...não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa.
Eu tava seca, eu tava no inferno. Vazia e desgraçada. Eu pedi uma chance e-você-me-deu-e-eu-agradeço, foi uma chance, foi sim, foi uma tentativa, foi lindo. Eu disse pra você que muitas vezes as chances funcionam melhor que os castigos. Acho que você me escutou.
Sinto que ainda posso. Posso apagar as coisas talvez. Escrever novas estórias. Eu já não achava que podia, mas posso. Posso re-começar.
Plus: Só um ps, mais uma coisa linda, não que eu vá esquecer, mas eu quero registrar. No último dia do ano fui acordada por um amigo. Ele veio me trazer um presente que outro amigo mandou pra mim. Era a segunda edição de "Morangos Mofados" do Caio que ele roubou da biblioteca da república em que mora. Edição de 1982. Com ar retrô e tudo mais. Da época em que na capa os morangos "brotavam" das latas de lixo. Eu queria a primeira edição autografada de "Os Dragões Não Conhecem o Paraíso", mas ganhei a segunda edição rabiscada por Terezinha da Costa Lima [que fez questão de escrever seu nome dez vezes] de "Morangos Mofados". Quando eu pedi uma chance, talvez lá no fundo eu estivesse pedindo aquela coisa que parecia com a primeira e ganhei outra, nem melhor, nem pior, eu sei lá, igualzinha a segunda. Meio como no livro, que começa com "Os Sobreviventes" e termina com "Morangos Mofados." Começa com o desejo da fé e termina com a sensação de tê-la novamente.
O gosto de morangos mofados tinha desaparecido...será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim.


