico, mas para reinar na margem, como Clarice Lispector. Não se expressa para todos os públicos, mas para públicos de suas afinidades, fadado a recepções extremas de amor e de ódio. “Ele não é imitado porque ainda não foi compreendido”, argumenta."



[Ele não é imitado, porque é inimitável. E sim, ele está fadado a recepções extremas de amor, eu o amo extremamente. E o compreendo também.]


;*

domingo, 14 de outubro de 2007

To all my lost friends I love the most…

Quando eu tinha uns 10, 11 anos, não sei ao certo, eu tava voltando da escola, minha mãe parou o carro no farol e do meu lado, na rua, tinha um cara, dando uns “tirinhos”, definhando, morrendo, devia pesar uns 30 quilos. Acho que nunca mais em toda a minha vida vi cena mais degradante. Me chocou de tal forma que me lembro nitidamente dela até hoje, fiquei completamente horrorizada. Algum tempo depois, o Skid lançou o clipe de “Wasted Time” e eu era fã já, passava no Disk MTV todo dia, era engraçado porque eu assistia TODO DIA, mas morria de medo desse clipe, por razões óbvias. Eu dormi dois anos com os meus pais por causa disso.

Pode parecer bizarro, mas eu acho que foi uma espécie de premonição. Eu sabia que a porra daquela letra e que toda a situação ia fazer parte da minha vida um dia. E fez, e faz.

Ah, me chamem de careta, chata e tudo mais, me chamem de blasé quando eu finjo que não ligo pra vocês, só pra vocês não me chamarem de chata mais uma vez. Mas a grande verdade é que eu ligo sim e eu ligo muito. Eu sinto toda a angústia de vocês o tempo todo. Eu penso em vocês o tempo todo e rezo e mando as minhas melhores vibrações, sempre.

Sempre...;(


http://www.youtube.com/watch?v=ln-je7K8RQo

This is how I feel...

Skid Row, “Wasted Time”

You and I together in our lives
Sacred ties would never fray
Then why can't I let myself tell lies
And watch you die every day?

I think back to the times
When dreams were what mattered
Tough talking youth naivete
You said you never let me down
But the horse stampedes and rages
In the name of desperation

[CHORUS]
Is it all just wasted time?
Can you look at yourself
When you think of what
You left behind?
Is it all just wasted time
Can you live with yourself
When you think of what
You left behind?

Paranoid delusions they haunt you
Where's my friend I used to know
He's all alone
He's buried deep within a carcass
Searching for a soul

Can you feel me inside your heart
As it's bleeding?
Why can't you believe you can be loved?
I hear you scream in agony
And the horse stampedes and rages
In the name of desperation

[CHORUS]

[SOLO]

You said you never let me down
But the horse stampedes, it rages
In the name of desperation

[CHORUS]

The sun will rise again
The earth will turn to sand
Creation's colors seem to fade to grey
And you'll see the sickly hands of time
Will write your final rhyme
And end a memory

I never thought you'd let it get this far, boy...

sábado, 13 de outubro de 2007


sexta-feira, 12 de outubro de 2007




Elizabethtown.


Claire: I'm one of a kind.
...I'm impossible to forget, but hard to remember.

[Eu quase não gosto deste filme, quase não gosto de Cameron Crowe, quase não gosto da Kirsten, quase não gosto do Orlando Bloom, quase não gosto de Tom Petty...quase não gosto de filmes com a estrada, quase não gosto do mapa, do mapa!!!!]


...Now the wind is high and the rain is heavy
And the water’s rising in the levee
Still I think of her when the sun goes down
It never goes away, but it all works out...

[Tom Petty, "It's all work out"]

Ahh..é tão bonito! :)

;*

quarta-feira, 10 de outubro de 2007





Singles.



Steve Dunne: My dad left home when I was eight. You know what he said to me? Have fun, stay single. I was eight.

