segunda-feira, 24 de março de 2008



Mestres de nossos atos e destinos.



Como sempre, continuo acreditando que escrever ainda é a melhor forma, ou ao menos, uma das melhores formas de libertar-nos nem que seja um pouquinho de nossos tormentos. Porém acho que tudo que é publicado, seja em livro, seja em jornal, seja na internet, até mesmo aqui no blog gera muita responsabilidade. E ando num momento extremamente confuso, nebuloso de minha vida, mas de certo sei que detesto esse tipo de responsabilidade - a de influir na vida de outrem. Acho isso aqui tão bonitinho, o rosa com o verdinho e tal, a fotinho da trapezista de “Asas do Desejo”, os trechos do meu livro e todos os desabafos amorosos enquanto eu ainda não havia me tornado finalmente [e infelizmente] uma cética crônica no amor e não só no amor, mas em muitas coisas. As citações das obras que li e amei [nem todas, mas as que combinavam com determinada situação], os trechos do Caio [principalmente os trechos do Caio], do Wilde [principalmente do Wilde], hedonistas sob algum paradoxo inexplicável [como todo paradoxo], enfim, aqui é a minha casinha. Mas não acredito que eu possa contribuir com algo agora. Talvez seja um caminho sem volta dos que perceberam que as mais belas ilusões não mais podem satisfazer nossos anseios quando todos os sentidos deixaram de existir – tudo em que você sempre acreditou. Os motivos que nos fazem levantar de manhã não são nossos esforços, muito menos nossos sonhos, ambições perdidas de uma vida completamente nonsense e inexistente. A única coisa que talvez valha a pena são os 5, 10, 3, 0.1 minutos, segundos horas de compreensão entre duas ou mais pessoas – momentos tão raros. Agradeço, sempre, aos que não me julgam, aos que me aceitam, aos que entendem que por trás de minhas ações, paranóias ou seja lá o que for eu não preciso de uma justificativa nem de nenhum plano mirabolante para absolutamente nada. E talvez a coisa que mais me deprima, ironicamente [por ser incongruente ao meu amor pelo existencialismo e pelo individualismo], são todos aqueles que escolheram não viver [me irritam e estou rodeada deles]. Eu não quero ser hipócrita. Sartre em seus belíssimos caminhos da liberdade, já sabia que quando um homem percebe que não existe razão absoluta para fazermos escolhas a fim de nos sentirmos livres e que um homem jamais será homem até encontrar uma razão pela qual morrer carregava exatamente o peso da incontestável liberdade a qual estaremos para sempre destinados. Em outros tempos considerei a liberdade a maior de todas as dádivas, talvez ainda assim seja, mas já não estou tão certa. Talvez não se trate de uma dádiva, mas de qualquer coisa de destino, sem maiores crenças espirituais, uma sina, não sei se má ou se boa. Uma pessoa nostálgica ou uma pessoa que aposta todas as suas fichas no futuro está perdida [talvez por este motivo eu seja tão extraviada há!!] pois sua vida encontra-se numa dimensão que não mais existe nem nunca existiu. Não sei mesmo se existe a “idade da razão”. Ela pode ser uma fraude, como quase tudo o mais. Os únicos momentos que valem a pena são os breves momentos do agora, temos a obrigação de torná-los os melhores possíveis, sermos inconseqüentes até o último fio de cabelo e esquecer completamente que a palavra culpa habita o dicionário. Ninguém pode fazer absolutamente nada por você e se fizer algo por alguém, não o faça por obrigação. Faça por sua vontade. Não precisamos de razões para fazermos o que temos vontade e eu bem sei que uma vontade é uma percepção extremamente complicada. Levantar da cama é difícil, mas apesar de todo o peso da liberdade, ainda posso dizer que as tequilas, as estradas, cantar com um amigo, qualquer espécie de pré-disposição, finalmente compreender um conceito, aumentar o seu saber, melhorar o feriado de um desconhecido e ante a tudo isso ainda conseguir sentir um sopro de contemplação através de tantas coisas abomináveis que nos rodeiam, ainda fazem essa empreitada valer a pena. - somehow and i don't know why. Porém, ainda continuo buscando [sem muita fé], uma razão pela qual eu morreria. Mas talvez e mais provavelmente, nada disso tenha sentido algum. E até ter alguma coisa NO MÍNIMO decente para passar a alguém, vou me abster de postar coisas aqui na casinha.


 
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