sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pausa.



Ou a Tinhaterapia funciona mesmo ou estou sofrendo de alguma moléstia muito grave. Sábado passado acordei com uma gripe violenta, fiquei de cama até quarta feira, quando ao melhorar dei-me conta de que estava com uma dor insuportável na boca, eram os meus DOIS dentes do ciso do lado esquerdo querendo saltar pra fora. Agora, o juízo do lado direito se quiser aparecer, vai ser só depois dos 50 anos. De qualquer forma, vou arrancar esta porcaria que não aguento mais de dor. Bom, enfim, como se não bastasse eu ter passado o final de semana do feriado e mais metade da semana de cama, meu pc quebrou e cortaram meu telefone, eu não tenho um puto no bolso e agora que melhorei, fiquei menstruada no final de semana. Na quarta feira fui doente ver meu namorado e ele me tratou extremamente mal.



Era pra eu ter me matado, não era?
Mas, tô rindo à toa, juro.


Deve ser moléstia grave.

;*

sexta-feira, 23 de maio de 2008

II – Da existência [?].
[“Os assassinos estão livres; nós não estamos.”]


1. Coletânea.

“A única coisa da qual não me isolo é a natureza saca? Sério, dessa eu não abro mão. É como se ela fosse a única coisa que me entendesse completamente, que não faz perguntas, que me abençoa com paz. Uma paz tipo: Somos a mesma coisa. E mesmo que nosso semblante seja completamente diferente, somos a mesma coisa, mesmo que ela seja sol, lua, árvore, montanha, pássaro, urubu, gato, girassol, orquídea, rosa, grama, vaca, e eu mulher, somos a mesma coisa. E eu não sei explicar a razão disso.”

“O que quero dizer é que esse mundo é maluco mesmo, que entre nós existe sim muita maldade e não só entre nós, mas em toda a natureza, porque ela assim o é: contraditória, paradoxal. Existe o feio, mas também existe o belo. Existe a sobrevivência, existe a vocação, existe o agreste, o selvagem, existe o oposto de tudo isso e muito mais. E tudo isso precisa existir. O homem não pode odiar a sua humanidade nem a si mesmo, nada que existe pode. Ele deve aceitar a sua condição, mesmo que não concorde com determinadas atitudes de seus semelhantes.
E diante de tudo isso, depois de pensar muito, decidi continuar seguindo a doutrina da natureza, aonde me enquadro e até mesmo ao naturalismo artístico e literário, realista, sem deixar de excluir, de forma alguma, todo e qualquer aspecto repugnante que provenha de toda e qualquer natureza, inclusive da minha, sem jamais esquecer-me, que diante de toda repugna que existe em nossa e em toda existência, o belo é tão maior e tão mais potente que me permite ao mesmo tempo em que como um temaki ou um sanduíche de peito de perú, fazer carinho no meu cachorro, me emocionar vendo o pôr do sol, chorar ao ver animais sendo mortos por suas peles, chorar ao saber que tem amigo meu perdido em beco atrás de cocaína, sem saber se ainda ta vivo ou morto, sorrir ao ver uma criança linda e contemplar tudo de belo que me rodeia - por mais que chore pelo feio...que existe tão e somente para aprendermos o dom da contemplação do belo.”


[Sobre “City of Angels” e “Der Himmel über Berlin”]:
“O que eu quero dizer com esses dois filmes é o que de comum eles têm; a beleza que os anjos enxergam em tudo que compreende a vida, já que não a possuem e a partir do momento que vivem, sabem viver melhor do que qualquer um de nós. E olha que eles conheciam bem as aflições dos homens, apesar de não poderem senti-las, já que liam os pensamentos. Porém imaginavam, e diante disso tinham uma vontade doentia de viver tudo aquilo. E viveram da melhor forma possível.

Diante disso, acho lamentável – nós, humanos. O dia que aprendermos a valorizar o “sabor de uma pêra”, um “corte” que seja, o dia que soubermos o valor de um mergulho no mar, de um banho quente demorado, da contemplação do pôr do sol e da contemplação em geral, seremos menos patéticos.

