"Rebeldes Entediados"
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[Provável título do livro que a Bitch está escrevendo...acredito ser uma ironia, pra não dizer que ela tá "tirando um sarro". Aliás eu acho que o livro todo é uma grande "ironia realística" pelo jeito.]
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O livro é sobre um bando de adolescentes ricos que passam os dias tentando arrumar um barato maior que o último que passaram, pra fugir do tédio... e basicamente eles não ligam pra nada.
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[E eu espero que esse texto seja publicado com os devidos espaçamentos...]
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Bitch: "-Quando eu fui aí a gente conversou sobre uma coisa, eu gostei do que eu disse e coloquei no livro, é uma parte animal assim, que o cara larga tudo pra ficar com ela e ela não dá a mínima, tipo, ela acha que ele fez tudo errado, então decide que não importa hahahaha:
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"É. Ele tinha voltado.
Foi quando bateu, pela primeira vez. Eu sabia que ele estava lá, todos os outros dias, mas não precisava da imagem dele pendurada na minha frente. Não precisava do porteiro me anunciando o ocorrido. Não precisava da consciência de tudo. “Não tem problema” e todas as outras afirmações que arrastam seu desespero pra longe, disfarçando o abismo que você se tenta a cair. Meu estômago girava e eu tentava contar os andares que ele teria que subir, mas, na verdade, acho que era minha alma querendo sair dali. A campainha e eu com as unhas contando tempos no sofá. A partir daí foi rápido, ele estava ali e eu quase fui sugada por tudo nele que conseguia me atingir, aliás, era ridículo me atingir no estado que estava quando abri a porta.
Mas não durou muito, não durou quase nada.
- Fui embora, eu não agüentei. E não foi pelos outros, não foi por ela, foi por você. Acho que, no final, a gente só ama uma vez. O resto são relacionamentos.
Parei.
-O quê? Você me ama? Você não agüentou?
-Essa não era a primeira reação que eu tinha em mente.
Como eu disse, foi rápido.
- Você planejou isso?
- Eu estou sendo sincero, não fantasie minhas atitudes como se eu fosse parte daquilo. Você não pode parar? Sim, eu te amo, parecia ridículo dizer isso antes, porque todo o teatro?
Foi quando bateu, pela primeira vez. Eu sabia que ele estava lá, todos os outros dias, mas não precisava da imagem dele pendurada na minha frente. Não precisava do porteiro me anunciando o ocorrido. Não precisava da consciência de tudo. “Não tem problema” e todas as outras afirmações que arrastam seu desespero pra longe, disfarçando o abismo que você se tenta a cair. Meu estômago girava e eu tentava contar os andares que ele teria que subir, mas, na verdade, acho que era minha alma querendo sair dali. A campainha e eu com as unhas contando tempos no sofá. A partir daí foi rápido, ele estava ali e eu quase fui sugada por tudo nele que conseguia me atingir, aliás, era ridículo me atingir no estado que estava quando abri a porta.
Mas não durou muito, não durou quase nada.
- Fui embora, eu não agüentei. E não foi pelos outros, não foi por ela, foi por você. Acho que, no final, a gente só ama uma vez. O resto são relacionamentos.
Parei.
-O quê? Você me ama? Você não agüentou?
-Essa não era a primeira reação que eu tinha em mente.
Como eu disse, foi rápido.
- Você planejou isso?
- Eu estou sendo sincero, não fantasie minhas atitudes como se eu fosse parte daquilo. Você não pode parar? Sim, eu te amo, parecia ridículo dizer isso antes, porque todo o teatro?
- Como você tem coragem? Você nunca vai amar alguém, nenhum de nós vai. Porque ninguém se relaciona com ninguém, isso é uma mentira. Nós nem chegamos a encostar na essência das pessoas. Na verdade, o que importa é o significado, é com ele que a gente se relaciona. Eu não te amo, eu amo o que você significa pra mim, na minha vida, agora. Se você deixar de cumprir esse papel, eu não vou mais estar ao seu lado, porque eu não te amo, eu amo o que você diz e o que você faz. Me responde: se eu mudar de caráter, se eu enlouquecer, se eu me mostrar uma farsa e você odiar isso, você vai continuar me amando?
- Claro que não.
- Por quê não? Ainda sou eu, você não me ama?
- Você seria outra pessoa.
- É impossível eu ser outra pessoa, eu sempre serei eu, não existe outra de mim no mundo. A única coisa que muda é o meu significado pra você e é isso que você não ama.
- É. Talvez eu não te ame mesmo, talvez eu não devesse estar aqui, é só um relacionamento de qualquer forma, então foda-se.
- Ótimo.
E a partir desse momento, não doeu ver ele ir, não doeu saber que ele devia estar desmoronando. Fechei a porta, fui para o quarto e me joguei na cama. Como se fosse terça-feira, como se fosse uma tarde, como se fosse um dia da minha vida. Olhei para o teto. Não estava triste, mas sabia aquilo estava me incomodando. "Não ligar" estava me incomodando, depois de todo aquele tempo."
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Vou até contar o "fim", chatona assim, mas no fim das contas o cara morre...[essa mania dos escritores de matar as pessoas, será que eu vou matar algum dos meus personagens? Acho pouco provável...]
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"Cheguei no meu quarto. Eu queria desmaiar.
