Tinhaterapia.
I – Do individualismo.
Parte 1 – Coletânea.
“Me tornei inerte, não opinino mais, ou ao menos, tento não opinar por mais que peçam a minha opinião, porque ela não tem utilidade nenhuma pra ninguém, muito menos meus conselhos. Passei muito tempo sofrendo pelos outros, não por coisas que fizeram a mim, mas por coisas que fizeram à eles mesmos. E qualquer coisa de ruim que uma pessoa faça contra a sua identidade me afeta, é como se fosse comigo, é como se tirassem alguma coisa de mim também. Desta forma, roubam o meu sonho individualista.”
“E foi então que me lembrei do individualismo , de Oscar Wilde e de Jesus de Nazaré e lembrei da célebre frase: ’Sê tú mesmo’. Seguida de Oscar de que qualquer pessoa que tivesse qualquer coisa de empatia com Cristo deveria ser inteira e absolutamente fiel a si mesmo...”
“Não vou cometer aqui o absurdo de dizer que me encontro com Oscar em sua genialidade, apesar dessa ser a sua maior qualidade. Me encontro com ele nos sentimentos e nos sentidos. Mas além dos sentimentos e dos sentidos, ele é meu preferido pela genialidade – para mim INCOMPARÁVEL a qualquer outro escritor. Ele mesmo se mistificou e tinha toda a razão: ELE REALMENTE ERA O REI DAS PALAVRAS. Era capaz de dizer tudo em uma frase ou em uma epígrafe e chocar diante de tanta imaginação e genialidade qualquer pessoa com um mínimo de humanismo. Aliás a imaginação era sua qualidade preferida entre os humanos – nesse ponto eu concordo com ele – a capacidade de imaginar o ser e os seus ideais – a capacidade de imaginação no geral, inclusive no sentido de compreensão, porque muitas e muitas vezes não conseguimos imaginar que as pessoas se encontram em situações diferentes da nossa, mas que deveríamos imaginar porque podemos passar por elas – apesar de sempre desejarmos ser diferentes de todo mundo. A capacidade de imaginar, diante de todo o nosso individualismo, nós, na situação do outro. E talvez – apenas sob o individualismo sejamos capazes de desenvolver tal qualidade. Individualismo parece uma palavra banal e simples, mas é muito difícil de ser explicada e só pode ser entendida diante da humildade – de aceitar quem quer que seja, a situação que seja, inclusive você mesmo e isso nada mais é do que respeitar o individualismo alheio e pra isso só sendo individualista. Enfim, como eu disse, é muito difícil explicar e esse nem é o principal, apesar de ser um dos assuntos tratados aqui hoje.”
“‘Dia do Cansei’ – WHAT A JOKE! Está cansado? Eu já estou cansada faz tempo! Eu só acho que se as pessoas se preocupassem mais com os seus próximos ao invés de querer salvar o mundo com um minuto de silêncio o mundo todo seria bem melhor. E não estou falando de altruísmo forçado não, é só amar o próximo, porque se não ama, não é próximo. E tratar bem o próximo é a coisa mais instintiva e prazerosa que existe.É como Wilde disse em “A alma do homem sob o socialismo” – ‘Deveríamos ser solidários com a vida em sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na beleza, na energia, na saúde e na liberdade. A solidariedade mais ampla é, naturalmente, a mais difícil: exige maior altruísmo. Qualquer um pode se sentir solidário na dor sofrida por um amigo, mas é preciso uma natureza muito superior - a natureza de um verdadeiro Individualista - para se sentir solidário no êxito alcançado por um amigo.’ – quando o homem tiver alegria na contemplação da alegria de seu semelhante. E tudo isso só pode ser obtido através do Individualismo.Sei lá comigo sempre foi assim, sempre me senti feliz com a alegria daqueles que amo, sempre simplesmente desprezei as pessoas que eu não gostava, não lhes desejando nem bem, nem mal, é indiferente, eu nem lembro que elas existem. Quanto às desigualdades sociais, não vou ser hipócrita e dizer aqui que todas as merdas que acontecem no mundo não me tocam de certo modo, sou altruísta sim da forma mais egoísta possível fazendo o que está ao meu alcance. Mas não fico me matando por dentro pelo sofrimento do mundo.Muitas pessoas me criticam por eu me preocupar demasiadamente com a minha mãe; perdão se vocês querem fazer um minuto de silêncio pelo mundo mas não enxergam as necessidades de quem colocou vocês no mundo e a vocês dedicou parte da vida da melhor forma que pôde. Pra mim é muito mais importante fazer algo por ela e não só por ela mas por todos aqueles que sinto afeição do que fazer um minuto de silêncio. E se todo mundo pensasse assim, não teria necessidade de um minuto de silêncio.”
