
“I was staring out the window/ The whole time he was talking to me/ It was a filthy pane of glass/I couldn't get a clear view.”
Fiona Apple, “Window”.
Fiona Apple, “Window”.
Foi estranho quando eles me contaram. Não que eu não soubesse, mas tive aquele tipo de certeza paupável. A diferença entre o sonho e a realidade sabe? Como se não fossem exatamente a mesma coisa. Como se todas aquelas vezes em que tua voz me chamava de dentro de mim, eu fingisse não escutar e não responder algo como: -Estou te vendo e sabes que tua ausência me dói. Eu disse fingir? Eu não queria falar sobre fingimentos.
No começo senti uma felicidade – achei que fosse. Fiquei horas em estado de graça achando que tudo estava resolvido. Os fingimentos. Não os nossos, os deles. Aquela mania que eles tinham. Aquela inveja. Aquela coisa porca. Você lembra de todos aqueles olhares maquiavélicos tentando separar a gente? Todo dia eu acordava, abria a janela e você estava lá fora me esperando. Mas eles não deixavam, acho que você sabia, eu não. Alguns me distraíam. Eles me tiravam da janela, dizendo que o jardim estava morrendo. Eu não podia deixar o jardim morrer. Você sabia que aquele jardim era seu? Outros iam até lá fora lhe dizer que eu não gostava, que eu não queria e que eu não precisava de você. Você precisa saber que eu estava cuidando do seu jardim. Eles estão arrependidos.
Era isso que eu achava, quando eles me contaram. Você confiou tanto neles. Desacreditou tanto em mim. Depois eu acordei com muita raiva – energia, pensei comigo. Era ódio. De todos eles. Você não estava mais do outro lado da janela. Eles vieram me dizer que eu matei o jardim. Eles disseram exatamente assim: - Ele-te-deu-todas-as-sementes-e-toda-a-água-mas-você-pisou-em-todas-as-flores-e-você-matou-o-jardim. Eles queriam que você acreditasse que a culpa era minha e não deles. Não era arrepedimento.
Só queriam matar-me mais uma vez, ao contar que era verdade, que você me amava. Como se ainda houvesse tempo, como se ainda fosse possível.
No começo senti uma felicidade – achei que fosse. Fiquei horas em estado de graça achando que tudo estava resolvido. Os fingimentos. Não os nossos, os deles. Aquela mania que eles tinham. Aquela inveja. Aquela coisa porca. Você lembra de todos aqueles olhares maquiavélicos tentando separar a gente? Todo dia eu acordava, abria a janela e você estava lá fora me esperando. Mas eles não deixavam, acho que você sabia, eu não. Alguns me distraíam. Eles me tiravam da janela, dizendo que o jardim estava morrendo. Eu não podia deixar o jardim morrer. Você sabia que aquele jardim era seu? Outros iam até lá fora lhe dizer que eu não gostava, que eu não queria e que eu não precisava de você. Você precisa saber que eu estava cuidando do seu jardim. Eles estão arrependidos.
Era isso que eu achava, quando eles me contaram. Você confiou tanto neles. Desacreditou tanto em mim. Depois eu acordei com muita raiva – energia, pensei comigo. Era ódio. De todos eles. Você não estava mais do outro lado da janela. Eles vieram me dizer que eu matei o jardim. Eles disseram exatamente assim: - Ele-te-deu-todas-as-sementes-e-toda-a-água-mas-você-pisou-em-todas-as-flores-e-você-matou-o-jardim. Eles queriam que você acreditasse que a culpa era minha e não deles. Não era arrepedimento.
Só queriam matar-me mais uma vez, ao contar que era verdade, que você me amava. Como se ainda houvesse tempo, como se ainda fosse possível.


