You're dangerous, 'cos you're honest.
You're dangerous, you don't know what you want.
Well you left my heart empty as a vacant lot
For any spirit to haunt.
You're an accident waiting to happen
You're a piece of glass left there on a beach.
Well you tell me things
I know you're not supposed to
Then you leave me just out of reach.
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna fall at the foot of thee?
Well you stole it 'cos I needed the cash
And you killed it 'cos I wanted revenge.
Well you lied to me 'cos I asked you to.
Baby, can we still be friends?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna fall at the foot of thee?
Ah, the deeper I spin
Ah, the hunter will sin for your ivory skin.
Took a drive in the dirty rain
To a place where the wind calls your name
Under the trees, the river laughing at you and me.
Hallelujah! Heaven's white rose
The doors you open I just can't close.
Don't turn around, don't turn around again.
Don't turn around your gypsy heart.
Don't turn around, don't turn around again.
Don't turn around, and don't look back.
Come on now love, don't you look back.
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna taste your saltwater kisses?
Who's gonna take the place of me?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna tame the heart of thee?
[U2 - Who's gonna ride your wild horses?]
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Na época mais pederasta do ano, diante do período de maior aprendizagem de minha vida, poderia dizer muitas coisas, mas palavras de nada adiantam. Desejo à todos, contemplação. Jamais sucumbam ao tédio. Que todas as simples coisas preencham, sempre, mas que isto não seja motivo para deixar de lutar por coisas notoriamente impossíveis. É o impossível que move a vida. Sejam piegas, ridículos, patéticos, apaixonados, loucos, drogados e imediatistas. Sejam caretas, tímidos, covardes, grandes ou pequenos. Ateus ou ortodóxicos. Liberais ou puritanos. Românticos ou Científicos. Gritem, quebrem, chorem, briguem, façam escândalo, morram. Calem, vivam, sorriam, sonhem. Não adoeçam. Adoeçam. Mas sejam amorais, façam suas próprias leis de acordo com os princípios relativistas de CADA UM, e respeitem a individualidade de todos. Respeitem a sua natureza.
Pecado é seguir as normas de alguma convenção...quando a única convenção possível é a sua para com você mesmo.
Pecado é seguir as normas de alguma convenção...quando a única convenção possível é a sua para com você mesmo.
...Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
...Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
“...porque não suportaria, sim, suportaria, suportarás, as pessoas suportam tudo, as pessoas às vezes procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo, o verso justo, a música perfeita, o filme exato, punhaladas revirando um talho quase fechado, cada palavra, cada acorde, cada cena, até a dor esgotar-se autofágica, consumida em si mesma, transformada em outra coisa que não saberia dizer qual era, porque não chegara lá ou sim, que chegar lá não passava disso, aqui passando a mão no rosto, nos cabelos, alguns brancos poucos... autopiedade nojenta, quase não havia mais tempo, embora pudesse ainda repetir there will be time, there will be time ou acaso não fui cúmplice dos meus? desses vindos da noite ou stars open among the lilies, tanta literatura andando pelo apartamento vazio, a vida, fosse o que fosse era agora, a vida era já, a vida era aqui, e o aqui e o já e o agora não passavam de uma vontade de chorar sem lágrimas, de vomitar sem náusea, de trepar sem sexo, tantos versos, tantos planos ficados para trás, só os dias rodando sem parar, o de ontem gerando o de amanhã, trazendo sempre o mesmo gosto de café e cigarros, tocou o peito, que talvez já tivesse começado a apodrecer, a coisa secreta...
Fazer-me de sentimentalóide, fingir que é demasiado doloroso escutar a musiquinha que retirei do fundo do baú [The Cure: “A letter to Elise” – na real estou morrendo de felicidade por ela existir]. Eu sou uma pseudo-sofredora porque como diz a comunidade “SOFRER É CHIC POR DEMAIS”.
E eu adoro.
... O cu, não é isso? No final das contas tudo se reduz a isso.”
Caio F. “Pela Noite” – Estranhos Estrangeiros.
Fazer-me de sentimentalóide, fingir que é demasiado doloroso escutar a musiquinha que retirei do fundo do baú [The Cure: “A letter to Elise” – na real estou morrendo de felicidade por ela existir]. Eu sou uma pseudo-sofredora porque como diz a comunidade “SOFRER É CHIC POR DEMAIS”.
