quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Gostaria de não ter essa necessidade enfadonha de entender e conhecer tudo. De saber a verdade...de tudo. Já tinha decidido deixar para trás este hábito horroroso, afinal de contas, sou a primeira a enganar-me o tempo todo. Ou não, quem sabe? É de enlouquecer. Não que seja falta de sinceridade, é falta-de-conhecimento-da-verdade. Ou seria falta-de-existência-da-verdade? Há quem diga que o que importa são as nossas verdades e eu não discordo. Mas e quando não se tem verdades? Eu posso ser uma sofista e ninguém nem sequer desconfiar. Meu silêncio pode dizer muito mais verdades que todos os meus discursos. Da mesma forma, meu silêncio pode significar absolutamente nada. Ninguém nunca vai saber. E eu nunca vou saber de ninguém. Não é falta de retidão. É a vicissitude das coisas. Não estou dizendo que tornei-me uma pessimista ou coisa do tipo, alguma espécie de pseudo-sofredora que não confia mais em ninguém, nem em si mesma. Eu acredito no que eu sinto.


...Mas e quando não se sabe o que sente? Quando os sentidos não apontam para nenhum lado?

Há alguns meses postei um poema do Bukowski [e estou com preguiça de procurar a data], depois fiz uma anotação logo abaixo, algo parecido com “Como foi que me meti nesta arapuca?”. Estava referindo-me justamente à isto. Não sobre verdades e mentiras, gritos ou silêncios, mas sobre todo esse meu questionamento sem fim das coisas, sobre essa falta de paz mental. Será impossível ficar meia hora com a mente lavada? Será impossível compreender alguma coisa e parar de viver no lamaçal de incompreensão de absolutamente TUDO?

E eu juro que estou contente, mas sinto-me na grande maioria do tempo, muito, muito cansada. E não é um cansaço que férias resolvam. É um cansaço que vai me perseguir até em Honolulu.


“As diversas partes vivem suas vidas separadas, elas se tocam, seus caminhos se cruzam, combinam-se um instante para criar o que parece uma harmonia final e perfeita, mas somente para tornarem a separar-se mais uma vez. Cada uma é sempre só, separada e indivisível. ‘Eu sou eu’, afirma o violino; ‘o mundo gira em torno de mim’, insiste a flauta. E todos igualmente têm razão e igualmente se enganam; e nenhum deles quer escutar os outros.”

[Huxley – Contraponto.]
 
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