Steve Dunne: Linda, uh, it's me. I had to call you. It's about midnight. I was just having many beers. And, uh, I just wanted to say what I should have said at the dock. I fucking chickened out when I acted casual, like Mr. Casual. I should have said it. You... belong... with... me! We belong together. And what really pisses me off is that, now that we're really talking, you thought i proposed to you only because you were pregnant. What's that about! I mean... hey, this is not the bathroom! And you know maybe if I had said some of these things at the dock it would have made a difference because, but I think we made a big mistake because, we had good times and we had bad times, but we had times. And I would like to start over. I would like to be new to you. I want to be new to you. I want to be Mr. New. So call me back if you want to. But this is the last time I'll call. And, if you really needed to know how I feel, how I really feel, that's how I feel. I love you. And that's something you should know, so I won't bother you again. So, good night. And good bye. And call me back. Good bye.

[Quotes from “Single” – Vida de Solteiro, filminho clássico do início dos anos 90...Cameron Crowe of course – Jerry Maguire, Almost Famous, Elizabethtown! – e como eu amava, como eu amava Alice in Chains – e ainda amo!]
Eu e as velharias que eu tiro do fundo do baú HAUAHAUAHAU, sensacional! O filme é cheio de aparições geniais, de Eddie Vedder, Chris Cornell a Tim Burton, fora a trilha sonora...




Enjoy the music, the movie, Matt Dillon, Pearl Jam, Tim Burton! and Jerry Cantrell [pisciano, fantástico!] LOL!

... If I would, could you?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007


Cansei de ser mais uma inerte.

Vou tentar ser breve, muita coisa eu penso, muita.

A coisa poderia começar de muitas formas.

Poderia começar com a reforma Penal e fazendo valer a justiça. Não sou, de forma alguma contra os Direitos Humanos, mas também não acho que as leis maleáveis [e totalmente ÚTEIS ao governo, principalmente ÚTEIS!] se dão em razão dos Direitos Humanos. Pois que dê trabalho pesado aos encarcerados para que ao menos se paguem e quem sabe até gerar lucros [pro país, pro país!]. E que não tenham tempo de ficar olhando pro teto e falando no celular, tramando, piorando a sua condição. E que os Direitos Humanos sejam respeitados nos presídios e que eles sejam bem distribuídos. Cada crime no seu lugar. Violência não se resolve através de mais violência, mas disciplina é fundamental.
Sou sim a favor de leis penais mais rígidas e não só de leis, mas de uma prática mais “agressiva”, PRINCIPALMENTE para os crimes hediondos, PRINCIPALMENTE para os crimes políticos e PRINCIPALMENTE para o tráfico.

A pobreza do país, a falta de saúde, educação, a precariedade dos presídios e até a falta de estabelecimentos carcerários suficientes pra enfiar a merda toda, isto é muito claro, e não tem novidade alguma!, não existiria se a corrupção acabasse. Esse país gera muita, mas muita grana mesmo. Tolerância Zero à corrupção, este seria um bom começo.
Gente sem medo, sem medo de ameaças. Um governo honesto. Pelo menos em sua base. Infelizmente isso não dá pra garantir no Congresso, mas que a corrupção do congresso seja combatida!

Voto opcional...República e Democracia de verdade. Chega de gente ignorante e incerta votando. Não estou de forma alguma criticando os ignorantes, diante da situação, a grande maioria não têm culpa de ser ignorante...pois que não votem até sua condição melhorar. E eu bem sei da burocracia que existe para que tudo isso possa acontecer.

Liberalismo Econômico...eu sei que isso não pode acontecer do dia pra noite. A reforma previdenciária por exemplo, levaria anos pra ser feita. Direitos adquiridos não podem ser assim tomados, mas que uma data fosse estabelecida e isso fosse gradualmente mudando até lá. Reforma tributária...impostos mínimos e necessários, por favor. Respeitando sempre o princípio constitucional que imposto sobre a mesma coisa não pode ser cobrado, mas infelizmente é.
Não vou ficar aqui explicando o Liberalismo Econômico, muito menos o Neo-Liberalismo, muito menos o que é uma minarquia, mas a partir do momento que as pessoas tiverem que depender delas mesmas, a coisa vai pra frente, porque vai doer no bolso. Interferência mínima do Estado. Ninguém vivendo de “esmola”. O país cresce.

E isso tudo e tudo mais que penso não é original, mas o país é cego.

Como eu escrevi, muita coisa eu penso. Se alguém quiser discutir, eu estou aqui. Eu penso em como fazer alguma coisa, eu tenho as minhas idéias de como começar isso e se alguém tiver mais idéias, eu gostaria muito de ter acesso a elas.