Hoje me sinto como um anjo que acabou de cair na terra, mas sei que assim como todos nós, já me senti aflitiva, vazia, melancólica, tediosa e tudo mais. Sei lá, é tudo tão contemplativo, único, quase explodo.É qualquer coisa como a resposta de Seth, quando seu amigo anjo lhe pergunta após a morte de Maggie, se ele tinha se arrependido de ter virado humano e então ele responde:-“I would rather have had one breath of her hair, one kiss from her mouth, one touch of her hand, than eternity without it. One.”

E então come pêras, sai correndo na praia e se joga no mar, contemplando a sensação do mergulho; contemplando toda a vida que lhe resta, tudo que viveu e que ainda viverá, com o sorriso mais verdadeiro do mundo: O sorriso de quem conheceu a dor, mas que por ela fazer parte da vida, tão perfeita, a ama. O sorriso de sentir, um sorriso de vida; um sorriso IMPAGÁVEL.”

“Os únicos momentos que valem a pena são os breves momentos do agora, temos a obrigação de torná-los os melhores possíveis, sermos inconseqüentes até o último fio de cabelo e esquecer completamente que a palavra culpa habita o dicionário. Ninguém pode fazer absolutamente nada por você e se fizer algo por alguém, não o faça por obrigação. Faça por sua vontade. Não precisamos de razões para fazermos o que temos vontade e eu bem sei que uma vontade é uma percepção extremamente complicada. Levantar da cama é difícil, mas apesar de todo o peso da liberdade, ainda posso dizer que as tequilas, as estradas, cantar com um amigo, qualquer espécie de pré-disposição, finalmente compreender um conceito, aumentar o seu saber, melhorar o feriado de um desconhecido e ante a tudo isso ainda conseguir sentir um sopro de contemplação através de tantas coisas abomináveis que nos rodeiam, ainda fazem essa empreitada valer a pena. - somehow and i don't know why.”


“Me digam que não somos todos idiotas, querendo sempre estar no controle de nós mesmos, mesmo que pra isso tenhamos que dizer o tempo todo o oposto. Ou ao menos, digam que somos humanos, que vivemos que sentimos. Que assim como Fernando Pessoa, todos estamos ‘FARTOS de semi-deuses’ e nos perguntamos: ‘Aonde é que existe gente neste mundo’?????
Cancela.”

Quem me dera ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter,
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer...

Quem me dera ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante.
Mas nos deram espelhos...
E vimos um mundo doente!”

[Legião Urbana – Índios].


2. Para a louca de pedra e para a monstra:

Rodeie. Desça até o fundo do poço a fim de descobrir tudo aquilo que você sempre soube, mas não se dava conta que sabia. Não fique com preguiça. No fim das contas é a mesma coisa, mas tudo muda. Você compreende – depois não mais, sem nunca ter deixado de compreender. Jamais será tempo perdido. Se perca, faça tudo que quiser. Chafurde na própria merda. Conheça os dois lados da moeda. Liberte-se. Enlouqueça. Quando achar que conseguiu, comece tudo de novo. Acredite, nada faz sentido e esse é o único sentido que vale a pena.
;*

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Tinhaterapia
[Não surta!]

"Vienna" - Billy Joel.

Slow down, you crazy child.
You're so ambitious for a juvenile.
But then if you're so smart, tell me why are you still so afraid?
Where's the fire? What's the hurry about?
You better cool it off before you burn it out.
You got so much to do and only so many hours in a day.

Don't you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You're gonna kick off before you even get halfway through.
When will you realize Vienna waits for you?

Slow down, you're doing fine.
You can't be everything you wanna be before your time,
Although it's so romantic on the borderline tonight, tonight.
Too bad, but it's the life you lead.
You're so ahead of yourself that you forgot what you need.
Though you can see when you're wrong,
You know, you can't always see when you're right, you're right.

You've got your passion. You've got your pride,
But don't you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don't imagine they'll all come true.
When will you realize Vienna waits for you?

