terça-feira, 11 de setembro de 2007

À antítese da minha ilusão.



"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas daquilo que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada!"
[Clarice Lispector]


Eu fico muito abismada. Fico abismada quando entro no msn, fico abismada quando leio fotologs e blogs, fico abismada quando converso com as pessoas da forma que for, fico abismada quando saio na rua e é por isso que eu tenho evitado tanto quanto posso fazer tais coisas.

A realidade não me agrada. Não me agrada saber da experiência de mal gosto dos genpets, não me agrada as constantes reclamações das pessoas e seus vazios e infelicidades, não me agrada a forma como a cocaína tomou conta da alma de dezenas, senão centenas de pessoas queridas, inclusive de pessoas com seus lá quase 30 anos que passaram suas vidas fazendo apologia anti-drogas - mas parece que as drogas, principalmete a cocaína que é a que eu mais DETESTO, viraram qualquer coisa de culto; não me agrada as atitudes das pessoas que por medo tornam-se inertes à qualquer coisa, e este último de certa forma, está tomando conta de mim também.

Me tornei inerte, não opinino mais, ou ao menos, tento não opinar por mais que peçam a minha opinião, porque ela não tem utilidade nenhuma pra ninguém, muito menos meus conselhos. Passei muito tempo sofrendo pelos outros, não por coisas que fizeram a mim, mas por coisas que fizeram à eles mesmos. E qualquer coisa de ruim que uma pessoa faça contra a sua identidade me afeta, é como se fosse comigo, é como se tirassem alguma coisa de mim também. Desta forma, roubam o meu sonho individualista. Mas ultimamente, ando gritando por mim mesma...e me tornei inerte aos outros...de certa forma, "larguei mão" deles, mas é o que eu deveria ter feito desde sempre não? Ser uma amiga infiel, que fecha os olhos...na verdade eu sou tão besta que sou capaz de perdoar tudo, mas existem algumas exceções com as quais eu não posso conviver, cocaína, dentre outras coisas é uma delas. Ou qualquer coisa que demonstre comportamentos e atitudes parecidas com o que ela faz. E o mais engraçado é que quase todas essas pessoas sabem que estão erradas; elas falam com vergonha, porque sabem que foram "possuídas" e talvez isso nem estivesse que estar entre aspas. Bom, eu só entendo o que acontece pelo que já vi, mas não posso entender completamente porque graças à qualquer coisa luminosa, nunca me rendi a tais coisas, logo não sei como elas funcionam dentro de quem as consome. E cada vez que eu converso fico sabendo de algum novo(a) companheiro(a) perdido.

Sabe, eu não quero mais saber de nada, mesmo. Prefiro viver no meu mundo de ilusão e conviver com os poucos que ainda são donos de si, melancólicos ou alegres, mas que tais sensações sejam consequência deles mesmos. Prefiro conviver com a natureza ainda perfeita e intocável da esquina de minha casa. Prefiro viver no meu mundo de livros, prefiro viver no meu canto da balada ou no meio de todas essas pessoas calada, preservada em cápsula por mim mesma.

Essa é a minha última manifestação sobre o assunto. Por mim agora, acabem com suas vidas se quiserem; eu preciso de mim e da minha realidade inventada. Todo o resto é pesadelo que eu não quero ter nem dormindo, quanto menos acordada. E que me chamem de amiga infiel...tudo tem o seu limite, inclusive a minha paciência.


Sad...but true!


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