Uma das coisas patéticas que escrevi dia desses e que por algum motivo sempre me faz rir.
[Qualquer semelhança com Caio Fernando Abreu ou Clarice Lispector não é mera coincidência].
E quantos enganos ainda cabem na minha mão?
Ah se eu pudesse adivinhar para fugir deles!
Cada um deles me mata um pouco.
A falta deles também me mata.
Eu só queria um acerto, jogar os dardos e assim, na velocidade da luz, acerto o centro.
O CENTRO.
O centro externo que vai me levar pro centro perdido de mim.
O centro que eu perdi em algum lugar no meio do caminho e que nunca mais achei.
Tão cansada, tão exausta, tantos enganos, tantos fracassos.
Tão dependente. Deprimente.
Eu queria uma mão estendida, uma mão que eu conseguisse alcançar.
As mãos que se estendem eu não quero tocar.
Me afogar na mão estendida desejada, deitar no colo e pelo resto da vida, ter.
Hoje morri mais um pouco. Ou morri muito, Acho que não consigo ressucitar.
Ressucitar o que?
Morrer de que?
Viver pra que?
As exceções...o pôr do sol, a estrela cadente, o beijo terno, profundo – afagos.
Frações de segundos efêmeros que duram pra sempre, mas acabam no momento em que viram as costas.
São tão raros esses momentos, apesar de sempre estarem ali, acontecendo. Não pra mim, mas pra quem enxerga.
Eu não enxergo, hoje não enxergo nada.
Enxergo o meu fracasso, a minha insignificância, a minha derrota – mais uma.
Quantas ainda vou colecionar? A cabeça explode.
Chão, miséria, carne seca, boneca de madeira – dura como pedra, mas com um sopro de vida.
Maldito sopro.
De tudo ou nada – sem sopros.
Quero tudo ou não quero nada.
Não quero sopros, gotas de esperança que nunca caem. Ficam condensadas nas nuvens carregadas do céu – esperando pra cair em quem acredita nelas.
Eu não acredito, hoje não.
Mas por favor, gota de esperança, cai na minha testa, como quem consegue um milagre, um milagre para o mais desacreditado dos seres.
Me dê um sopro de vida que me faça ressucitar – da minha amargura, amarga e podre.
=P


