Hoje deu muita vontade de Caio...
Abri o livro na sorte, caiu em "Apenas uma maçã":
"-Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem você mesmo sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."
"EU: -É possível um rio secar completamente?
ELA - Claro que é.
EU: -Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
ELA:-Alguns sim, outros não.
EU: -Mas nunca mais?
ELA:-Sei lá, acho que não.
EU:-Você tem certeza?
ELA:-Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal, não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
EU:-Sabe?
ELA:-O quê?
EU:-Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia."
"...Mas e se tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que irem em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia - qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Não digo. Atrás do aquário, os dois olhos confundidos com os peixes. Será que peixe gosta de maçã? Mas se tivesse ido até o fim, teria voltado? Voltar não será como ir até o fim, não será prolongar o processo em vez de abreviá-lo?..."
A maçã acabou morta no chão :(. E ele não sabia a diferença enquanto ia embora entre a escolha de olhar pra trás ou sair seguindo sem olhar.
Very Sad.
;*
Abri o livro na sorte, caiu em "Apenas uma maçã":
"-Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem você mesmo sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."
"EU: -É possível um rio secar completamente?
ELA - Claro que é.
EU: -Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
ELA:-Alguns sim, outros não.
EU: -Mas nunca mais?
ELA:-Sei lá, acho que não.
EU:-Você tem certeza?
ELA:-Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal, não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
EU:-Sabe?
ELA:-O quê?
EU:-Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia."
"...Mas e se tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que irem em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia - qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Não digo. Atrás do aquário, os dois olhos confundidos com os peixes. Será que peixe gosta de maçã? Mas se tivesse ido até o fim, teria voltado? Voltar não será como ir até o fim, não será prolongar o processo em vez de abreviá-lo?..."
A maçã acabou morta no chão :(. E ele não sabia a diferença enquanto ia embora entre a escolha de olhar pra trás ou sair seguindo sem olhar.
Very Sad.
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