E eu adoro.
... O cu, não é isso? No final das contas tudo se reduz a isso.”
Caio F. “Pela Noite” – Estranhos Estrangeiros.
[Blog é coisa de desocupado.]
Cartões de Natal.
Adoro o natal.
Eu vivo reclamando das pessoas que não ligam, que vivem sumindo blá blá [eu devo apontar para a minha própria face quando faço tais reclamações], mas tudo vira La vie en rose quando recebo uma cartinha ou um cartão de Natal de algum amigo.
Ano passado foi a Íris, acho que foi o melhor presente que eu ganhei na vida, fiquei chorando por horas...ela mandou um cartão juntamente com dezenas de fotos nossas, de nossas viajens, de nossa histórias, legendadas.
Hoje foi o Léo [amado], um daqueles amigos que a gente praticamente nunca vê, mas que ama incondicionalmente, não vê por pura negligência. Chorei de novo, coisa mais linda.
Léo, my dear, eu acho que você não vai ler isto...mas, de forma alguma, nem com a letra pré-primário [hahahaha] foi penoso de ler..nós nunca deixaremos de enxergar a luz no tempo das trevas. No nosso Brave New World, os selvagens sempre serão bem-vindos.
Adoro o natal.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Finalmente incorporei Morrissey.
Tudo que eu queria era um intelectual, de preferência de esquerda, fã de Lamarck – por mais que eu não seja [eles sabem se vestir no maior estilo “mendigo-chic”, geralmente sabem falar, são persistentes, MEU-DEUS-EU-DARIA-A-BUNDA-A-NOITE-TODA-PARA-CHE-GUEVARA], um cara assim que goste de Chico Buarque de Hollanda e Chopin, que tenha, no mínimo uma gravura de alguma obra de Gustav Klimt pendurada em alguma das paredes do seu apartamento próprio, pequeno e bagunçado, simples mas próprio, juntamente com uma sumptuosa biblioteca que tenha a obra completa de Nietzsche a Kant, de Caio F. a Jürgen Habermas, de Oscar Wilde a Aldous Huxley, quem sabe até Heidegger e tudo que uma biblioteca deve ter, ganhar flores e nos cartões poesias de Pessoa ou Florbela Espanca, almoço no restaurante marroquino, jantar no japonês, cabelo bagunçado, Woody Allen no DVD, meu Deus, M-A-N-H-A-T-T-A-N, cinemateca sexta-feira à noite, teatro na quinta, sexo selvagem sete vezes por dia só pra ser doce. Nosso primeiro encontro seria num dia de inverno, num café qualquer no meio do caos urbano, eu escrevendo um conto e ele um discurso, ele ia acender meu ciagrro.
O negócio é masturbação forever. Vou comprar um dildo de 30 cm no sexshop e imaginar que é o Che Guevara, antes dele virar um sociopata.
Como diria Caio F. em “Os Dragões não conhecem o paraíso” – Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.
Como diria Caio F. em “Os Dragões não conhecem o paraíso” – Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Eu passo muito mal...
[Papai Noel, neste natal quero a primeira edição autografada por Caio F., com amor, com carinho, de "Os Dragões não conhecem o paraíso" que estão vendendo por 450 reais - eu fui uma boa menina, eu mereço.]
...nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno porco que me ilumina e me anoitece a cada dia, e passo a passo me afundo neste charco que não sei se é o grande conhecimento de nós ou o imenso engano de ti e de mim, nos afastamos depois cautelosos ao entardecer, e na solidão de cada um sei que tecemos lentos nossa próxima mentira, tão bem urdida que na manhã seguinte será como verdade pura e sorriremos amenos, desviando os olhos, corriqueiros, à medida que o dia avança estruturando milímetro a milímetro uma harmonia que só desabará levemente em cada roçar temeroso de olhos ou de peles, os gelos, os vermes roendo os porões que insistimos em manter até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerosa para quem sabe explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele que recusamos tocar por nojo ou covardia ou paixão tão endemoniada que não suportaria a água benta de seu próprio batismo, e enquanto falas e me enredas e me envolves e me fascinas com tua voz monocórdia e sempre baixa, de estranho acento estrangeiro, penso sempre que o mar não é esse denso escuro que me contas, sem palmeiras nem ilhas nem baías nem gaivotas, mas um outro mais claro e verde, num lugar qualquer onde é sempre verão e as emoções limpas como as areias que pisamos, não sabes desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, faminta, as pequenas-esperanças, mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui.