...”Sou como um estabelecimento.
Posso mudar de dono,
de localidade,
de semblante;
Fadado ao desamparo,
ou ao êxito.
Aqueles que chegam, bem como os que saem
fazem minha história.
Porém, além das influências
e do significado que tenho aos que me consomem;
da estória que cada um conta ou da estória que deixaram pra contar;
Contudo, estabelecimento”
“As pessoas estão preocupadas DEMAIS com a vida alheia. Que coisa mais chata!
Eu já disse pra quem perguntou porque diabos eu pratico o altruísmo, porque me envolvo em projetos sociais. Não se enganem! Não é porque eu quero ser Jesus de Nazaré ou a Madre Tereza de Calcutá. É porque eu simplesmente gosto, é um lance completamente egoísta saca? Eu posso perder o ônibus da viagem que eu planejei, mas eu não perco a hora da vacinação contra a raiva ou do almoço do asilo, se realmente estiver a fim de ir. Eu não vacino os cachorros, eu faço as carteirinhas e as anotações HAHAHAHHA...eu não tomei as vacinas, então não posso e se pudesse não sei se faria, acho meio desagradável então não faço, mas contribuo da minha forma.
É legal sabe, você ver outras pessoas, outras perspectivas, formas de vida diferentes da sua. Sábado passado passei a tarde num bairro "rural" daqui na vacinação...putz foi tão legal ver a vida daquelas pessoas tão diferente da minha, trocar experiências, ganhar caldo de cana, ver um gatinho lindo tão fofo! E um cão que chama Bin Laden! UHAUHAUHAUHAUHAUHAHU, mas que era um doce de cão. Isso me fez esquecer por horas coisas chatas. É por isso que eu faço. Mas não se iluda, no momento em que eu saio do asilo, no momento em que acaba a vacinação e eu chego em casa eu não penso mais nisso. Eu não me comovo. Eu começo a pensar na balada de sábado à noite ou coisa do gênero, mesmo que tenha acabado de ver 10 mil pessoas "miseráveis", no sentido da pobreza monetária. Na realidade acho que sofro mais por Oscar Wilde do que pelo pobre. Chamem de futilidade ou do que quiserem, eu não ligo.
“Vejam bem, quando temos um ente querido, a coisa mais natural do mundo é querer ver ele bem. Se você vê que tem algo errado, que faz mal a ele, que faz ele infeliz, você aconselha, isso não significa que você se intrometa ou viva a vida dele. Um conselho não é uma crítica. Você aconselha e deixa ele fazer o que quiser com isso, você o abandona para que o ente faça o que quiser com a vida dele. Mas daí a passar o tempo falando da vida alheia, criticando a vida alheia, cara isso é chato demais!
Tô de saco cheio de críticas e ataques! Por um mundo mais individualista! É isso que eu admiro e que alguns não entendem!
E por falar em Oscar Wilde, leiam vai, leiam a alma do homem...(sob o socialismo)! [E eu não sou socialista, que fique claro, mas a obra em si fala mais do individualismo do que do socialismo, é uma integração muito interessante].
VIDA, VIDA, VIDA, VIDA, VIDA! Nem que pra isso você tenha que morrer. Mas morra vivendo.”
“Se eu critico quem se preocupa demais com a vida alheia é porque eu realmente acho que essas pessoas poderiam fazer algo de melhor com as suas próprias vidas!
Eu sei que eu sou exagerada ao extremo! Rude sometimes, escrotona mesmo. Mas é a minha indignação expressa. Eu sou impulsiva, essa é a minha saúde mental! Eu gosto dos impulsos, das alegrias, das tristezas, eu gosto de qualquer coisa que me faça sentir VIVA ou que me MATE! Tudo de mais INTENSO possível. O que eu não suporto é o meio termo, o tanto faz, o vaziooo!!!
O que eu adoro é deixar de lado todos os meus afazeres, mandar tudo pra puta que pariu e ficar aqui escrevendo merda ou chorando, ou rindo, ou roubando o vinho da minha mãe e enchendo a cara, saindo sem destino no meio da madrugada pra dar uma volta no morro das 7 curvas e ver dezenas de estrelas cadentes, sair de casa as cinco da tarde e voltar as seis pra ficar vendo meu amado sunset. Mesmo que isso me faça ficar sem dinheiro! O que eu não suporto é me prender à obrigações, ficar reclamando da falta de tempo, vivendo como uma máquina que não para de trabalhar nunca, que tem hora marcada até pra sentar com a mãe e conversar meia hora! O que eu não suporto é "viver a vida levando"! E eu andava fazendo isso, mas parei, acabou. A louca assume e a monstra sai. E a doida de pedra varrida é vazia, tanto quanto a monstra. E só eu sei o que cada uma delas realmente significa. Só eu sei o inferno e céu que elas representam.”