Defensores do PT (“Pobres” e Trambiqueiros) e do Lula, bem como defensores do PSDB (Democratas e “neo-liberais” de fachada!), bem como defensores de extrema-esquerda, bem como capitalistas fervorosos, eu não tenho nada em comum com vocês. O partido do qual eu faço parte ainda não foi concebido.

...Revolução.

domingo, 7 de outubro de 2007

:)



"Desapareceu aquela cara que não parava de me olhar. A pressão deixou de se fazer sentir. Aqui só existem chávenas de café vazias e cadeiras onde ninguém se senta. Aqui só existem mesas vazias e ninguém jantará nelas esta noite. Deixem-me entoar o meu cântico de glória. Que o céu seja louvado pela bênção da solidão. Deixem-me estar só. Deixem-me atirar para longe este véu do ser, esta nuvem que muda ao ritmo da respiração, consoante seja dia ou noite e durante todo o dia e toda a noite. Mudei enquanto estive sentado. Vi o céu mudar. Vi as nuvens cobrirem-se de estrelas e libertarem-nas para de novo as cobrirem. Deixei de ver as alterações por elas sofridas. Ninguém me vê e também eu deixei de mudar. Que o céu seja louvado por ter removido a pressão do olhar, a solicitação do corpo, e toda a necessidade de mentiras e frases. O meu bloco-notas, coberto de frases, caiu ao chão. Está debaixo da mesa, pronto a ser varrido...”


[Virginia Woolf, "The Waves".]

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Odeio esperar.



“Também tenho uma dificuldade incrível para me definir. A primeira frase, “contra o individualismo”, de cara já me grila. Eu não sei MESMO se sou contra o individualismo. Em processo terapêutico, e com uma formação literária onde as influências maiores creio que foram Lispector, Virginia Woolf, Proust, Drummond, Pessoa, por aí – não sei se posso afirmar isso, me entende? Pelo menos agora, eu não me sinto seguro.”

[Caio, em uma de suas cartas para Luiz Fernando Emediato, sobre um projeto para o qual tinha sido convidado.]

Tenho feito pesquisas e mais pesquisas sobre a personalidade de Caio, porque to morrendo de medo de assistir DV...andei lendo críticas dizendo que faltou carisma em Eriberto Leão na interpretação do Caio. A crítica, claro veio de um ser completamente ignorante que provavelmente só leu “Onde Andará Dulce Veiga?” na vida, é nitidamente um cara que não leu mais nada e não sabe nada sobre Caio Fernando Abreu.

Tem mais uma coisa que me intriga. As pessoas falam do personagem “Caio”, como se ele fosse pura ficção...bando de gente ignorante, Deus! Qualquer pessoa que leia Caio, que o conheça um pouco que seja, e isso não precisa de grandes pesquisas, sabe que apesar da estória ser fictícia, o Caio do livro é o próprio Caio Fernando Abreu...o livro descreve a fase em que ele tava falidasso e foi trampar no jornal “O Estado de São Paulo”, por mais que o jornal, no livro, tenha um nome fictício. Nem o próprio nome dele mudou...ele se auto-descreve completamente o tempo todo. O tal Luiz Fernando Emediato era o editor-chefe dele no Estadão e é o mesmo do livro - e ele o descreve exatamente como é – ou como era na época, exatamente da forma como Caio o via: um idiota e estou com raiva desse cara também HAHAHAHA.

Mas na realidade o que me deixa com medo mesmo, é essa tal falta de carisma descrita, tenho medo, muito medo de que tenham mostrado só o lado depressivo e cético dele – difícil de acreditar já que esse livro, em particular, tem “happy ending”, principalmente pro Caio. Mas ele era assim, cheio de paranóias, mas sempre via uma luzinha no fim do túnel, era uma pessoa que vivia renascendo, cheio de novas esperanças.

