sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Quando volto a pensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo - tão banal e sedento - a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.



As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.



Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.



Nada, nada disso existe.



Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim..."







Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Nada, nada disso existe.



[Fonte: Vide postagem de 28/08/2007, obviamente Cainho.]


E quando diz-se "Dorme, só existe o sonho" mas nem overdose de calmante resolve? Tem vezes que eu acho que eu nunca vou ficar satisfeita com absolutamente nada.]



=(
 
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