sábado, 28 de julho de 2007

Verde, Azul, Todas as Cores...
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Aquele objeto a fazia sentir-se especial. Era um desses penduricalhos, uma espécie de grande berloque, tornado de arame e bolinhas de gude em tons de azul e verde. Três fileiras horizontais de arame agarradas a uma outra, vertical. As bolinhas de gude percorriam as fileiras de arame, da mesma forma que concediam termo à elas. O arame abraçava através de várias voltas, as bolinhas, que assim permaneciam presas ao enredamento. O objeto tinha movimento, conforme agitado. As bolinhas presas ao arame dançavam uma valsa suave - era sem dúvida um objeto sedutor, encantador, místico, precisamente articulado e dotado de vida própria. Era além de tudo, uma obra de arte criada com muito afeto, produzida harmoniosamente para a dona, grande apreciadora das artes em geral.
Fora um objeto imaginado, um presente, desenvolvido somente e para ela. Se o acaso o tivesse colocado a ela de outra forma, teria ela se encantado tanto com aquele enfeite dotado de vida? De certo, ela dedicaria alguma atenção, se o visse numa vitrine, talvez até o comprasse – ou não. Dançaria com ele primeiro e caso sentisse prazer com a dança, talvez levasse consigo; talvez bastar-lhe-ia uma dança.
Mas não foi o acaso que arrumou-lhe o objeto. Ela o ganhara. A primeira obra de arte do artista que o fizera na intenção de presentear-lhe. Ela despertou a arte reprimida do artista. Desde então ele começou a desenvolver outros penduricalhos de arame e bolinhas de gude - ela não chegou a vê-los. Só lhe importava o seu, era com ele que ela dançava. Não haveria de dançar com os outros, as outras danças pertenciam às outras pessoas, mas aquela dança era só dela. Era especial, tinha história, afeição, conteúdo. Seria para sempre o mais belo de todos os penduricalhos de arame com bolinhas de gude.
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