terça-feira, 16 de outubro de 2007


Quando Caio some da página, o despertador toca para que ele retorne...


Mas eu tinha que ficar contente. E quando você quer, você fica. Comecei a ficar. Afinal, aquele podia ser o primeiro passo para emergir do pântano de depressão e autopiedade onde refocilava há quase um ano. Gostei tanto da expressão pântano-de-depressão-&-etc. que quase procurei papel para anotá-la. Perdera o vício paranóico de imaginar estar sendo sempre filmado ou avaliado por um deus de olhos multifacetados, como os das moscas, mas não o de estar sendo escrito. Se fosse bailarino, talvez imaginasse estar constantemente, em qualquer movimento, sendo esculpido? Ah, cada gesto, uma verdadeira apologia estética da forma pura.
Era engraçado. E bastante esquizofrênico. mas de repente o real tinha-se tornado bem menos retórico.

["Onde andará Dulce Veiga?"]


***

"A pesquisadora acredita que o escritor gaúcho não nasceu para ser clássico, mas para reinar na margem, como Clarice Lispector. Não se expressa para todos os públicos, mas para públicos de suas afinidades, fadado a recepções extremas de amor e de ódio. “Ele não é imitado porque ainda não foi compreendido”, argumenta."



[Ele não é imitado, porque é inimitável. E sim, ele está fadado a recepções extremas de amor, eu o amo extremamente. E o compreendo também.]


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