[Tinhaterapia?? Purrff...]
"Será horrível demais querer aproximar-se dentro de si mesmo do límpido eu? Sim, e é quando o eu passa a não existir mais, a não reinvidicar nada, passa a fazer parte da árvore da vida - é isso que luto para alcançar. Esquecer-se de si mesmo e no entanto viver tão intensamente."
[Clarice Lispector - Um Sopro de Vida.]
Tudo que queria era ser livre. Livre dos outros, das coisas e de mim, principalmente. Carrego inúmeras culpas comigo e sempre castigo-me a fim de obter alguma auto-absolvição. Jamais consegui. Às vezes penso que talvez fosse bem mais cômodo acreditar que rezando um terço, tudo se resolveria, mas já não sou capaz. Não é Jesuzinho, nem deus, nem os outros. Não é o perdão alheio que tanto almejo. Duvido muito que alguém me culpe pelo que for. Prejudiquei-me tantas vezes, insuportável. Não posso dizer que realmente arrependo-me. Mas já não consigo mais permanecer em qualquer situação de realização. É do peso que gosto, do conflito interno. Resolvi ignorar quase absolutamente tudo. O que mais desejo é levar uma vida desprendida, com exceção do apego às artes. Sou incapaz de esquecer os livros, os filmes, as músicas, a poesia, a pintura e toda e qualquer manifestação de beleza, de vida. Tentei, mesmo.Conclui que posso passar a vida apenas lendo, escutando e admirando. As pessoas me interessam, mas não quero que me notem, o que torna o convívio bastante difícil. Alguns talvez podem considerar-me pedante e sob algum paradigma, talvez seja. Mas não é isto. Não deixei de amar, não me considero de forma alguma superior. Sei e conheço bem meus defeitos e tenho a consciência de que não sou diferente dos outros – não sou melhor, nem pior, sou demasiadamente humana e sou também alguma espécie de entidade única - assim como tudo na vida, na natureza, uma fonte infinita de paradoxos. Cansei-me de tentar compreender. Percebi que sempre estive só e dei fim a ditadura da companhia, seja ela de meus entes queridos, ou de qualquer outra coisa que prometa sanar a solidão ou alguma socialização. Perdão. Talvez não me ache digna. Não digna do paraíso celestial, terreno ou aquele que os dragões não conhecem ou de qualquer premissa religiosa ou mistificadora. Não acredito mais, não acho que seja possível. Sou deusa e dona de meus atos, de minha vida. Não devo satisfações a mais ninguém, além de mim mesma – que peso! Desejo uma espécie de inferno paradisíaco [a]religioso, anárquico de liberdade, onde não há hierarquias, cobranças nem censuras de espécie alguma. Não consigo mais distinguir a diferença entre destruir e construir.
Above all, custa admitir...que sim, que eu gosto, que eu amo e que odeio absurdamente ser forçadamente sozinha e que jamais vou conseguir mudar. Que assim como Caio, sei que sempre vai faltar alguma coisa e que não são os outros que vão resolver este vazio, que eu não vou resolver, que deus não vai resolver, nem Zeus, nem Prometeu, nem as Moiras, nem a fluoxetina, nem um salário milionário, nem Paris, nem apartamento novo, nem São Paulo, nem Itamaraty, nem. E que cada tentativa que abandono, aumenta o gosto de morangos mofados na minha boca. It’s so bitter and so sweet and i’m so addicted to this...samsara.
Bom, talvez Bukowski, Depeche Mode, Placebo, Woody Allen, Cainho, Wilde, o Word, talvez.
Nunca sei como terminar posts mesmo. A princípio era em terceira pessoa, seria tão mais fácil e covarde me esconder atrás de algum personagem “fictício”, mas não...
I don’t want comfort, I’m not looking for shelter...já disse que no meu “Brave New World” os selvagens sempre serão bem vindos e a selvageria começa por mim. Qualquer um capaz de rejeitar qualquer espécie de soma, qualquer um que seja capaz de isolar-se num farol e terminar se auto-enforcando após trair-se estará próximo de mim.