Slow down, you crazy child.
Take the phone off the hook and disappear for a while.
It's all right you can afford to lose a day or two.
When will you realize Vienna waits for you?

Don't you know that when the truth is told
That you can get what you want or you can just get old?
You're gonna kick off before you even get halfway through.
Why don't you realize Vienna waits for you?
When will you realize Vienna waits for you?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Tinhaterapia.
I – Do individualismo.

Parte 1 – Coletânea.


“Me tornei inerte, não opinino mais, ou ao menos, tento não opinar por mais que peçam a minha opinião, porque ela não tem utilidade nenhuma pra ninguém, muito menos meus conselhos. Passei muito tempo sofrendo pelos outros, não por coisas que fizeram a mim, mas por coisas que fizeram à eles mesmos. E qualquer coisa de ruim que uma pessoa faça contra a sua identidade me afeta, é como se fosse comigo, é como se tirassem alguma coisa de mim também. Desta forma, roubam o meu sonho individualista.”

“E foi então que me lembrei do individualismo , de Oscar Wilde e de Jesus de Nazaré e lembrei da célebre frase: ’Sê tú mesmo’. Seguida de Oscar de que qualquer pessoa que tivesse qualquer coisa de empatia com Cristo deveria ser inteira e absolutamente fiel a si mesmo...”

“Não vou cometer aqui o absurdo de dizer que me encontro com Oscar em sua genialidade, apesar dessa ser a sua maior qualidade. Me encontro com ele nos sentimentos e nos sentidos. Mas além dos sentimentos e dos sentidos, ele é meu preferido pela genialidade – para mim INCOMPARÁVEL a qualquer outro escritor. Ele mesmo se mistificou e tinha toda a razão: ELE REALMENTE ERA O REI DAS PALAVRAS. Era capaz de dizer tudo em uma frase ou em uma epígrafe e chocar diante de tanta imaginação e genialidade qualquer pessoa com um mínimo de humanismo. Aliás a imaginação era sua qualidade preferida entre os humanos – nesse ponto eu concordo com ele – a capacidade de imaginar o ser e os seus ideais – a capacidade de imaginação no geral, inclusive no sentido de compreensão, porque muitas e muitas vezes não conseguimos imaginar que as pessoas se encontram em situações diferentes da nossa, mas que deveríamos imaginar porque podemos passar por elas – apesar de sempre desejarmos ser diferentes de todo mundo. A capacidade de imaginar, diante de todo o nosso individualismo, nós, na situação do outro. E talvez – apenas sob o individualismo sejamos capazes de desenvolver tal qualidade. Individualismo parece uma palavra banal e simples, mas é muito difícil de ser explicada e só pode ser entendida diante da humildade – de aceitar quem quer que seja, a situação que seja, inclusive você mesmo e isso nada mais é do que respeitar o individualismo alheio e pra isso só sendo individualista. Enfim, como eu disse, é muito difícil explicar e esse nem é o principal, apesar de ser um dos assuntos tratados aqui hoje.”

“‘Dia do Cansei’ – WHAT A JOKE! Está cansado? Eu já estou cansada faz tempo! Eu só acho que se as pessoas se preocupassem mais com os seus próximos ao invés de querer salvar o mundo com um minuto de silêncio o mundo todo seria bem melhor. E não estou falando de altruísmo forçado não, é só amar o próximo, porque se não ama, não é próximo. E tratar bem o próximo é a coisa mais instintiva e prazerosa que existe.É como Wilde disse em “A alma do homem sob o socialismo” – ‘Deveríamos ser solidários com a vida em sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na beleza, na energia, na saúde e na liberdade. A solidariedade mais ampla é, naturalmente, a mais difícil: exige maior altruísmo. Qualquer um pode se sentir solidário na dor sofrida por um amigo, mas é preciso uma natureza muito superior - a natureza de um verdadeiro Individualista - para se sentir solidário no êxito alcançado por um amigo.’ – quando o homem tiver alegria na contemplação da alegria de seu semelhante. E tudo isso só pode ser obtido através do Individualismo.Sei lá comigo sempre foi assim, sempre me senti feliz com a alegria daqueles que amo, sempre simplesmente desprezei as pessoas que eu não gostava, não lhes desejando nem bem, nem mal, é indiferente, eu nem lembro que elas existem. Quanto às desigualdades sociais, não vou ser hipócrita e dizer aqui que todas as merdas que acontecem no mundo não me tocam de certo modo, sou altruísta sim da forma mais egoísta possível fazendo o que está ao meu alcance. Mas não fico me matando por dentro pelo sofrimento do mundo.Muitas pessoas me criticam por eu me preocupar demasiadamente com a minha mãe; perdão se vocês querem fazer um minuto de silêncio pelo mundo mas não enxergam as necessidades de quem colocou vocês no mundo e a vocês dedicou parte da vida da melhor forma que pôde. Pra mim é muito mais importante fazer algo por ela e não só por ela mas por todos aqueles que sinto afeição do que fazer um minuto de silêncio. E se todo mundo pensasse assim, não teria necessidade de um minuto de silêncio.”