É engraçado, tantos escritores ao longo de suas vidas mudaram sua essência...Camus, Nietzsche, Blake, muitos e até Oscar Wilde. Caio é sempre a mesma coisa. SEMPRE, através de diferentes realidades e situações, digo na essência, claro que ele mudou de opinião sobre algumas coisas, mas o essencial sempre foi o mesmo. É o único que eu não tenho nenhuma “oposição” [não encontrei palavra melhor, mas deve haver alguma]. Discordo de Oscar Wilde, que AMO, em vários momentos da vida dele, mas me alegra muito que seu fim tenha se dado com opiniões que eu acolho. Não é egoísmo, não é que eu queira sempre concordar com ele, ter empatia sempre por ele, não é isso, de todas as suas mudanças, eu o amo, mesmo nas fases em que eu não concordava com as suas opiniões ou com sua essência modificada. Eu aceito saca? Não estou criticando as mudanças, eu mesma vivo mudando. Mas pelas mudanças as pessoas se tornam qualquer coisa de misteriosas ou até “inacessíveis”, é isso que torna Caio diferente pra mim. Ele não é mistério, ele não é inacessível. É como se eu realmente o conhecesse. É como se fosse meu amigo. E sabe como é né? Mexeu com meus amigos, te levo pro inferno uhAHHUA.

Estou me contorcendo juro, e o raio do DVD não chega.

[T.G.I. Friday's! :D Bebam até cair, mas não deixem o nariz sangrar...by the way, estou tão feliz, meu irmão que eu não sabia se tava vivo ou morto, saiu da merda e está finalmente recuperado! Infelizmente algumas tragédias grandes tiveram que acontecer, mas é como eu disse, é assim que a coisa termina...vidas têm que ser tomadas para que outros sobrevivam.

As pequenas coisas me fazem sempre feliz, mas tenho que admitir que esse tipo de grande coisa, esses milagres me fazem amar a vida cada dia mais. Me faz ter mais fé nas pessoas, me enchem de esperança.]

;*


Stereophonics.


De toda a "nova safra" musical [eles não são novos, mas a notoriedade é nova], impressionante como eu praticamente sinto empatia somente pelos britânicos e pelo indie. E de todos eles, Stereophonics é definitivamente a banda de que eu mais gosto...sem me apegar aos hits do "momento" [já apegada também], devo dizer que é genial, tanto em letras como no barulho. Genial.


Completamente viciada, recomendo ;)

Watch out:

http://www.youtube.com/watch?v=iUHjDJxkcSE

"Dakota"

Thinking ‘bout thinking of you
Summertime think it was June
Yeah think it was June
Laying back, head on the grass
Children grown having some laughs,
Yeah, having some laughs.

You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.
You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.

Drinking back, drinking for two
Drinking with you
When drinking was new
Sleeping in the back of my car
We never went far
Didn't need to go far.

You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.
You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.

I don’t know where we are going now. (2x)

Wake up cold coffee and juice,
Remembering you, what happened to you?
I wonder if we’ll meet again?
Talk about life since then,
talk about why did it end.

You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.
You made me feel like the one,
Made me feel like the one, your one.

I don’t know where we are going now. (2x)
So take a look at me now. (8x)
Take a look at me now.
So take a look at me now. (8x)
Now.

(L)

;*

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Serendipidade...

Lá vem a Tatiana de novo com esse papo de serendipidade...
Mas não posso fazer nada, minha vida é cheia delas. E vim aqui hoje contar uma delas e podem acreditar que isso tem um propósito.

Isso vai começar de um jeito e terminar de outro, mas o que importa realmente é o espaço entre uma coisa e outra [Celine em "Before Sunrise" fala de qualquer coisa sobre Deus ser o espaço entre as pessoas, sobre ele não viver em mim ou em você, mas no espaço, na compreensão e na empatia, ou no esforço de tais ações.] Citei Deus pra dizer que tudo isso tem muito a ver, o serendipismo, a magia, as escolhas, o esforço e tudo mais, mas já estou devaneando. Let's cut it.

Pois bem, terei que citar muitos serendipismos pra chegar aonde quero.