[À beira do mar aberto – Os Dragões não conhecem o paraíso, Caio F.]
...
Se vai tentar
Siga em frente
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.
Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...
A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.
[Bukowski]
Mas que raios...quando exatamente me meti nesta arapuca?
Se vai tentar
Siga em frente
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.
Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...
A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.
[Bukowski]
Mas que raios...quando exatamente me meti nesta arapuca?
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Let us just say I was deeply unhappy, but I didn't know it because I was so happy all the time...
É exatamente assim que me sinto o tempo todo. Outro dia eu fui num curso do Rotaract e tínhamos que escrever o nome da pessoa que nos remetia ao que estava escrito num pedacinho de papel, coisas como quem é o mais sexy e tal, muitas coisas superficiais, outras nem tanto. Escreveram meu nome para algumas destas muitas coisas, mas lembro-me de ter ficado indignada pois meu nome estava lá - a pessoa mais triste do grupo. Soltei um manifesto inconformado, perguntava como era possível que fizessem tal imagem de mim, afinal de contas eu era feliz.
Não perco a mania, de certa forma inútil de questionar-me sobre as coisas – inútil porque, não importa o quanto você se questione, você nunca chegará a conclusão alguma. Mas, neste momento, eu não acredito que felicidade seja estar feliz, felicidade é ser feliz. A diferença é que para ser feliz, até o sofrimento é necessário. É preciso viver, tudo. Arrisco-me a dizer que uma pessoa que esteja feliz sempre, mente - e o faz desgraçadamente.
Nem sei bem o que quero dizer, mas talvez seja algo como...
Caralho-ser-feliz-é-chorar-no-chão-é-quebrar-a-merda-da-sua-cara-todo-dia-é-amar-e-odiar-sem-limites-enfrentar-a-porra-da-sua-vida-maravilhosa-é-estar-infeliz-pracaralho-é-a-merda-do-potencial-criativo-o-dedo-na-garganta-o-caos-e-todas-as-imundas-privadas-entupidas-e-todas-as-dúvidas-e-todos-os-fracassos-e-todas-as-perguntas-sem-respostas-e-entaõ-você-está-lá-morrendo-no-chão-olhando-pra-caixa-de-calmantes-com-vontade-de-engolir-tudo-de-uma-vez-só-e-começa-a-gargalhar-e-dá-um-grito-MEU-DEUS-COMO-EU-SOU-FELIZ.
Não perco a mania, de certa forma inútil de questionar-me sobre as coisas – inútil porque, não importa o quanto você se questione, você nunca chegará a conclusão alguma. Mas, neste momento, eu não acredito que felicidade seja estar feliz, felicidade é ser feliz. A diferença é que para ser feliz, até o sofrimento é necessário. É preciso viver, tudo. Arrisco-me a dizer que uma pessoa que esteja feliz sempre, mente - e o faz desgraçadamente.
Nem sei bem o que quero dizer, mas talvez seja algo como...
Caralho-ser-feliz-é-chorar-no-chão-é-quebrar-a-merda-da-sua-cara-todo-dia-é-amar-e-odiar-sem-limites-enfrentar-a-porra-da-sua-vida-maravilhosa-é-estar-infeliz-pracaralho-é-a-merda-do-potencial-criativo-o-dedo-na-garganta-o-caos-e-todas-as-imundas-privadas-entupidas-e-todas-as-dúvidas-e-todos-os-fracassos-e-todas-as-perguntas-sem-respostas-e-entaõ-você-está-lá-morrendo-no-chão-olhando-pra-caixa-de-calmantes-com-vontade-de-engolir-tudo-de-uma-vez-só-e-começa-a-gargalhar-e-dá-um-grito-MEU-DEUS-COMO-EU-SOU-FELIZ.
Estar feliz deve ser a maior infelicidade desta vida. Deve ser puro tédio, eu juro.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

"Caio F. me basta, mais nada."