...”Sou como um estabelecimento.
Posso mudar de dono,
de localidade,
de semblante;

Fadado ao desamparo,
ou ao êxito.
Aqueles que chegam, bem como os que saem
fazem minha história.

Porém, além das influências
e do significado que tenho aos que me consomem;
da estória que cada um conta ou da estória que deixaram pra contar;
Contudo, estabelecimento”

“As pessoas estão preocupadas DEMAIS com a vida alheia. Que coisa mais chata!
Eu já disse pra quem perguntou porque diabos eu pratico o altruísmo, porque me envolvo em projetos sociais. Não se enganem! Não é porque eu quero ser Jesus de Nazaré ou a Madre Tereza de Calcutá. É porque eu simplesmente gosto, é um lance completamente egoísta saca? Eu posso perder o ônibus da viagem que eu planejei, mas eu não perco a hora da vacinação contra a raiva ou do almoço do asilo, se realmente estiver a fim de ir. Eu não vacino os cachorros, eu faço as carteirinhas e as anotações HAHAHAHHA...eu não tomei as vacinas, então não posso e se pudesse não sei se faria, acho meio desagradável então não faço, mas contribuo da minha forma.
É legal sabe, você ver outras pessoas, outras perspectivas, formas de vida diferentes da sua. Sábado passado passei a tarde num bairro "rural" daqui na vacinação...putz foi tão legal ver a vida daquelas pessoas tão diferente da minha, trocar experiências, ganhar caldo de cana, ver um gatinho lindo tão fofo! E um cão que chama Bin Laden! UHAUHAUHAUHAUHAUHAHU, mas que era um doce de cão. Isso me fez esquecer por horas coisas chatas. É por isso que eu faço. Mas não se iluda, no momento em que eu saio do asilo, no momento em que acaba a vacinação e eu chego em casa eu não penso mais nisso. Eu não me comovo. Eu começo a pensar na balada de sábado à noite ou coisa do gênero, mesmo que tenha acabado de ver 10 mil pessoas "miseráveis", no sentido da pobreza monetária. Na realidade acho que sofro mais por Oscar Wilde do que pelo pobre. Chamem de futilidade ou do que quiserem, eu não ligo.

“Vejam bem, quando temos um ente querido, a coisa mais natural do mundo é querer ver ele bem. Se você vê que tem algo errado, que faz mal a ele, que faz ele infeliz, você aconselha, isso não significa que você se intrometa ou viva a vida dele. Um conselho não é uma crítica. Você aconselha e deixa ele fazer o que quiser com isso, você o abandona para que o ente faça o que quiser com a vida dele. Mas daí a passar o tempo falando da vida alheia, criticando a vida alheia, cara isso é chato demais!
Tô de saco cheio de críticas e ataques! Por um mundo mais individualista! É isso que eu admiro e que alguns não entendem!
E por falar em Oscar Wilde, leiam vai, leiam a alma do homem...(sob o socialismo)! [E eu não sou socialista, que fique claro, mas a obra em si fala mais do individualismo do que do socialismo, é uma integração muito interessante].
VIDA, VIDA, VIDA, VIDA, VIDA! Nem que pra isso você tenha que morrer. Mas morra vivendo.”