Há alguns anos atrás minha sobrinha conheceu um cara de águas no ICQ [anos mesmo uauhahua] e "xavequinho vai-xavequinho vem", ela marcou um encontro com ele, mas pediu que eu fosse junto. Bom, o encontro dela não rendeu em nada, quem ficou com o cara fui eu. Coincidentemente, nessa época eu era apaixonada pelo inimigo mortal desse cara, inimizade da qual eu não tinha conhecimento. Esse tal cara se apaixonou por mim, mas eu peguei pavor dele, afinal de contas eu era apaixonada por outro e sei lá, eu achava ele meio estranho. Meses mais tarde, briguei com o cara que eu era apaixonada e o meu pseudo-relacionamento com ele acabou. Semanas mais tarde me apaixonei por aquele pelo qual eu tinha qualquer coisa de pavor, que demonstrou ser uma pessoa muito bacana, talvez porque eu tivesse deixado o meu preconceito em relação à ele de lado. Inevitavelmente, ao me apaixonar por ele, a paixão dele por mim acabou - HAAHAHAHHAHA - como quase sempre acontece.

Bom, mesmo assim, nos tornamos grandes amigos e ainda somos até hoje, como irmãos, mesmo, ele é um dos meus irmãos mais queridos.

Ele assim como eu, ama hard rock, hoje em dia ele mora em Londres, ele é baterista e está lá há dois anos tentanto carreira...[ele veio no natal e ficou dois meses..aliás, saudades monstras, porque em dois meses praticamente não houve um dia sequer que eu não tenha passado com ele, mas essa informação é desnecessária, só me deu saudade.] Enfim, enquanto ele ainda morava no Brasil, ele ainda morava em águas, eu morava em Sampa [logo depois ele se mudou pra Sampa também], mas sempre vinha pra águas, minha mãe já morava aqui e tal, um dia ele me disse que tinha descoberto que o dono do site "hard times" era de águas - era um dos sites mais famosos assim da época, mas se eu for descrever como era o cenário hard rock nessa época isso vai ficar longo demais, então vou me conter no básico. Pois bem, esse meu amigo mandou vários e-mails pra esse cara a fim de conhecer, afinal, não tem muita gente por aqui que curte Hard Rock e tal e o cara era influente no meio e tal, então me pediu [já que eu era mulher e tinha mais chance de resposta] que eu mandasse um e-mail pro cara e sim, ele me respondeu.

O mais engraçado é que o cara, na época, morava no meu bairro, pertíssimo da minha casa, dá pra ir a pé, do lado mesmo, menos de cinquenta passos e enfim, nos tornamos amigos. Nunca tive um "amigo-vizinho", isso foi realmente legal. E essa amizade, que existe até hoje, apesar da correria toda [ele tá morando em Socorro, os pais dele ainda moram aqui do lado, eu nessa vida de "náufraga" UUAUHUAHAUHA, que ninguém me vê mais], é uma amizade foda, mesmo. Esse cara já fez muito por mim, muito mesmo, ele é extraordinário, ele foi uma dádiva na minha vida, nos piores momentos possíveis. Ele sempre escreveu pra caralho, anos atrás me deu de presente um livrinho de poemas dele fantástico e tal, é um cara super preocupado com política e tudo mais e um sentimentalóide como eu e obviamente, isso pode ser percebido pelo título do site do qual ele era dono, ele é fã incondicional de Bon Jovi.

Mas eu contei tudo isso pra dizer que hoje ele veio aqui em casa, me dar de presente um exemplar do primeiro livro dele que acabou de ser publicado..."Já estava assim quando eu cheguei", um livro que claro, por ter sido escrito por um amigo tão querido e não somente por isso, mas pelo livro ser de uma forma simplista, acessível, filosófica - genial - eu devorei em muito pouco tempo.

E gostaria de transcrever um diálogo entre Deus e o personagem principal.

DEUS: ..."Eu não fiz ninguém, eu criei o Universo, e o Universo se desenvolve livremente.

Cláudio: Mas a bíblia sagrada diz que o senhor nos fez! Sua imagem e semelhança.

DEUS: As bíblias sagradas dizem um bocado de coisas...E todos os trilhões de bilhões de planetas com raças inteligentes têm quarenta ou cinqüenta bíblias e livros sagrados que dizem coisas erradas sobre mim...

Cláudio: E o Senhor fica zangado?

DEUS: Bom, na verdade eu não leio. É mais simples do que ficar quebrando a cabeça de tristeza porque as pessoas mentem a meu respeito. Às vezes, quando algo nos faz infeliz, o melhor é deixar pra lá, procurar outra coisa para ocupar a mente...

Cláudio: Então o Senhor não pune quem escreve as mentiras?