É como diz o prefácio do meu romance [que pode ser modificado a qualquer momento...]: ...O único meio de abrigar-se da solidão nos dias de hoje é através da arte – aonde a beleza, a magia, o sonho e a compreensão ainda são possíveis. Não há forma de sobrevivência, senão pela contemplação e pela realização de coisas contempláveis.
Caio F. me entenderia...certeza.
Porta-Retrato [Fragmentos - 8 histórias & 1 conto inédito.]
Tinha secado: esse era talvez o ponto. Não a palavra exata, que já não tinha essas pretensões, mas a mais próxima. Sabia pouco a respeito de árvores, ou sabia de um jeito não-científico, desses de tocar, cheirar e ver, mas imaginava que o processo interno de ressecamento começasse bem antes da morte aparecer no verde brilhante das folhas, na polpa dos frutos ou na casca do tronco. Não era evidente nem externo ou explícito o que padecia. E padecia? perguntava-se detalhando os traços com as pontas dos dedos, nada que revelasse na umidade da boca ou num contorno de nariz — uma dor? Não era assim. Gostaria de voltar atrás, com sentimentos curtos e claros feito frases sem orações intercaladas, iluminar aos poucos, um mineiro, uma lanterna, o poço fundo, uma linguagem? A unha batia contra o dente. Contatos assim: uma coisa definida chocando-se com outra definida também. E não só contatos, emoções, linguagens. Quase analfabeto de si mesmo, sem vocabulário suficiente para explicar-se sequer a um espelho. Não queria assim, esses turvos. Não queria assim, esses vagos. Sem nenhum humor. Sem nada que pulsasse mais forte que o frio cuidado com que desordenava-se, um gole disciplinado de vodca quando alguma corda do violino rebentava em plena sinfonia e, no meio do palco, impossível deter o acorde. Unicamente imagens assim lhe ocorriam, essa coisa das árvores, das gramáticas, das minas, dos concertos. Elegantemente, sempre. As luvas brancas, as longas pinças esterilizadas com que tocava sem tocar o todo, o tudo e o si. Um vício que lhe vinha quem sabe da mania de ouvir música erudita, mesmo enquanto apenas vivia, antes os fones nos ouvidos que os gritos na vizinhança. E por mais que afetasse um ar de quem lentamente cruza as pernas em público, puxando com cuidado as calças para que não amarrotassem, saberia sempre de sua própria farsa. Tão conscientemente falsa que sua inverdade era o que de mais real havia, e isso nem sequer era apenas um jogo de palavras. A grande mentira que ele era, era verdade. Ou: a mentira nele nunca fora fraude, mas essência. Seu segredo mais fundo e mais raso, daí quem sabe a surpresa branca de quando ouvira um quase-amigo dizer que não passava de uma personagem. Prometera-se sentimentos sem intercalados, mas sentia agora uma necessidade de explicar ao ninguém que superlotava sua constante platéia, com ele sempre fora assim: quase-amigos, nada de intimidades. Mas voltando atrás no ir adiante: uma surpresa quê. Não, não uma surpresa quê. Uma não-surpresa surpreendida, pois como e porque se fizera visível e dizível naquele momento o que nem sequer alguma vez escondera? Perdia-se, não eram teias. Nem labirintos. Fazia questão de esclarecer que sua maneira torcida não se tratava de estilo, mas uma profunda dificuldade de expressão. Por esse lado, quem sabe? As emoções e os pensamentos e as sensações e as memórias e tudo isso enfim que se contorce no mais de-dentro de uma pessoa — tinham ângulos? Havia lados mais como direi? Fragmentava-se: era os pedaços descosturados de uma colcha de retalhos. Pedia atenção aqui, por favor, mais por gestos, entonações ou simplesmente clima, e regirava: era os retalhos, um por um, não a colcha, ele. Desde o xadrez vermelho ao cetim roxo sem estampa, e assim por diante, todos. Quase parava de aborrecer-se então, como quem troca súbito uma peça para violino e cravo por um atabaque de candomblé. O leve tédio suspenso como poeira espanada logo voltava a desabar. O bocejo era a compreensão mais amarga que conseguia de si mesmo. E posto isso, cabia a seguir qualquer atitude desesperada como casar, tentar o suicídio, fazer psicoterapia ou um concurso para o Banco do Brasil. Localizava-se, mais fácil assim, dando nome