“Se eu critico quem se preocupa demais com a vida alheia é porque eu realmente acho que essas pessoas poderiam fazer algo de melhor com as suas próprias vidas!
Eu sei que eu sou exagerada ao extremo! Rude sometimes, escrotona mesmo. Mas é a minha indignação expressa. Eu sou impulsiva, essa é a minha saúde mental! Eu gosto dos impulsos, das alegrias, das tristezas, eu gosto de qualquer coisa que me faça sentir VIVA ou que me MATE! Tudo de mais INTENSO possível. O que eu não suporto é o meio termo, o tanto faz, o vaziooo!!!
O que eu adoro é deixar de lado todos os meus afazeres, mandar tudo pra puta que pariu e ficar aqui escrevendo merda ou chorando, ou rindo, ou roubando o vinho da minha mãe e enchendo a cara, saindo sem destino no meio da madrugada pra dar uma volta no morro das 7 curvas e ver dezenas de estrelas cadentes, sair de casa as cinco da tarde e voltar as seis pra ficar vendo meu amado sunset. Mesmo que isso me faça ficar sem dinheiro! O que eu não suporto é me prender à obrigações, ficar reclamando da falta de tempo, vivendo como uma máquina que não para de trabalhar nunca, que tem hora marcada até pra sentar com a mãe e conversar meia hora! O que eu não suporto é "viver a vida levando"! E eu andava fazendo isso, mas parei, acabou. A louca assume e a monstra sai. E a doida de pedra varrida é vazia, tanto quanto a monstra. E só eu sei o que cada uma delas realmente significa. Só eu sei o inferno e céu que elas representam.”

“Desejo à todos, contemplação. Jamais sucumbam ao tédio. Que todas as simples coisas preencham, sempre, mas que isto não seja motivo para deixar de lutar por coisas notoriamente impossíveis. É o impossível que move a vida. Sejam piegas, ridículos, patéticos, apaixonados, loucos, drogados e imediatistas. Sejam caretas, tímidos, covardes, grandes ou pequenos. Ateus ou ortodóxicos. Liberais ou puritanos. Românticos ou Científicos. Gritem, quebrem, chorem, briguem, façam escândalo, morram. Calem, vivam, sorriam, sonhem. Não adoeçam. Adoeçam. Mas sejam amorais, façam suas próprias leis de acordo com os princípios relativistas de CADA UM, e respeitem a individualidade de todos. Respeitem a sua natureza.Pecado é seguir as normas de alguma convenção...quando a única convenção possível é a sua para com você mesmo.”

“Os motivos que nos fazem levantar de manhã não são nossos esforços, muito menos nossos sonhos, ambições perdidas de uma vida completamente nonsense e inexistente. A única coisa que talvez valha a pena são os 5, 10, 3, 0.1 minutos, segundos horas de compreensão entre duas ou mais pessoas – momentos tão raros. Agradeço, sempre, aos que não me julgam, aos que me aceitam, aos que entendem que por trás de minhas ações, paranóias ou seja lá o que for eu não preciso de uma justificativa nem de nenhum plano mirabolante para absolutamente nada. E talvez a coisa que mais me deprima, ironicamente [por ser incongruente ao meu amor pelo existencialismo e pelo individualismo], são todos aqueles que escolheram não viver [me irritam e estou rodeada deles].”


Parte 2 – Pré-“conclusão.”