Tirei os sapatos e me atirei na cama. Rolei e rolei. Levantei o olhar, amassei minha cara no edredom pra ver se meu corpo reconhecia minha vontade de apagar e desligava de uma vez. Estava escuro. O tempo ia passando e eu nem percebia. Aos poucos, a luz foi abaixando, o som foi abaixando, os pensamentos foram abaixando. Calma. Diminuindo no escuro, diminuindo, diminuindo, embalando e sumindo no escuro, sumindo, sumindo. Eu poderia ficar ali pra sempre depois daquela semana. Pulei! O telefone, o barulho, onde estava? Tudo voltando rápido demais pra que eu pudesse acompanhar. As paredes, o cobertor, o chão, minha cabeça girava.
Tirei os sapatos e me atirei na cama. Rolei e rolei. Levantei o olhar, amassei minha cara no edredom pra ver se meu corpo reconhecia minha vontade de apagar e desligava de uma vez. Estava escuro. O tempo ia passando e eu nem percebia. Aos poucos, a luz foi abaixando, o som foi abaixando, os pensamentos foram abaixando. Calma. Diminuindo no escuro, diminuindo, diminuindo, embalando e sumindo no escuro, sumindo, sumindo. Eu poderia ficar ali pra sempre depois daquela semana. Pulei! O telefone, o barulho, onde estava? Tudo voltando rápido demais pra que eu pudesse acompanhar. As paredes, o cobertor, o chão, minha cabeça girava.
Eu estava com metade do corpo nos meus sonhos e a outra metade me puxando pro mundo real. Pára, pensa! Onde? Pensa! O telefone, a escrivaninha. Me levantei com os joelhos tremendo pra acordarem e tirei o telefone do gancho.
Que barulho.
Ela gritava e chorava e eu não entendia nada, ouvi muita coisa e não estava prestando atenção. Estava dormindo em pé, aquilo era só um ruído para mim. Ao mesmo tempo, parecia que as informações entravam sozinhas na minha cabeça, sem precisar da minha ajuda. Elas foram se juntando, uma a uma, como um quebra cabeça. Demorou, eu não estava ali integralmente, então demorou. Mas de repente, eu vi. Como se tirassem um véu da frente dos meus olhos e eu não enxergasse mais apenas um borrão embaçado na minha frente, eu vi.
Então bateu. E bateu forte.
Me derrubou, me quebrou. Ainda não doía, mas me espancava como nada na minha vida já tinha feito. Larguei o telefone e larguei a vida e larguei meus pensamentos e todas as reações que você acha que você vai ter quando isso acontecer com você. Nem meus reflexos respondiam. Ecoava dentro de mim e era só aquilo. Se resumia àquilo e jamais seria outra coisa. O Lu tinha morrido."
Então bateu. E bateu forte.
Me derrubou, me quebrou. Ainda não doía, mas me espancava como nada na minha vida já tinha feito. Larguei o telefone e larguei a vida e larguei meus pensamentos e todas as reações que você acha que você vai ter quando isso acontecer com você. Nem meus reflexos respondiam. Ecoava dentro de mim e era só aquilo. Se resumia àquilo e jamais seria outra coisa. O Lu tinha morrido."
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Mais um trecho...
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"Seria mandada para meu quarto, deitaria na minha cama e passaria a noite toda olhando para o teto, esperando me chamarem para acordar. Sóbria, lúcida, consciente, entediada.
Foi o que aconteceu.
Que terrível. Fiquei suspirando, esperando aquilo passar logo. Não passava. Cada hora naquela situação desconfortável correspondia a 10 minutos no relógio. Era desesperador, mas eu estava de saco cheio demais pra ter raiva. Peguei o telefone na intenção de ligar para alguém e saber se meus amigos também estavam acordados e sofrendo com o tédio, que nem eu.
Mas não.
Levantei.
Parei na cozinha, sentei na pia, peguei um pão no cesto e comecei a comer. Depois de um tempo no silêncio e no escuro, sem pensar em nada específico, estiquei a perna e abri a geladeira com o pé pra ver se achava alguma coisa pra beber.
Quatro cervejas enfileiradas na porta.
Suspirei com um certo desapontamento, mas tinha de me conformar, poderia ser pior. Olhei para os armários, depois de novo pras cervejas. Não era tão ruim, afinal. Fiquei parada ali, terminando de comer o pão, com a perna esticada, segurando a porta da geladeira aberta, encarando as cervejas, refletindo profundamente sobre o que eu deveria fazer. Depois de um minuto, que pareceu uma eternidade, a geladeira começou a apitar. Pulei da pia imediatamente, um tanto conformada, joguei o resto do pão num prato na pia, limpei minhas mãos na roupa terminando de mastigar, peguei uma cerveja, olhei bem pra ela enquanto fechava a porta da geladeira. Suspirei de novo. Abri a lata, tomei um gole e voltei para o meu quarto, determinada a beber e dormir antes que o tédio me consumisse novamente.
Até que deu certo."
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TINHA que ser minha melhor amiga.
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Depois ficamos discutindo sobre os títulos de nossos livros...eu disse que o meu seria uma tentativa bem difícil de passar pro português "A Thousand Words" sem ficar ridículo. E ela disse: "- affff eu também, pensei em 30 títulos em inglês tão dahora e estiloso, aí passava pro português ficava um cú!"
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É foda cara, tem umas coisas que não dá, só dá pra falar em outra língua, não sei porque isso acontece, mas acontece, perdem completamente a essência quando traduzidas ¬¬.
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Bom fds!
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