quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tinhaterapia.
[FIM.]


Desencana do resto, da “visão política”, da “visão religiosa”, romântica, psicológica, terapêutica e de toda essa ladainha nonsense. Ademais, praticamente ninguém é capaz de entender o que é anarquismo, liberdade e individualismo.
Encheu o saco. Resumindo: Foda-se.
[Inclusive todas as terapias.]


Wilde desprezaria-me até sua triste morte se me escutasse dizer que às vezes acho que me torno um pouco daquilo que leio – ou assisto – ou escuto, whatever. Torno-me até a condição climática. Chamar-me-ia de imoral... Mas até que ponto posso eu, ser influenciada, se apenas consigo entreter-me quando empatizo? Qual a diferença entre a influência e o inconsciente coletivo? Qual a diferença entre eu e você? Wilde se contradiz. Hora diz que “Toda influência é imoral”, para depois dizer que se Bosie fosse escrever algo em sua parede para que o sol pudesse dourar, deveria escrever em letras garrafais: “Tudo que acontece ao outro, acontece também comigo.” Não que eu o julgue; mostre-me algo que faça sentido e logo então o fato de Morissey ter usado no auge da banda uma camiseta com a cara de Wilde estampada com os dizeres: “Smiths is dead” terá sido a coisa mais sensata já feita. Anyway, necessário agora é um pouco menos de Wim Wanders, do Livro do Desassossego, uma pitada a mais de Bukowski, uma boa dose de Woody Allen e uma overdose de Huxley, Roberto Freire e Harry. Está fazendo sol, ainda bem.


Vou de Huxley...


Um homem não pode abolir completamente suas sensações e seus sentimentos, a menos que se mate fisicamente. Mas ele pode depreciá-los. E, de fato, é isso o que faz um grande número de pessoas inteligentes e cultivadas – deprecia o humano, no interesse do inumano. Seu motivo é diferente do dos cristãos; mas o resultado é o mesmo. É uma espécie de autodestruição. É sempre a mesma coisa, a cada tentativa que se faz de ser algo melhor do que um homem, o resultado é sempre o mesmo. A morte, uma forma ou outra de morte. Tentamos ser o mais do que somos por natureza e matamos qualquer coisa em nós e nos tornamos muito menos do que éramos. Estou cansado de todas essas asneiras sobre a vida superior e o progresso moral e intelectual, estou cansado da existência pelo ideal e do mais que segue. Tudo isso leva à morte. Com a mesma certeza com que viver para o dinheiro leva à morte. Os cristãos, e os moralistas, e os estetas cultivados, e os jovens e brilhantes homens de ciência, e os homens de negócios – todas essas pobres rãzinhas humanas que tentam inflar-se para se transformarem em bois de pura espiritualidade, de puro idealismo, de pura eficiência prática, de pura inteligência consciente, acabam simplesmente estourando e ficando reduzidas a coisa nenhuma a não ser fragmentos de rã – e fragmentos putrefatos, ainda por cima. Tudo isso junto é uma vasta estupidez, uma mentira imensa e repugnante. O teu pequeno São Francisco, esse fedorento, por exemplo. – Mark Rampion voltou-se para Burlap, que protestou. – sim, um fedorento – insistiu Rampion. – Um homenzinho bobo e vaidoso, que tenta encher-se de vento até se tornar um Jesus, e que consegue apenas transforma-se em fragmentos repugnantes e malcheirosos dum verdadeiro ser humano. Um homem que andava a colecionar sensações e a se excitar, lambendo os leprosos! Ui! Que sujeitinho pervertido e repugnante! E se julga bom demais para dar um beijo numa mulher; quer estar acima de todas as coisa vulgares, como o prazer natural e saudável – e o único resultado é que ele mata o menor grão de virtude humana que podia ter em si.
[Contraponto.]


É...toda a arte é absolutamente inútil. Exatamente por esta razão agora vou entreter-me na arte da decoração de meu novo quarto. Nada poderia me dar mais prazer!


Au revoir.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cancela! Acabei de chegar!

Cancela o ataque neurótico "Fight Club", somado ao complexo de Jesus Cristo "não-sou-materialista-e-extremamente-altruísta-e-tenho-que-sofrer-na-cruz". NADA CONTRA JESUZINHO LINDO, of course, mas como cantaria Zeca, "Bye Bye Miserê...au revouir miserê/Finesse s'ilvous plait".

Ontem minha mãe saiu pra me comprar roupas e eu disse NÃÃÃÃÃO! Não quero mais comprar roupas, quero me desprender de todo e qualquer materialismo, aí juntei um monte de roupas e levei pra campanha do agasalho hauhauhahua. Mas ela não respeitou meu pedido, disse que era um absurdo eu querer ser a pobre de Paris e comprou roupas novas pra mim. Confesso que os bois novos no meu armário melhoraram o meu humor em 200%.

Agora o mais absurdo foi dizer que Paris não resolveria o meu vazio! Até parece que eu estaria infeliz em Montmartre ou em Saint-Germain-des-Prés, com todos aqueles sebos no meio da rua com todos aqueles livros deuses ilustrativos de arte e todos os livros possíveis. Até parece que eu não ia estar dando pulos ao tomar café no Café de Flore ou no mesmo café que Sartre, Simone de Beauvoir, Truffaut frequentavam. Até parece que eu não ia ter uma síncope explosiva de contentamento mostrando os peitos no Moulin Rouge e amanhecendo bêbada no Château de Versailles igualzinho Marie Antoinette ou tirando uma foto imitando a Vênus de Milo escondida no Louvre hahahaha.