Já cansei de escrever sobre este assunto, como vocês bem podem perceber. Se discuto a questão do vegetarianismo e derivações, por exemplo, não é por ter algo contra nem a favor dos vegetarianos em si e sim pelo MEU próprio questionamento acerca do assunto e suas vertentes. Assim como tudo, quero me questionar, quero descobrir, quero pesquisar, quero chegar a um termo, a alguma verdade pessoal. Essa questão é absolutamente e unicamente existencial. Se meto o pau na cocaína, assim como me admito [hoje em dia nem tanto] dependente de barbitúricos, ex-usuária de anfetaminas e derivados é por uma simples razão: na minha concepção isso tudo faz muito mal pra quem usa.Tenho eu alguma coisa com a vida alheia? NÃO. Mas posso manifestar minha opinião, minha preocupação e dividir minhas experiências. Nem estou aqui para discutir as razões que levam as pessoas a utilizarem tais substâncias, se é para suprir algo ou por simples vontade, eu sei lá. Já me vi cercada de gente se dando mal por causa disso [inclusive eu mesma], talvez por isso tenha, durante, muito tempo me preocupado tanto. Mas quer saber? Eu já disse que não sou Jesus Nazareno, então, problema de cada um. Podemos gritar por ajuda, mas a única pessoa capaz de nos ajudar realmente, somos nós mesmos, se assim acharmos necessário.
E também não vou ficar aqui manifestando minha visão de individualismo mais uma vez, Oscar Wilde já fez isso por mim e por quem quer que sinta empatia por seus pensamentos. Não quero que ninguém seja como eu, se é que sou alguma coisa. Nunca fui fã da banalização e diante disso, não gostaria de me auto-banalizar. Mas sou a favor da libertação das amarras impostas, sejam elas por educação, por valores impostos pela religião, pela família, pelas pessoas que você ama, admira e respeita e por tudo que sempre te rodeou. É difícil, eu bem sei. Dói, dói, dói, assim como dói quando a criança descobre que papai noel não existe. O vômito [tanto o figurativo quanto o físico] também é tão desagradável, mas depois o mal-estar passa, dando lugar ao bem-estar. Então não quero impor nada, mas o que seria melhor? Continuar com aquele maldito mal-estar? Ou enfiar o dedo goela abaixo, ter a sensação desagradável do vômito para no fim das contas sentir-se bem? Sou a favor da busca do auto-descobrimento e se isto é realmente possível, eu infelizmente, não posso responder. Mas posso tentar e vou morrer tentando ser “eu mesma”.


[continua...]


;*

quinta-feira, 15 de maio de 2008




"Bling [Confession of a king]" - The Killers.


When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
It's not so bad, it's not so bad
How do you know that you're right?

I awoke on the roadside,
In the land of the free ride,
And I can't pull it any longer,
The sun is beating down my neck

So I ran with the devil
Left a trail of excuses,
Like a stone on the water,
The elements decide my fate,
Watch it go..."bling".

When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
Don't tell me that it's over,
Stand up
Poor and tired,
But more than this

How do you know that you're right?
If you're not nervous anymore,
It's not so bad, it's not so bad

I feel my vision slipping in and out of focus,
But I'm pushing on for that horizon,
I'm pushing on,
Now I've got the blowing wind against my face


So you sling rocks at the rip tide,
Am I wrong or am I right?
I hit the bottom with a "huh!"
Quite strange,
I get my glory in the desert rain,
Watch it go..."bling".

When I offer you survival,
You say it's hard enough to live,
And I'll tell you when it's over,
Shut up poor and tired,
But more than this

How do you know that you're right?
If you're not nervous anymore,
It's not so bad, it's not so bad...

Higher and higher,
We're gonna take it,
Down to the wire,
We're gonna make it,
Out of the fire,
Higher and higher...
Higher and higher.

Higher and higher,
We're gonna take it,
Down to the wire,
We're gonna make it out,
Whoa-oh-oh
Higher and higher...

It ain't hard to hold,
When it shines like gold,
You'll remember me.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tinhaterapia.
[Para momentos pré-catatônicos, a fim de que eu não me esqueça.]


Prólogo.

Talvez isto nunca faça sentido algum para ninguém mais - afinal de contas, copiando aqui o que já foi escrito: “Cada dia mais eu acredito nas palavras de Caio, ‘o caminho é in, não off’.” Apesar de que, como também já foi transcrito aqui:

“Não há caminhos, nem destino
como metas a atingir
Só há o caminhar,
eternamente sem cessar.

