quinta-feira, 3 de abril de 2008



Para quem não está muito bem humorado...


Querem saber como comecei a desenvolver minha filosofia? Foi assim: minha mulher, ao convidar-me para provar o primeiro suflê de sua vida, deixou cair acidentalmente uma fatia dele no meu pé, fraturando-me com isso diversos artelhos. Médicos foram chamados, raios X tirados e, depois de examinado do tornozelo aos pés, mandaram-me ficar de cama durante um mês. Durante a convalescença dediquei-me ao estudo dos maiores pensadores ocidentais – uma pilha de livros que eu havia reservado justamente para uma oportunidade dessas. Desprezando a ordem cronológica comecei por Kierkegaard e Sartre e depois passei rapodamente para Spinoza, Hume, Kafka e Camus. Não me entediei nem um pouco, como supunha. Ao contrário, fiquei fascinado pela lepidez com que esses gênios demoliam a moral, a arte, a ética, a vida e a morte. Lembro-me de minha reação a uma observação (como sempre, luminosa) de Kierkegaard: “Toda relação que se relaciona consigo mesma (ou seja, consigo mesma) deve ter sido constituída por si mesma ou então por outra”. O conceito trouxe lágrimas aos meus olhos. Puxa vida! Pensei, isso é que é ser profundo! (Eu, por exemplo, sempre tive dificuldades na escola com aquele clássico tema de composição “Meu dia no zoológico”). É verdade que a frase continuava incompreensível pra mim, mas que importa isso, desde que Kierkegaard estivesse se divertindo?

[Continua...]

[É um trecho da crônica de Woody Allen called “Minha Filosofia”, é do livro que citei antes “Cuca Fundida”, que nada mais é do que uma junção extraordinária de várias crônicas escritas por ele na revista “New Yorker”, uma daquelas revistas bem, digamos, “cool” hahahaha.]
Inté hahaha =D.
 
Die Today...Live Forever! | Blogger Template Design By LawnyDesigns Powered by Blogger