segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tinhaterapia.
[Para momentos pré-catatônicos, a fim de que eu não me esqueça.]


Prólogo.

Talvez isto nunca faça sentido algum para ninguém mais - afinal de contas, copiando aqui o que já foi escrito: “Cada dia mais eu acredito nas palavras de Caio, ‘o caminho é in, não off’.” Apesar de que, como também já foi transcrito aqui:

“Não há caminhos, nem destino
como metas a atingir
Só há o caminhar,
eternamente sem cessar.

[...]no conhecimento está a salvação.”

Hoje começo algo que pelo tamanho, vou ser obrigada a dividir em capítulos específicos. Ninguém precisa entender nada e até o capítulo final, talvez não faça absolutamente sentido algum. Caso alguém queira ler, e este alguém acompanhe este blog desde o seu início, já aviso que vou transcrever inúmeras coisas aqui que foram escritas ao longo deste ano, afinal de contas, foi através de todas as minhas supostas contradições, de todos os meus paradoxos que finalmente saí do meu lamaçal de incompreensão de absolutamente tudo, para não sei até quando, um efêmero - mas quem sabe talvez, eterno - insight de compreensão de mim, de tudo. Como vocês bem sabem, verdades absolutas não existem, mas estas são as minhas verdades e pra mim, estas bastam, espero que tal sensação não cesse jamais, apesar de vivermos em constante mutação.

A conversa a seguir deu-se após meu insight e é extremamente necessária e específica para que eu possa começar isso, seja o que for.

Thata: Voltamos a estaca zero. Acho que vou começar a ter crises como você. Lembra como você foi percebendo que o mundo era podre depois que te fuderam? E começou toda a merda?
Tinha: Sim, mas este é o único processo - infelizmente necessário para a evolução do ser humano. Agora estou bem e vejo que a ignorância é a verdadeira doença...a doença da falsa felicidade. Como andei lendo e concordando, já até escrevi em outras palavras*, algo como: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres”.
Thata: Simmm, e o que eu tenho que fazer?
Tinha: Não tem o que fazer, você tem que descobrir por si mesma. O poço é necessário, infelizmente. A “loucura” é o seu corpo gritando que está tudo errado, logo a loucura é sadia. Eu sou sadia.

*Mas, neste momento, eu não acredito que felicidade seja estar feliz, felicidade é ser feliz. A diferença é que para ser feliz, até o sofrimento é necessário. É preciso viver, tudo. Arrisco-me a dizer que uma pessoa que esteja feliz sempre, mente - e o faz desgraçadamente.”
Eu, na minha incapacidade de expressão, não consigo escrever o que eu realmente gostaria de passar, ainda bem que pra isso existem os outros e o bendito inconsciente coletivo, pois bem, corrijo-me: “Felicidade não existe, apenas momentos alegres.” Era exatamente isso que eu queria dizer.


“Tinha: Não, eu não acredito nisso, talvez seja exatamente este o meu problema...pq eu não acredito nessa vida que as pessoas vivem, essa vida conformada, essa vida morna, eu quero mais, eu sou mais, eu vou ter mais, eu tenho que ter mais, eu tenho que ter uma realidade fantástica.”

...

O processo:

"Se vai tentar
Siga em frente
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.


[Bukowski]

Mas que raios...quando exatamente me meti nesta arapuca?"

Ainda bem que me meti nesta arapuca, a arapuca do descobrimento e da falta de ignorância. Cada segundo de desespero, de angústia, de ódio, de incompreensão, de busca, foi necessário. Processo necessário de libertação – uma dor, que nem psicanálise, nem barbitúricos resolveram. Recordo-me de há pouco tempo atrás ter duvidado da benção da liberdade e cheguei em algum momento a considerá-la como uma sina, algo ruim, eu sei lá. É realmente doloroso sermos “nós mesmos”, na medida em que isso é possível. Crescemos no meio da imoralidade da influência que Lord Wotton referia-se, mas não é impossível libertar-se dela, apesar de ser extremamente doloroso e difícil. Mas o “fim” recompensa.

[continua...]

;*

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Ps: O último post é exatamente o início do blog, funny.
 
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