DEUS: Não, realmente. Primeiro de tudo, lembre-se que só porque uma pessoa não diz a verdade, não significa que esteja mentindo, talvez esta pessoa esteja simplesmente dizendo uma verdade pessoal, algo que pra ela é verdade...Além disso, a Vingança não faz parte da minha natureza Cláudio.
A melhor vingança é viver bem, é sublimar o mal que nos fazem. Além do mais, se eu fosse punir todos os seres-vivos que têm ou pregam idéias errôneas sobre mim, simplesmente não restaria absolutamente ninguém no Universo. O mais importante de tudo, Cláudio, é que este é um Universo totalmente livre.

Cláudio: Livre?

DEUS: Livre, meu filho, livre. Pode haver palavra mais doce do que LIBERDADE? Não há nada que eu preze mais no mundo. Sabe porque você nasceu feio?

Cláudio: Não.

DEUS: Porque você nasceu livre! Eu não comando sua vida meu filho, você é totalmente e absolutamente livre.

Cláudio: Mas e o planeta Terra? Toda aquela violência, maldade e crueldade com os animais?

DEUS: É claro que não aprecio a maldade humana...A forma como o planeta e os animais são massacrados...Mas isso é uma questão de escolha. Se eu metesse meu nariz onipotente em tudo o que acontece em cada planeta do Universo, este não seria um Universo livre. Em todos os confins da realidade, em trilhões de planetas eu ouço seres-vivos rezando para mim todos os dias e todas as noites, e você sabe o que eles dizem?

Cláudio: O quê?

DEUS: Eles me dizem QUE TÊM FÉ EM MIM. Então eu fico feliz por saber que me amam, mas não ficaria triste caso não me amassem...A liberdade é mais importante do que tudo Cláudio. E eu sempre respondo aos que rezam a mim, silenciosamente eu respondo a cada uma das orações.

Cláudio: E o que o senhor responde?

DEUS: Eu digo: E EU TENHO FÉ EM VOCÊS.


Então estremeci. Lágrimas de alegria invadiram a minha alma. Senti-me o mais feliz de todos os seres vivos de todo o Universo.

Neste momento, Ele me disse que precisava partir, pensei em pedir que ficasse por mais alguns minutos, mas Deus virou-se para mim e disse:

DEUS-TODO-PODEROSO: Cláudio...Vou te contar um último segredo sobre o Universo, não conte para ninguém, mas JÁ ESTAVA ASSIM QUANDO EU CHEGUEI...


***

Queria lembrar da frase exata da Clarice, uma de suas muitas sobre liberdade...mas era algo como..

"Liberdade, palavra que não há quem explique e não há quem não entenda."


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terça-feira, 2 de outubro de 2007



Artista completo não? Alguém já teve acesso ao original de "The marriage of heaven and hell"? Belíssimo...assim como todas as ilustrações de Blake.

Mas não vim falar de Blake e sim de Wilde...dá-lhe mais trechos de "A alma do homem sob o socialismo"...