[...]no conhecimento está a salvação.”

Hoje começo algo que pelo tamanho, vou ser obrigada a dividir em capítulos específicos. Ninguém precisa entender nada e até o capítulo final, talvez não faça absolutamente sentido algum. Caso alguém queira ler, e este alguém acompanhe este blog desde o seu início, já aviso que vou transcrever inúmeras coisas aqui que foram escritas ao longo deste ano, afinal de contas, foi através de todas as minhas supostas contradições, de todos os meus paradoxos que finalmente saí do meu lamaçal de incompreensão de absolutamente tudo, para não sei até quando, um efêmero - mas quem sabe talvez, eterno - insight de compreensão de mim, de tudo. Como vocês bem sabem, verdades absolutas não existem, mas estas são as minhas verdades e pra mim, estas bastam, espero que tal sensação não cesse jamais, apesar de vivermos em constante mutação.

A conversa a seguir deu-se após meu insight e é extremamente necessária e específica para que eu possa começar isso, seja o que for.

Thata: Voltamos a estaca zero. Acho que vou começar a ter crises como você. Lembra como você foi percebendo que o mundo era podre depois que te fuderam? E começou toda a merda?
Tinha: Sim, mas este é o único processo - infelizmente necessário para a evolução do ser humano. Agora estou bem e vejo que a ignorância é a verdadeira doença...a doença da falsa felicidade. Como andei lendo e concordando, já até escrevi em outras palavras*, algo como: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres”.
Thata: Simmm, e o que eu tenho que fazer?
Tinha: Não tem o que fazer, você tem que descobrir por si mesma. O poço é necessário, infelizmente. A “loucura” é o seu corpo gritando que está tudo errado, logo a loucura é sadia. Eu sou sadia.

*Mas, neste momento, eu não acredito que felicidade seja estar feliz, felicidade é ser feliz. A diferença é que para ser feliz, até o sofrimento é necessário. É preciso viver, tudo. Arrisco-me a dizer que uma pessoa que esteja feliz sempre, mente - e o faz desgraçadamente.”
Eu, na minha incapacidade de expressão, não consigo escrever o que eu realmente gostaria de passar, ainda bem que pra isso existem os outros e o bendito inconsciente coletivo, pois bem, corrijo-me: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres.” Era exatamente isso que eu queria dizer.


“Tinha: Não, eu não acredito nisso, talvez seja exatamente este o meu problema...pq eu não acredito nessa vida que as pessoas vivem, essa vida conformada, essa vida morna, eu quero mais, eu sou mais, eu vou ter mais, eu tenho que ter mais, eu tenho que ter uma realidade fantástica.”

...

O processo:

"Se vai tentar
Siga em frente
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.


[Bukowski]

Mas que raios...quando exatamente me meti nesta arapuca?"

Ainda bem que me meti nesta arapuca, a arapuca do descobrimento e da falta de ignorância. Cada segundo de desespero, de angústia, de ódio, de incompreensão, de busca, foi necessário. Processo necessário de libertação – uma dor, que nem psicanálise, nem barbitúricos resolveram. Recordo-me de há pouco tempo atrás ter duvidado da benção da liberdade e cheguei em algum momento a considerá-la como uma sina, algo ruim, eu sei lá. É realmente doloroso sermos “nós mesmos”, na medida em que isso é possível. Crescemos no meio da imoralidade da influência que Lord Wotton referia-se, mas não é impossível libertar-se dela, apesar de ser extremamente doloroso e difícil. Mas o “fim” recompensa.

[continua...]

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*** *** *** *** *** **** **** ****

Ps: O último post é exatamente o início do blog, funny.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Wilde e Morrissey estavam super certos, pois realmente é tão trágico conseguir quanto não conseguir. Absolutamente tudo aquilo que você idealiza é uma decepção, acontecendo ou não. Não que eu tenha conseguido ou não conseguido algo ultimamente hahaha, só tava pensando pra variar.


E é por isso que eu gosto do acaso.


Isso não é ser pessimista? Ou é? Ah esquece, I'm happy like this.



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