segunda-feira, 1 de outubro de 2007


Vegetarianismo X Natureza X Ideologia X Vocação X Auto-destruição.

[Antes de dar início ao tema, gostaria de esclarecer que essa é a MINHA opinião e que respeito a opinião de todo e qualquer vegetariano, INCLUSIVE de uma de minhas melhores amigas, Íris que é vegetariana. E de todos os meus demais amigos e pessoas queridas que também são. Gostaria de esclarecer também que não sou a pessoa mais carnívora do universo e que isso é de nascença. Simplesmente não gosto e nunca gostei, nem nunca fiz questão de carne vermelha, com algumas exceções, como hambúrguer por exemplo. Detesto carne de porco e aqueles leitõezinhos de natal me causam um desconforto enorme, pra não dizer repulsa. Porém adoro filé de frango, frios em geral e PRINCIPALMENTE sou doente por comida japonesa e por toda e qualquer carne que venha do mar. Gostaria de dizer previamente também que no caso da Íris, que é um caso que conheço bem, a repulsa dela por carne, assim como a minha em certos aspectos foi algo que sempre a acompanhou, mas que depois por questões ideológicas se tornou real e rotineira e que respeito, como já disse, as razões que levaram ela a se tornar isso. Eu não estou tratando de pessoas específicas aqui, estou abordando o tema de forma geral, sem o objetivo de ofensa a quem quer que seja. Resolvi escrever sobre o assunto simplesmente porque venho pensando nele já há algum tempo, porque estava cogitando, talvez, o vegetarianismo, diante do amor que venho cultivando ultimamente pelos animais e não só por eles, mas também por todas as coisas “mortas” e “vivas” no geral, mas que depois de refletir muito, cheguei ao termo de que não quero ser vegetariana, por razões diversas.]

Só gostaria de expor algumas das coisas que andei pensando, algumas que ainda não consegui compreender. Coisas como: Qual a diferença entre deixar de comer carne, mas comer ovos? Comer ovos não seria o mesmo que comer um feto? Não só os ovos, mas qualquer laticínio, pois é um produto animal e os animais explorados na indústria de laticínios vivem mais tempo do que os que são usados por sua carne; são ainda mais maltratados durante suas vidas e acabam indo parar no mesmo matadouro, depois do que consumimos sua carne, da mesma forma. Se formos pela mesma linha de raciocínio do respeito à vida, então não deveríamos comer vegetais também, porque é uma forma de vida também e quem garante que os vegetais não sentem dor ou sofrimento?

Porque algumas pessoas vegetarianas que prezam tanto, por ideologia, a vida dos animais e as formas como sua carne é comercializada, digo, o abatimento e tudo mais, se auto-destroem? Porque fumam? Porque usam drogas? Porque maltratam os humanos e a si próprios? Será que as pessoas se acham tão lixo que julgam o resto dos animais melhores que os homens, que si mesmo? Porque não se elevam a um nível de igualdade aos outros animais? Os próprios animais se comem, se caçam, por fome, por necessidades biológicas de proteína e tudo mais, é assim que a natureza é. São naturais como nós. E assim como nós, existem os “bons” e os “maus”. Um exemplo básico, no caso de Pit Bulls, onde alguns são extremamente dóceis, enquanto outros são assassinos. E assim como eles, existem exemplos em toda a natureza.

Posso entender que uma pessoa por qualquer coisa de “vocação” não coma carne, porque não gosta de comer carne. Posso até compreender que uma pessoa ame os animais e por isso não como a sua carne. Mas não posso entender que uma pessoa que seja vegetariana se rebaixe e rebaixe a sua própria natureza e a humanidade em geral, se auto-destruindo e menosprezando seus semelhantes das mais variadas formas possíveis.

O que quero dizer é que esse mundo é maluco mesmo, que entre nós existe sim muita maldade e não só entre nós, mas em toda a natureza, porque ela assim o é: contraditória, paradoxal. Existe o feio, mas também existe o belo. Existe a sobrevivência, existe a vocação, existe o agreste, o selvagem, existe o oposto de tudo isso e muito mais. E tudo isso precisa existir. O homem não pode odiar a sua humanidade nem a si mesmo, nada que existe pode. Ele deve aceitar a sua condição, mesmo que não concorde com determinadas atitudes de seus semelhantes.

E diante de tudo isso, depois de pensar muito, decidi continuar seguindo a doutrina da natureza, aonde me enquadro e até mesmo ao naturalismo artístico e literário, realista, sem deixar de excluir, de forma alguma, todo e qualquer aspecto repugnante que provenha de toda e qualquer natureza, inclusive da minha, sem jamais esquecer-me, que diante de toda repugna que existe em nossa e em toda existência, o belo é tão maior e tão mais potente que me permite ao mesmo tempo em que como um temaki ou um sanduíche de peito de perú, fazer carinho no meu cachorro, me emocionar vendo o pôr do sol, chorar ao ver animais sendo mortos por suas peles, chorar ao saber que tem amigo meu perdido em beco atrás de cocaína, sem saber se ainda ta vivo ou morto, sorrir ao ver uma criança linda e contemplar tudo de belo que me rodeia - por mais que chore pelo feio...que existe tão e somente para aprendermos o dom da contemplação do belo.

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