Até parece que eu vou estar infeliz em São Paulo, no meu ap deuso, com a minha melhor amiga. Até parece que eu vou achar ruim ser diplomata ou até parece que eu acharia ruim ter um salário milionário.

E acima de tudo, até parece que eu prefiro ficar sozinha do que dormir com aquele idiota indie [que odeia quando é rotulado!], ficar dopada de hipnótico, virar um cadáver e jogar o coitado pra fora da cama. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ficar discutindo assuntos nerds com ele, como tópicos toscos de comunidades toscas do orkut. Até parece que eu prefiro ficar sozinha do que ver aquele idiota carimbando notas "seja vegetariano" e achando isso um absurdo. Até parece que prefiro ficar sozinha do que ser acordada por ele aos tabefes.

Até parece que brigar com ele, com a minha melhor amiga e com a minha mãe faz algum sentido.

Quando der a louca, me levem pro Bairral, sem pensar duas vezes.

;*

terça-feira, 17 de junho de 2008

Tinhaterapia.

[Tinhaterapia?? Purrff...]


"Será horrível demais querer aproximar-se dentro de si mesmo do límpido eu? Sim, e é quando o eu passa a não existir mais, a não reinvidicar nada, passa a fazer parte da árvore da vida - é isso que luto para alcançar. Esquecer-se de si mesmo e no entanto viver tão intensamente."

[Clarice Lispector - Um Sopro de Vida.]


Tudo que queria era ser livre. Livre dos outros, das coisas e de mim, principalmente. Carrego inúmeras culpas comigo e sempre castigo-me a fim de obter alguma auto-absolvição. Jamais consegui. Às vezes penso que talvez fosse bem mais cômodo acreditar que rezando um terço, tudo se resolveria, mas já não sou capaz. Não é Jesuzinho, nem deus, nem os outros. Não é o perdão alheio que tanto almejo. Duvido muito que alguém me culpe pelo que for. Prejudiquei-me tantas vezes, insuportável. Não posso dizer que realmente arrependo-me. Mas já não consigo mais permanecer em qualquer situação de realização. É do peso que gosto, do conflito interno. Resolvi ignorar quase absolutamente tudo. O que mais desejo é levar uma vida desprendida, com exceção do apego às artes. Sou incapaz de esquecer os livros, os filmes, as músicas, a poesia, a pintura e toda e qualquer manifestação de beleza, de vida. Tentei, mesmo.Conclui que posso passar a vida apenas lendo, escutando e admirando. As pessoas me interessam, mas não quero que me notem, o que torna o convívio bastante difícil. Alguns talvez podem considerar-me pedante e sob algum paradigma, talvez seja. Mas não é isto. Não deixei de amar, não me considero de forma alguma superior. Sei e conheço bem meus defeitos e tenho a consciência de que não sou diferente dos outros – não sou melhor, nem pior, sou demasiadamente humana e sou também alguma espécie de entidade única - assim como tudo na vida, na natureza, uma fonte infinita de paradoxos. Cansei-me de tentar compreender. Percebi que sempre estive só e dei fim a ditadura da companhia, seja ela de meus entes queridos, ou de qualquer outra coisa que prometa sanar a solidão ou alguma socialização. Perdão. Talvez não me ache digna. Não digna do paraíso celestial, terreno ou aquele que os dragões não conhecem ou de qualquer premissa religiosa ou mistificadora. Não acredito mais, não acho que seja possível. Sou deusa e dona de meus atos, de minha vida. Não devo satisfações a mais ninguém, além de mim mesma – que peso! Desejo uma espécie de inferno paradisíaco [a]religioso, anárquico de liberdade, onde não há hierarquias, cobranças nem censuras de espécie alguma. Não consigo mais distinguir a diferença entre destruir e construir.

Above all, custa admitir...que sim, que eu gosto, que eu amo e que odeio absurdamente ser forçadamente sozinha e que jamais vou conseguir mudar. Que assim como Caio, sei que sempre vai faltar alguma coisa e que não são os outros que vão resolver este vazio, que eu não vou resolver, que deus não vai resolver, nem Zeus, nem Prometeu, nem as Moiras, nem a fluoxetina, nem um salário milionário, nem Paris, nem apartamento novo, nem São Paulo, nem Itamaraty, nem. E que cada tentativa que abandono, aumenta o gosto de morangos mofados na minha boca. It’s so bitter and so sweet and i’m so addicted to this...samsara.

Bom, talvez Bukowski, Depeche Mode, Placebo, Woody Allen, Cainho, Wilde, o Word, talvez.

Nunca sei como terminar posts mesmo. A princípio era em terceira pessoa, seria tão mais fácil e covarde me esconder atrás de algum personagem “fictício”, mas não...

I don’t want comfort, I’m not looking for shelter...já disse que no meu “Brave New World” os selvagens sempre serão bem vindos e a selvageria começa por mim. Qualquer um capaz de rejeitar qualquer espécie de soma, qualquer um que seja capaz de isolar-se num farol e terminar se auto-enforcando após trair-se estará próximo de mim.


domingo, 15 de junho de 2008

You and I got something
But it's all and then it's nothing to me
And I got my defenses
When it comes to your intentions for me
And we wake up in the breakdown
Of the things we never thought we could be...

I'm not the one who broke you
I'm not the one you should fear
Wake up to move you darling
I thought I lost you somewhere
But you were never really ever there at all...

[...]

I have no solution
To the sound of this pollution in me
And I was not the answer
So forget you ever thought it was me

I'm not the one who broke you
I'm not the one you should fear
Wake up to move you darling
I thought I lost you somewhere
But you were never really ever there at all...

[Goo Goo Dolls - Here is Gone.]
 
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