quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Todos conseguiam sair daquele poço fundo, menos ela. Certo dia lembrou da amiga vã que dizia ter tido uma visão. Visualizou-se velha, com netos, cheia de jóias, solitária, infeliz, desesperada, gritando feito louca, chamando sua grande paixão. A tal visão foi uma espécie de libertação. Júlia lembrou-se porque também teve um desses lapsos de lucidez. Finalmente conseguiu compreender que tudo aquilo era muito doentio. Se é que o amor e o ódio realmente existem, estes não podem ser solitários. Haveriam de ser compartilhados. Percebeu que nunca tivera vontade de dividir seus sentimentos, nem de mostrá-los. Ela não sentia por ninguém a não ser por ela mesma, compreende? Ela olhava para um espelho imaginário. Mas ele se quebrou...

- Eu não acredito na solidão, não é natural. E não acredito nas semelhanças. Só é possível reconhecer-se em outra pessoa através das diferenças, para, quem sabe, desta forma, suprir a lacuna que nos falta.

[A história estava engavetada aqui. Resolvi dar uma lida. Sei lá, é engraçado. Escrever sobre o que não gostamos. O certo seria uma história beatnik ou coisa do gênero. Nunca imaginei que fosse capaz de criar uma personagem tão absurdamente neurótica-pseudo/tudo-abominável-e-mala. Vou espatifar a cara dela no asfalto igual Clarice fez com Macabéa.]
 
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