"Deve-se observar que o Individualismo não se apresenta ao homem com alguma enjoada cantilena sobre o dever, que significa tão-só-fazer o que os outros querem porque assim querem; ou alguma cantilena abominável sobre auto-sacrifício, que é tão-só uma sobrevivência da mutilação selvagem. De fato, ele não surge com nenhuma exigência ao homem. Surge do homem, inevitável e naturalmente. Este é o ponto a que tende todo desenvolvimento. É a diferenciação a que evoluem todos organismos. É a perfeição que, inerente a toda forma de vida, anima toda forma de vida. Assim, o Individualismo não exerce nenhuma coação sobre o homem. Diz-lhe, pelo contrário, que não permita que nenhuma coação se exerça sobre ele. Não tenta forçá-lo a ser bom. Sabe que ele é bom quando deixado em paz. O homem desenvolverá o Individualismo a partir de si mesmo, como o está agora desenvolvendo. Perguntar se o Individualismo é possível é como perguntar se é possível a Evolução. A Evolução é a lei da vida, e não há evolução senão rumo ao Individualismo. Onde essa tendência não se manifesta, trata-se de um caso de crescimento interrompido artificialmente, de doença ou de morte.
O Individualismo será natural e altruísta. Afirma-se que uma das conseqüências da descomunal tirania da autoridade é que as palavras, completamente desviadas de seu sentido próprio e verdadeiro, são usadas para expressar o anverso de sua exata significação. O que é verdadeiro para a Arte, é verdadeiro para a Vida. Hoje é costume chamar um homem de afetado se ele se veste como lhe aprazo Mas, ao fazê-lo, ele está agindo de uma maneira perfeitamente natural. A afetação, nesse caso, consistiria em se vestir conforme as opiniões do alheio, que, por serem a da maioria, provavelmente serão muito estúpidas. Ou então é costume chamar egoísta a um homem cuja maneira de viver lhe pareça a mais adequada para a expressão plena de sua individualidade; em verdade um homem cujo objetivo primordial na vida seja o aperfeiçoamento de si mesmo. Mas esta é a maneira como todos deveriam viver.
Egoísmo não significa viver como se deseja, mas sim pedir aos outros que vivam como se deseja. E altruísmo significa deixar a vida de outrem em paz, não interferir nela. O egoísta sempre visa criar em torno de si uniformidade absoluta. O altruísta reconhece satisfeito a diversidade, aceita-a, concorda com ela, desfruta-a. Não é egoísmo pensar por si mesmo. Um homem que não pensa por si mesmo, simplesmente não pensa. É demasiado egoísmo exigir que o próximo deva pensar da mesma forma e sustentar as mesmas opiniões. Por que deveria?
Se ele tem a faculdade de pensar, irá provavelmente pensar de modo diferente. Se não tem, é uma crueldade exigir-lhe pensamento de qualquer espécie. Uma rosa vermelha não é egoísta por querer ser uma rosa vermelha. Mas seria terrivelmente egoísta se quisesse que as demais flores do jardim fossem tanto rosas quanto vermelhas. Sob o Individualismo, as pessoas serão perfeitamente naturais e altruístas, conhecerão os significados dessas palavras e irão compreendê-los na vida, que tomará a forma da liberdade e da beleza. Tampouco os homens serão egoístas como são agora. O egotista é aquele que impõe exigências aos outros, e o Individualista não desejará tal coisa, pois não terá prazer nela. Quando o homem tiver compreendido o Individualismo, terá também compreendido a solidariedade e a praticará livre e espontaneamente. Até hoje dificilmente o homem tem cultivado a solidariedade. Ele é solidário apenas na dor, e a solidariedade na dor não é a forma mais elevada de solidariedade.
Toda solidariedade é pura, mas na dor tem sua forma menos pura. Está maculada pelo egotismo. Está inclinada a se tornar mórbida. Há nela um certo temor por nossa própria segurança. Temos medo de que nós próprios venhamos a ficar como o leproso ou o cego, e ninguém se importe conosco. Além do mais, tal solidariedade é muito limitada. Deveríamos ser solidários com a vida em sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na beleza, na energia, na saúde e na liberdade. A solidariedade mais ampla é, naturalmente, a mais difícil: exige maior altruísmo. Qualquer um pode se sentir solidário na dor sofrida por um amigo, mas é preciso uma natureza muito superior - a natureza de um verdadeiro Individualista - para se sentir solidário no êxito alcançado por um amigo."


...O Prazer é a medida da natureza, seu sinal de aprovação. Quando um homem está feliz, ele está em harmonia consigo mesmo e com seu meio.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2007


Vegetarianismo X Natureza X Ideologia X Vocação X Auto-destruição.