às coisas. Um entusiasmo tênue como o gosto de uma alface. Isso, estar, ser. Uma vontade de interromper-se aqui, paladar estragado pelo excesso de cigarros tentando inutilmente dar um nome ao gosto que fugia entre os dentes. Em algum quarto, há muito não sabia de línguas no seu corpo, ou tão sabidas tinham se tornado que. Vacilava entre a certeza quase absoluta de estar alcançando qualquer coisa próxima de uma sabedoria inabalável, alta como um minarete, gelada como um iceberg — melhor assim: uma montanha de compreensão sem dor de todas as coisas. Ou, talvez o ponto, nem icebergs, nem minaretes — mas árvore. Inventava com os olhos no ar vazio à sua frente um verde copado de sumarentos frutos, como se diria num outro tempo, se é que alguma vez se disse, dizia sim, dizia agora, desavergonhado e frio. Verde copado de sumarentos frutos. Folhagem de seda lustrosa. Tronco pétreo ancestral. O seco invisível como verme instalado no de dentro. Impressentível, sob a casca, caminhando lento, questão de tempo, apenas, e semente contendo o galho crispado, mão de bruxa, roendo. Tinha dois olhos duros. Dois olhos grandes de quem vê muito, e não acha nada. Tinha secado, era certamente esse o ponto. Nunca a palavra exata, esclarecera de início. Já não tinha mais essas pretensões.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007

"...Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''
E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.
Frida Kahlo...após anos sendo traída pelo seu marido, este lhe diz que a fidelidade é uma virtude burguesa e então ela responde: -"Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar a minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade."
XD.
XD.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Ai, essas adaptações...
Quem sofre de insônia, acaba se divertindo muito. Hoje, por exemplo sem querer acabei assistindo o filme que passou na Sessão Brasil, na globo: Nina. Toda e qualquer coincidência com “Crime e Castigo” do Dostoiévski não é mera coincidência, já que o filme é uma tentativa de adaptação da obra e logo na primeira frase isto já é perceptível. O filme começa com a forma com que Raskólnikov dividia as pessoas: ordinárias ou extraordinárias. Uma verdadeira chacota, seguido pela pergunta da amiga de Nina: -Sou ordinária ou extraordinária? A própria Nina não poderia ser uma adaptação de Raskólnikov, já que estava muito longe de ser uma pessoa extraordinária, aliás ela estava longe de qualquer intenção ou idéia de melhorar o mundo ou coisa parecida.
O filme é bem feito e é bom, a única coisa que mata é a tentativa de adaptar Dostoiévski. O assassinato é cometido completamente fora de propósito, já que se tratava de uma adaptação; toda e qualquer filosofia não é ali aplicada como foi por Dostoiévski. Afinal de contas ninguém neste mundo precisaria de filosofia alguma para matar aquela velha chata. Não é à toa que Nina acaba saindo impune de seu crime. De qualquer forma, valeu para passar o tempo.
O filme é bem feito e é bom, a única coisa que mata é a tentativa de adaptar Dostoiévski. O assassinato é cometido completamente fora de propósito, já que se tratava de uma adaptação; toda e qualquer filosofia não é ali aplicada como foi por Dostoiévski. Afinal de contas ninguém neste mundo precisaria de filosofia alguma para matar aquela velha chata. Não é à toa que Nina acaba saindo impune de seu crime. De qualquer forma, valeu para passar o tempo.

Achei interessante a proposta dos Correios para alegrar o natal das crianças carentes e estou divulgando.
As crianças enviam uma carta ao papai-noel com seus pedidos e você será o papai-noel de uma dessas crianças.
As crianças enviam uma carta ao papai-noel com seus pedidos e você será o papai-noel de uma dessas crianças.
“O destinatário do projeto é a criança que envia pelos Correios uma cartinha ao Papai Noel. As cartas que partem das comunidades carentes em todo o País são separadas e colocadas à disposição da sociedade para quem quiser adotá-las...”
Você pega a carta e entrega o presente na própria agência dos correios até dia 20 de dezembro e o mesmo encarrega-se de entregar.