“Desejo à todos, contemplação. Jamais sucumbam ao tédio. Que todas as simples coisas preencham, sempre, mas que isto não seja motivo para deixar de lutar por coisas notoriamente impossíveis. É o impossível que move a vida. Sejam piegas, ridículos, patéticos, apaixonados, loucos, drogados e imediatistas. Sejam caretas, tímidos, covardes, grandes ou pequenos. Ateus ou ortodóxicos. Liberais ou puritanos. Românticos ou Científicos. Gritem, quebrem, chorem, briguem, façam escândalo, morram. Calem, vivam, sorriam, sonhem. Não adoeçam. Adoeçam. Mas sejam amorais, façam suas próprias leis de acordo com os princípios relativistas de CADA UM, e respeitem a individualidade de todos. Respeitem a sua natureza.Pecado é seguir as normas de alguma convenção...quando a única convenção possível é a sua para com você mesmo.”
“Os motivos que nos fazem levantar de manhã não são nossos esforços, muito menos nossos sonhos, ambições perdidas de uma vida completamente nonsense e inexistente. A única coisa que talvez valha a pena são os 5, 10, 3, 0.1 minutos, segundos horas de compreensão entre duas ou mais pessoas – momentos tão raros. Agradeço, sempre, aos que não me julgam, aos que me aceitam, aos que entendem que por trás de minhas ações, paranóias ou seja lá o que for eu não preciso de uma justificativa nem de nenhum plano mirabolante para absolutamente nada. E talvez a coisa que mais me deprima, ironicamente [por ser incongruente ao meu amor pelo existencialismo e pelo individualismo], são todos aqueles que escolheram não viver [me irritam e estou rodeada deles].”
Parte 2 – Pré-“conclusão.”
Já cansei de escrever sobre este assunto, como vocês bem podem perceber. Se discuto a questão do vegetarianismo e derivações, por exemplo, não é por ter algo contra nem a favor dos vegetarianos em si e sim pelo MEU próprio questionamento acerca do assunto e suas vertentes. Assim como tudo, quero me questionar, quero descobrir, quero pesquisar, quero chegar a um termo, a alguma verdade pessoal. Essa questão é absolutamente e unicamente existencial. Se meto o pau na cocaína, assim como me admito [hoje em dia nem tanto] dependente de barbitúricos, ex-usuária de anfetaminas e derivados é por uma simples razão: na minha concepção isso tudo faz muito mal pra quem usa.Tenho eu alguma coisa com a vida alheia? NÃO. Mas posso manifestar minha opinião, minha preocupação e dividir minhas experiências. Nem estou aqui para discutir as razões que levam as pessoas a utilizarem tais substâncias, se é para suprir algo ou por simples vontade, eu sei lá. Já me vi cercada de gente se dando mal por causa disso [inclusive eu mesma], talvez por isso tenha, durante, muito tempo me preocupado tanto. Mas quer saber? Eu já disse que não sou Jesus Nazareno, então, problema de cada um. Podemos gritar por ajuda, mas a única pessoa capaz de nos ajudar realmente, somos nós mesmos, se assim acharmos necessário.
E também não vou ficar aqui manifestando minha visão de individualismo mais uma vez, Oscar Wilde já fez isso por mim e por quem quer que sinta empatia por seus pensamentos. Não quero que ninguém seja como eu, se é que sou alguma coisa. Nunca fui fã da banalização e diante disso, não gostaria de me auto-banalizar. Mas sou a favor da libertação das amarras impostas, sejam elas por educação, por valores impostos pela religião, pela família, pelas pessoas que você ama, admira e respeita e por tudo que sempre te rodeou. É difícil, eu bem sei. Dói, dói, dói, assim como dói quando a criança descobre que papai noel não existe. O vômito [tanto o figurativo quanto o físico] também é tão desagradável, mas depois o mal-estar passa, dando lugar ao bem-estar. Então não quero impor nada, mas o que seria melhor? Continuar com aquele maldito mal-estar? Ou enfiar o dedo goela abaixo, ter a sensação desagradável do vômito para no fim das contas sentir-se bem? Sou a favor da busca do auto-descobrimento e se isto é realmente possível, eu infelizmente, não posso responder. Mas posso tentar e vou morrer tentando ser “eu mesma”.
[continua...]
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