[Antes de dar início ao tema, gostaria de esclarecer que essa é a MINHA opinião e que respeito a opinião de todo e qualquer vegetariano, INCLUSIVE de uma de minhas melhores amigas, Íris que é vegetariana. E de todos os meus demais amigos e pessoas queridas que também são. Gostaria de esclarecer também que não sou a pessoa mais carnívora do universo e que isso é de nascença. Simplesmente não gosto e nunca gostei, nem nunca fiz questão de carne vermelha, com algumas exceções, como hambúrguer por exemplo. Detesto carne de porco e aqueles leitõezinhos de natal me causam um desconforto enorme, pra não dizer repulsa. Porém adoro filé de frango, frios em geral e PRINCIPALMENTE sou doente por comida japonesa e por toda e qualquer carne que venha do mar. Gostaria de dizer previamente também que no caso da Íris, que é um caso que conheço bem, a repulsa dela por carne, assim como a minha em certos aspectos foi algo que sempre a acompanhou, mas que depois por questões ideológicas se tornou real e rotineira e que respeito, como já disse, as razões que levaram ela a se tornar isso. Eu não estou tratando de pessoas específicas aqui, estou abordando o tema de forma geral, sem o objetivo de ofensa a quem quer que seja. Resolvi escrever sobre o assunto simplesmente porque venho pensando nele já há algum tempo, porque estava cogitando, talvez, o vegetarianismo, diante do amor que venho cultivando ultimamente pelos animais e não só por eles, mas também por todas as coisas “mortas” e “vivas” no geral, mas que depois de refletir muito, cheguei ao termo de que não quero ser vegetariana, por razões diversas.]

Só gostaria de expor algumas das coisas que andei pensando, algumas que ainda não consegui compreender. Coisas como: Qual a diferença entre deixar de comer carne, mas comer ovos? Comer ovos não seria o mesmo que comer um feto? Não só os ovos, mas qualquer laticínio, pois é um produto animal e os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados por sua carne; são ainda mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do que consumimos sua carne, da mesma forma. Se formos pela mesma linha de raciocínio do respeito à vida, então não deveríamos comer vegetais também, porque é uma forma de vida também e quem garante que os vegetais não sentem dor ou sofrimento?

Porque algumas pessoas vegetarianas que prezam tanto, por ideologia, a vida dos animais e as formas como sua carne é comercializada, digo, o abatimento e tudo mais, se auto-destroem? Porque fumam? Porque usam drogas? Porque maltratam os humanos e a si próprios? Será que as pessoas se acham tão lixo que julgam o resto dos animais melhores que os homens, que si mesmo? Porque não se elevam a um nível de igualdade aos outros animais? Os próprios animais se comem, se caçam, por fome, por necessidades biológicas de proteína e tudo mais, é assim que a natureza é. São naturais como nós. E assim como nós, existem os “bons” e os “maus”. Um exemplo básico, no caso de Pit Bulls, onde alguns são extremamente dóceis, enquanto outros são assassinos. E assim como eles, existem exemplos em toda a natureza.

Posso entender que uma pessoa por qualquer coisa de “vocação” não coma carne, porque não gosta de comer carne. Posso até compreender que uma pessoa ame os animais e por isso não como a sua carne. Mas não posso entender que uma pessoa que seja vegetariana se rebaixe e rebaixe a sua própria natureza e a humanidade em geral, se auto-destruindo e menosprezando seus semelhantes das mais variadas formas possíveis.

O que quero dizer é que esse mundo é maluco mesmo, que entre nós existe sim muita maldade e não só entre nós, mas em toda a natureza, porque ela assim o é: contraditória, paradoxal. Existe o feio, mas também existe o belo. Existe a sobrevivência, existe a vocação, existe o agreste, o selvagem, existe o oposto de tudo isso e muito mais. E tudo isso precisa existir. O homem não pode odiar a sua humanidade nem a si mesmo, nada que existe pode. Ele deve aceitar a sua condição, mesmo que não concorde com determinadas atitudes de seus semelhantes.

E diante de tudo isso, depois de pensar muito, decidi continuar seguindo a doutrina da natureza, aonde me enquadro e até mesmo ao naturalismo artístico e literário, realista, sem deixar de excluir, de forma alguma, todo e qualquer aspecto repugnante que provenha de toda e qualquer natureza, inclusive da minha, sem jamais esquecer-me, que diante de toda repugna que existe em nossa e em toda existência, o belo é tão maior e tão mais potente que me permite ao mesmo tempo em que como um temaki ou um sanduíche de peito de perú, fazer carinho no meu cachorro, me emocionar vendo o pôr do sol, chorar ao ver animais sendo mortos por suas peles, chorar ao saber que tem amigo meu perdido em beco atrás de cocaína, sem saber se ainda ta vivo ou morto, sorrir ao ver uma criança linda e contemplar tudo de belo que me rodeia - por mais que chore pelo feio...que existe tão e somente para aprendermos o dom da contemplação do belo.

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