Você pega a carta e entrega o presente na própria agência dos correios até dia 20 de dezembro e o mesmo encarrega-se de entregar.
sábado, 8 de dezembro de 2007

"Espojar-se na lama não é a melhor maneira de ficar limpo."
Cada vez mais convenço-me de que o que nos uniu foi aquilo que aparentemente destitui-nos.
Quando penso em você, estiolo-me; somos assustadoramente parecidos.
Carregamos o mesmo fardo, me impressiona. Assim como eu, você não goza da regalia do erro; arrisque-se e perceberá que sempre irá pagar um preço absurdo pelo acaso.
- E seria isto azar ou mediocridade, seríamos nós os malditos?
O oposto. Nosso fardo é proporcional à nossa grandeza, talvez ele seja ela própria.
Aceite-o.
Jamais seremos como eles...jamais.
"Todos os moralistas estão de acordo em que o remorso crônico é um sentimento dos mais indesejáveis. Se uma pessoa procedeu mal, arrependa-se, faça as reparações que puder e trate de comportar-se melhor da próxima vez. Não deve, de modo algum, pôr-se a remoer suas más ações. Espojar-se na lama não é a melhor maneira de ficar limpo."
E ainda tem gente que pula o prefácio.
domingo, 2 de dezembro de 2007
A monografia.
Marcam a apresentação para as 8 e meia da manhã, mas você só começa a falar meio dia. Você se empenha meses e isto se torna a sua vida e quando você chega lá para expor o seu filho eles te falam que está tudo atrasado e que você só tem cinco minutos.
Como expor o trabalho da sua vida em cinco minutos? E ainda por cima, eles se apegam no ponto que tem menos importância entre todos, no ponto mais lógico, no ponto menos subjetivo. E toda a minha reflexão? A minha reflexão sobre as atitudes sociais, individuais, o justo e o injusto? Provavelmente ninguém da banca leu.
Enfim, me formei.
O mais engraçado é observar o quanto as monografias dizem sobre as pessoas, fascinante. Uma colega por exemplo, um doce, um doce mesmo de pessoa fez sobre adoção, refletindo a bondade, a caridade, o caráter e tudo mais que ela leva consigo. Minha outra amiga, forte, crítica fez sobre o Tribunal do Júri e assim por diante.
Eu me sinto até constrangida quando as pessoas pedem pra ler meu trabalho...sou eu, ali, escrita, inteira. Toda a minha apologia ao individualismo e a inconformação com a injustiça...e o que mais escuto daqueles que me conhecem bem é: - Pense mais em você, você pensa demais nos outros. Pare de querer ser a mãe de todos.
Talvez essa seja minha forma de pensar em mim mesma. Se puder melhorar a vida de alguém em 0,1%, a minha já melhora 500%. Dentro dos meus limites é claro, não sou Jesus Nazareno.
É, acabou mais uma etapa.
Que curso prestarei ano que vem? Quero tantos, que não sei por qual começo.
Como expor o trabalho da sua vida em cinco minutos? E ainda por cima, eles se apegam no ponto que tem menos importância entre todos, no ponto mais lógico, no ponto menos subjetivo. E toda a minha reflexão? A minha reflexão sobre as atitudes sociais, individuais, o justo e o injusto? Provavelmente ninguém da banca leu.
Enfim, me formei.
O mais engraçado é observar o quanto as monografias dizem sobre as pessoas, fascinante. Uma colega por exemplo, um doce, um doce mesmo de pessoa fez sobre adoção, refletindo a bondade, a caridade, o caráter e tudo mais que ela leva consigo. Minha outra amiga, forte, crítica fez sobre o Tribunal do Júri e assim por diante.
Eu me sinto até constrangida quando as pessoas pedem pra ler meu trabalho...sou eu, ali, escrita, inteira. Toda a minha apologia ao individualismo e a inconformação com a injustiça...e o que mais escuto daqueles que me conhecem bem é: - Pense mais em você, você pensa demais nos outros. Pare de querer ser a mãe de todos.
Talvez essa seja minha forma de pensar em mim mesma. Se puder melhorar a vida de alguém em 0,1%, a minha já melhora 500%. Dentro dos meus limites é claro, não sou Jesus Nazareno.
É, acabou mais uma etapa.
Que curso prestarei ano que vem? Quero tantos, que não sei por qual começo.
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